2009-09-20

às vezes, salva-nos a memória


Às vezes as coisas dentro de nós


O que nos chama para dentro de nós mesmos
é uma vaga de luz, um pavio, uma sombra incerta.
Qualquer coisa que nos muda a escala do olhar
e nos torna piedosos, como quem já tem fé.
Nós que tivemos a vagarosa alegria repartida
pelo movimento, pela forma, pelo nome,
voltamos ao zero irradiante, ao ver
o que foi grande, o que foi pequeno, aliás
o que não tem tamanho, mas está agora
engrandecido dentro do novo olhar.



Para Maria de Lourdes Pintasilgo
em breve homenagem

Fiama Hasse Pais Brandão
"As Fábulas", edições quasi



Nestes dias insidiosos, lembrar a mulher e política, Maria de Lurdes Pintassilgo, é fazer memória para orientar o presente. Porque não chega ficarmos incomodados ou alheados, à espera que outros façam.

15 comentários:

  1. Ora cá estão casos concretos de alguém que embora seja conotada com alguma “ambiguidade” para o lado feminista, fez o seu percurso (e bem) no mundo dos “machistas” sem precisar de quotas. Primeira ministra de portugal ( e convidada por um homem, quem diria que o complot machista chegava a tanto na discrimnação), e segunda primeira ministra na europa. Quem teve / tem valor e luta não precisa de o apregoar por quotas

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  2. Maria de Lurdes Pintassilgo é uma figura incontornável na vida política portuguesa.

    Nela se faz juz à expressão:"A excepção que confirma a regra".

    Não é pelo facto de Maria de Lurdes Pintassilgo, e outras mulheres, se afirmarem num campo exclusivamente masculino, que se pode negar (a menos que se sofra de algum tipo de miopia)a exclusão de género que existe na política.

    As quotas são outra questão. Para já, estão a provar que não basta legislar. E legislar em "cima do joelho", como cada vez mais, se me afigura que aconteceu.

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  3. (“a menos que se sofra de algum tipo de miopia)a exclusão de género que existe na política.”)

    (“As quotas são outra questão. Para já, estão a provar que não basta legislar. E legislar em "cima do joelho",”)

    Pois não, legislar para que? Então a senhora e outras que cá comentam não encaram isto de um ponto de vsta cultural e sexista que impede as mulheres de aceder aos cargos. (cultura de genero)

    Só que esta verdade já foi. Só para dar um breve exemplo na recente tomada de posse de novos juizes, em 39 juizes 37 eram mulheres. As faculdades de medicina e direito dominam no genero feminino, ja ponho de lado as matematicas e engenharias. E julgo que nem é preciso ir a outros exemplos. Onde raio se metem elas que não se interessam por servir esta res pública.

    O mérito a quem o tem.

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  4. "o mérito a quem o tem"

    Isto quer dizer alguma coisa, para além de um chavão panfletário?

    Muito me alegra saber que tomaram posse mais setenta e seis novos Juízes sendo 37 mulheres.

    Talvez daqui a uns anos mude a configuração do Conselho Superior de Magistratura, onde, para setenta Juízes Conselheiros do sexo masculino, existe UM do sexo feminino.

    E, já agora, aproveito para dizer que é muito suspeita a sua expressão "Então a senhora e outras que cá comentam". Isto não é "Maria vai com as outras". È gente com opinião e que a manifesta. Ou não podemos? Não há aí um ressabiamentozinho mal digerido? Quem foram as mázonas que o puseram assim?

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  5. (“Muito me alegra saber que tomaram posse mais setenta e seis novos Juízes sendo 37 mulheres”)

    Bem como eu citei na minha afirmação de cabeça, fiz uma pequena confusão a qual corrijo. O numero total de juizes que eu indiquei, está relativamente abaixo do normal confundi as 39 juizas com o numero total de juizes por isso a historia é esta, e por isso esta a ver que já tem “tomado” o conselho. Quanto (“a mudar a configuração do Conselho Superior de Magistratura, onde, para setenta Juízes Conselheiros do sexo masculino, existe UM do sexo feminino.”) vai ver que não vai ser assim apesar de elas ja serem maioria, será que precisam das quotas para lutarem.

    Eis a noticia com numeros corrigidos e pode-se ver a enorme desproporção entre eles e elas

    (“Esta quinta-feira tomaram posse 46 juízes de direito (39 mulheres e sete homens) no Supremo Tribunal de Justiça. Na cerimónia, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, afirmou que os «tribunais são hospitais sociais», onde os cidadãos «não procuram apenas sentença jurídica mas uma sentença humanizada», noticia a Agência Lusa.”)

    (“E, já agora, aproveito para dizer que é muito suspeita a sua expressão "Então a senhora e outras que cá comentam". Isto não é "Maria vai com as outras". È gente com opinião e que a manifesta. Ou não podemos? Não há aí um ressabiamentozinho mal digerido? Quem foram as mázonas que o puseram assim?”)

    Não, nem por sombras sempre fiz bem as digestões.

    Bem aqui deixemo-nos de coisas eu limitei-me analisar o que foi escrito em posts atrás e que denotam continuidade de pensamentos, nada mais que isto. Disse alguém:

    (“Também eu me pergunto o mesmo quando vejo homens incompetentes a ocupar um cargo (e são tantos, benza-os Deus!): de que espécie de quota, redes, conluios, amizades e preconceitos contra a mulher se terá esse homem servido para conseguir chegar ali?”)

    E disse a senhora:

    (“Qual mérito qual catano. O domínio dos homens sobre as mulheres é milenar. Não é de ontem nem de hoje”)

    Estes pensamentos são sublimes.

    Mas esquecendo-se que os homens lutam pelos postos que ocupam contra as mulheres e contra os homens, em resumo lutam pelos postos que ambicionam conquistar contra qualquer sujeito seja homem ou mulher independentemente do género. Ao contrário as mulheres na sua grande maioria não lutam, ou por inaptidão, personalidade, ou falta de interesse.(também não se interessam por futebol, jogos que exigem intelecto e concentração como xadrez e muitas outras actividades humanas porque?. Claro que havera excepções a regra ) Por isso o post que a senhora usou para se referir a maria de lurdes pintassilgo só vem demonstrar que para se conquistar um posto os sujeitos que o ambicionam precisam lutar com as mesmas “armas” independentemente do género (sexual) e seja contra homens e mulheres dai que a senhora não tenha percebido nada quando classifica de panfletária a minha afirmação “o mérito a quem o tem”. Para se ocupar postos de chefia tem que se lutar por eles e não ter o lugar reservado á partida usando assim armas de exclusão em relação a um género por provir de um genero diferente. A igualdade deve ser a norma não o genero, de outro modo significa condescendência.

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  6. "Estes pensamentos são sublimes."

    Gostei da ironia. Mas a leitura que faz do que eu e a Helena escrevemos é enviezada.

    Vai dizer que todos os homens que ocupam lugares de topo o fazem por mérito...não, não está ceguinho de todo.

    E porque é que as mulheres não ocupam esses lugares? Porque não têm mérito. Ah pois é. E se virmos pelo seguinte lado: muitos gestores, empresários, directores de serviço, são conservadores ao ponto de ainda acharem que o lugar de uma mulher é em casa a ter filhos e a cuidar deles. Que ou bem que engravidam, ou lutam pela carreira e até pelo emprego. Acha que é uma questão de mérito. Os homens são confrontados com isto? Por acaso até podem ser nos diteitos que a paternidade lhes confere. Mas não amamentam, nem têm de engravidar e parir. Tudo coisas óptimas e muito boas. Mas lá que condicionam progressões de crreira, sim. Mas a questão nem é só esta. O jogo não é só com o mérito, nem com a inteligência, nem com as capacidades de cada um. Os homens tendencialmente não abdicam do poder.

    Mas não são quotas nenhumas que vêm subverter isto. Cada vez o creio menos.

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  7. (“E porque é que as mulheres não ocupam esses lugares? Porque não têm mérito. Ah pois é. E se virmos pelo seguinte lado: muitos gestores, empresários, directores de serviço, são conservadores ao ponto de ainda acharem que o lugar de uma mulher é em casa a ter filhos e a cuidar deles”)

    O que é que ha para discutir, com estes pensamentos sublimes.

    (“Mas não amamentam, nem têm de engravidar e parir”)

    Pois é, a natureza é tramada. Mas não se preocupem o homem tem meios de contornar a natureza, a senhora aqui está a falar de direitos não está a falar de opções de igualdade no acesso a carreiras, diga lá onde estão limitações no acesso a carrreiras sendo isso proibido constitucionalmente a descriminação com base no sexo? Esta falar da luta das mulheres pelos seus direitos e da batalha pela legitimidade das suas particularidades de género. O direito à creche, e a não-demissão no retorno da licença-maternidade, os empregadores não demitirem assim que desconfiavam da gravidez ou logo após o regresso ao trabalho,.o direito a horas para amamentar. Isto são direitos que contrariam a realidade que a senhora fala que é passado. É a tal cultura (“muitos gestores, empresários, directores de serviço, são conservadores ao ponto de ainda acharem que o lugar de uma mulher é em casa a ter filhos e a cuidar deles.”)

    (“Que ou bem que engravidam, ou lutam pela carreira e até pelo emprego. Acha que é uma questão de mérito”)

    Acho, mais uma vez pela realidade, são cada vez mais as mulheres e homens que casam e formam familia cada vez mais tarde depois dos trinta e tal, com algumas consequencias negativas que não interessa falar aqui, mas é devido a colocarem as suas carrerias em primeiro lugar e estabelecerem uma base de segurança que faz com que adiem a formação da familia para cada vez mais tarde e são precisamento os mais letrados e instruidos que assim procedem. Se poem em primeiro lugar a carreira não me conte outras histórias.

    (“Os homens tendencialmente não abdicam do poder”)

    Ah pois não, as mulheres é que não são capazes de lutar por ele. Será que precisam de quotas, lugares reservados. Eu que nunca gostei de lugares para predestinados/as nunca gostei das monarquias.

    E tenho dito

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  8. meu caro senhor,

    nada melhor para rebater os meus pensamentos sublimes do que a argúcia e clareza das suas ideias.

    Conversas circulares não é comigo. Gosto de empregar melhor o meu tempo.

    Constitucionalmente não é permitido descriminar em função do sexo. Todos os dias se faz. Asim como; se passam sinais vermelhos, se ultrapassam as velocidades limites, se cometem fraudes, se mente. E mais...

    O sentido do meu post não contém nenhuma intenção feminista.
    Na recente história de Portugal, sobressai uma figura (a par de outras que podemos enumerar. Não muitas, infelizmente) que é uma mulher. O ênfase, não é de todo, o ser mulher.

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  9. (“Conversas circulares não é comigo. Gosto de empregar melhor o meu tempo.

    Constitucionalmente não é permitido descriminar em função do sexo. Todos os dias se faz. Asim como; se passam sinais vermelhos, se ultrapassam as velocidades limites, se cometem fraudes, se mente. E mais...”)

    Pois, todos os dias se faz muita coisa, muita descriminação que não se refere só as mulheres mas também aos homens.

    Empregar bem o tempo é um bom conselho, agora fazer estas comparações com a desigualdade de oportunidades entre homens e mulheres no acesso a funcões e cargos é ridiculo, porque não existem tais limitaçoes na sociedade actual,a senhora não pode dizer o contrário, por isso só resta o chavão da cultura, e dos homens das cavernas que ainda acham que o lugar das mulheres é parir, amamentar, passar a ferro, entre outras coisas. Acho que sim entendi o seu ponto de vista.
    Conversa encerrada

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  10. não entendeu nada.

    e não tente comover-me ;) com a tirada dos homens das cavernas porque vale zero.

    Os homens das cavernas não eram maus porque viviam nas cavernas. Não passaram a ser civilizados só porque passaram a viver em casas com portas e janelas de alumínio.

    Os homens e as mulheres foram bárbaros ontem e são-no hoje.

    E também uns e outros são generosos quando tal ocorre.

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