2009-08-15

o meu niquinho sobre a cena da bandeira

Sim e não, caro Luís. Os gestos de rebeldia são importantes neste país de sacanas engravatados e engalfinhados, cada um, a tratar da sua vidinha.

Aceitamos educação paupérrima, saúde terceiro mundista. (Cada vez que me lembro que na última visita ao IPO de Lisboa, exultei com os bancos de napa azul marinho numa sala de espera, onde cada um mastigava a ansiedade para dentro, enquanto na tv passava a senhora de Fátima e o padre comentador fazia o discurso do costume - isso irritou-me um bocadinho e mergulhei com afinco no Húmus do Raul Brandão - mas, dizia eu, exultei com uns bancos de napa. O resto vou comendo calada. Não fosse uma cara simpática, de vez em quando, nalgum lugar de atendimento e aquilo seria pior que o Inferno de Dante. E a gente ali anda, feitos carneirinhos mal fodidos, sem ousar reclamar, exigir que não nos fodam mais, porque para isso já basta o resto.

O que é que isto tem a ver com os marialvas que foram larapiar a bandeira? Tem que o gesto deles não tem nada de rebelde. O que fizeram não vale mais, do que pular o muro e roubar as maçãs do vizinho. Ou pôr os cornos ao melhor amigo (as trinta páginas do Pacheco já estão a fazer efeito). Se exultamos com gestos de rebeldia destes, merecemos os políticos que nos governam.

5 comentários:

  1. mas que pio assentimento, caríssimo Pedro. :)

    mas a sério: um acto de rebeldia não pode ser gratuito. Nem disfarçado "de" quando não é. Que são um desalento os governantes que temos tido, são. Mas a alternativa monárquica? Gajos que fazem a revolução a trocar bandeiras e a devolvem passadinha a ferro?

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  2. É mais ou menos isso o nível dos nossos reformadores e revolucionários... deprimente. De um lado os míopes que realmente não percebem o alcance das coisas (e acreditam e governar por decreto e revoluções por bandeiras) e no outro lado meia dúzia de estupores mimados que no fundo estão plenamente integrados neste sistema de corrupção (monárquica ou republicana, é à escolha porque o resultado é o mesmo) mas querem dar uma de rebeldes.

    Acho que como país merecíamos mais.

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  3. Desculpa a falta de humor na resposta mas às vezes a sério que fico enervado com estas faltas de respeito para com o resto dos cidadãos. Fazem-nos mais parvos do que aquilo que somos.

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  4. Pedro,

    há alturas que nem o humor nos salva. E este desgoverno em que andamos é um deles.

    Ultimamente tenho presenciado mais de perto estas lides e digo-te que é desolador. E eu só observo as bases...imagino que nas cúpulas ainda deve doer mais.

    Eu não sou nada anti-poder. Mas o poder traz junto a ele vícios que se não exercido por pessoas críticas de si mesmas, se não fõr convenientemente vigiado e escrutinado pode causar males muito grandes.

    Quando é que em Portugal se chega a um patamar, em que os votos são em consciência e os eleitos são responsáveis?

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