2009-08-23

más surpresas no jornal que já foi o melhor...

De regresso de um fim-de-semana especial para avós - o Gabriel a fazer tudo o que se espera de um bébé de vinte dias e os pais a deixarem-me mimá-lo muito, muito, compro o jornal Público para ter um pouco de informação sobre o que se passa no mundo.

Verifico com pesar que, em vez do artigo de opinião de Bento Domingues, escreve um padre de nome Gonçalo Portocarrero de Almada, sobre o vírus da gripe A.
Num tom e forma, aparentemente, politicamente incorrectos, desdenha e insurge-se contra algumas medidas de prevenção durante o acto litúrgico, emanadas da Nota Pastoral (dos bispos portugueses) sobre o assunto.

Diz o senhor padre Portocarrero:"O vírus da gripe A só exerce a sua perniciosa acção nas igrejas. Ou seja é um vírus tipicamente anticlerical (tenta fazer humor e dar um arzinho da sua graça de padre papa-hóstias e a defender a sacristia dos terríveis anticlericais): daí o A que se distingue de todas as outras gripes que são menos beatas, na medida em que também frequentam ambientes laicais; mais ecuménicas, porque também atacam fiéis de outras crenças; e até mesmo mais politicamente correctas, porque, contagiando também ateus e agnósticos, provam que não discriminam as suas vítimas por razões religiosas."

E mais isto:"Importa ainda expressar a mais profunda indignação pelo facto de o Papa Bento XVI, não satisfeito com a sua gritante insensibilidade na questão do preservativo, insistir em promover comportamentos de risco, pois, como é sabido, só dá a comunhão aos fieis que, ajoelhados, a recebem na boca."

Também não sou eu que vou deixar de, com o ênfase e descrição habituais, dar o abraço da paz ou deixar de comungar do Pão Eucarístico (água benta não uso desde a minha primeira comunhão) por causa do medo do vírus. Mas acho muita gracinha, a estes politicamente incorrectos de cabeção e batina, que se julgam na contra corrente, mas alinham na ortodoxia mais segura, sendo como se diz "mais papistas que o Papa". Fosse eu comungar das mãos do Papa e logo se via se me punha de joelhos e lhe estendia a língua. Como se isso fosse o mais importante do acto.

7 comentários:

  1. MC, deixa-os lá, que eles hão-de "poisar". Mas doi-me a insensibilidade. Nem conseguem ver que Deus tem "falado" à Igreja através de situações que até pareciam muito adversas para ela mesma. Enfim, os "sinais dos tempos" estão muito arredados de certos nostálgicos do integrismo e conservadorismo. Deixa lá. É capelão dum colégio da O.D.
    Uma tua amiga (Anónima, neste caso)

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  2. Eu, se por azar estivesse à frente do dito, estendia-lhe a língua, não para receber a comunhão mas de forma semelhante à da famosa fotografia do Einstein.
    Beijos

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  3. hahahaha...

    Cara amiga anónima :)

    ando com as minhas capacidades dedutivas muito em baixo de forma: devia ter visto logo que era um padre O.D.
    No desprezo com que ele se refere à Nota Pastoral e a referência ao Papa.

    Para os membros do O. D., além da "ligação directa" com Deus (que só eles detêm), só devem lealdade ao Papa. Os Bispos, a restante comunidade, não sigificam grande coisa para eles. Vê-se isso, claramente, no textinho medíocre do Sr. Padre Portocarrero de Almada.

    Sim, estudando-se, mesmo ao de leve, a história da Igreja: todos os grandes momentos de crise foram, afinal, épocas de crescimento espiritual.

    Mas chateiam-me sempre os padres que têm medo que lhes invadam a sacristia. É um apego ao poder muito pouco evangélico e denunciante de uma fraqueza de carácter muito grande.

    E quanto à força da O.D., não sei se "poisam". Eles é que têm a massa. E isso ainda continua a falar muito alto, pelos séculos dos séculos, àmen.

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  4. lino!!!!

    isso faz-se? Inunda-o de cartas de protesto.

    Pois eu sou uma pretensiosa a achar que alguma vez ia estar perto do Papa (coisa que não me atrai minimamente). Alguma vez ia receber convite para isso? Eu nem os bispos conheço.

    Sou lá capaz de me imaginar de véu e maõzinhas postas direito a Sua Santidade...

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  5. Ainda mais isto:

    eu também não alinho com aqueles (dentro da Igreja) que pretendem aproveitar esta crise da Gripe A, para mudar comportamentos durante o ritual litúrgico. Por exemplo: dar ênfase a que se receba a sagrada comunhão nas mãos em vez de na boca (que é completamente anti-higiénico).

    Esse movimento tem de ser a recuperar a enorme dimensão social que dimana dos Evangelhos. A Igreja fazer um esforço catequético (e quer fazê-lo?) para que as pessoas tomem consciência que o acto de comungarem não é entre elas e Deus. Elas que são comunidade e Deis. E, aí, perdem sentido estes ritos exclusivamente intimistas e até excludentes da presença de Deus no Outro.

    Recuperar a dimensão comunitária devia ser a aposta da Igreja onde todos devíamos estar empenhados. Mais importante que discutirmos temas como se os padres devem ser casados ou não, se as mulheres podem aceder aos ministérios ordenados...Se a estrutura da Igreja fosse comunitária e não piramidal, estes assuntos resolviam-se sem grandes conflitos.

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  6. Não creio que receber a comunhão nas mãos seja mais anti-higiénico do que lamber os dedos já lambidos pela beata anterior. Eu faço-o há quase 20 anos, levo as mãos lavadas de casa e um toalhete desinfectante no bolso, para o caso de ser necessário. Se alguma vez tivesses administrado a comunhão saberias o nojo que é dar a comunhão na boca, mais a mais se, depois de lambida, a hóstia for deixada cair ao chão, não restando ao ministro outro remédio senão soprá-la e consumí-la ele próprio. E falo por experiêncoa própria.
    Beijos,

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  7. eu disse isso? se disse não queria dizer.

    ...é um nojo é. mas também não se vai mudar por decreto ou por causa da gripe. a mudança tem de ser de fundo,


    beijos

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