2009-09-01

que livro levar para uma ilha deserta?


Nunca perdi tempo a magicar sobre tal questão. Acho improvável ver-me em tal situação. E sou incapaz de eleger "O livro da minha vida". Por uma razão muito simples: ainda não encontrei livro nenhum onde me lesse de forma total, nem nenhum que, de modo absoluto, alterasse a minha vida. Nem tão pouco que me encantasse de modo a esquecer todos os que li e espero ler.

Ando a ler, há vários meses, o Húmus de Raul Brandão. E se não desejava perder-me com o mesmo, onde não tivesse outras hipóteses de leitura, incessantemente, me perco nele.

Um pequeno exemplo:


Um Deus-força, um Deus que não se comove com os meus gritos nem com as minhas súplicas, não me interessa. Um Deus que caminha para um fim que não atinjo é um Deus absurdo. De que me serve este Deus? Não ouve os gritos - destrói. Destrói e caminha. É inalterável. Ilude-nos. Deixa-nos um segundo diante deste espectáculo, para nos mergulhar no nada. A nossa aspiração não cabe aqui: entrevemos, sonhamos, e, a meio do caminho, talvez no início de sonho maior, destrói-nos. Pior: tem uma necessidade de sofrimento cada vez maior, de sofrimento inocente ou culpado. Revê-se na dor. Deus é cego...


...Quanto mais espezinhas, mais gritos, mais ternura nas árvores, mais estrelas nos céus...


...Estou nas tuas mãos! Estou nas tuas mãos!...
imagem - Filipoiu Marius

3 comentários:

  1. BLASFÉMIA! BLASFÉMIA!
    A BÍBLIA!

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  2. Eu levava o "Como regressar de uma ilha deserta são, salvo, bronzeado e curado de todas as maleitas", de autor anónimo.
    Beijos

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  3. O Húmus é uma excelente escolha para levar para uma ilha desera, o Gabiru ajuda-nos a descobrir a dimensão mágica da realidade, enquanto as Teles, Fonsecas e Albergarias, minimizam qualquer pena que sintamos por nos vermos privados da presença de outros humanos.

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