2009-10-10

ainda há quem almeje uma sociedade decente

NUM PAÍS que é dos mais desiguais da Europa, o combate à pobreza deveria estar no topo da agenda política. E na verdade em Portugal está, mas pelas razões erradas. O que deveria ser motivo de indignação colectiva - as centenas de milhares de famílias que vivem abaixo do limiar de pobreza ou que não têm acesso a um conjunto mínimo de oportunidades - não o é, ao mesmo tempo que o rendimento social de inserção é sujeito a ataques políticos diários, que combinam demagogia desbragada com insensibilidade social.



Pedro Adão e Silva no i

3 comentários:

  1. Também acho. Nem imaginas as pessoas que tenho de ouvir a pregar contra o RSI. São os mesmos que vejo lampeiros a pedir subsídios de gasóleo.

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  2. (“ao mesmo tempo que o rendimento social de inserção é sujeito a ataques políticos diários, que combinam demagogia desbragada com insensibilidade social.”)

    Não vejo insensibilidade social em muitos que atacam o RSI, mas sim o seu aperfeiçoamento, a não ser aqueles que propõe mesmo o seu fim como única medida de acabar com as atribuições indevidas, mas julgo que, penso eu, minguém é favorável ao darwinismo social, mas toda a gente será favorável a que não haja desperdicios e atribuições indevidas como ultimamente tem saltado para as paginas da comunicação social.

    Se há uma parte do RSI que é objecto de fraude é preciso combater a fraude, mas se também há uma parte que não é objecto de fraude e tem justificação social, então não se pode acabar com ele nesta parte, ou com que objectivo se acaba com ele então? Pelo trabalho e dinheiro que dá combater a fraude e saber quem defrauda o sistema, o restante crime também dá e no etanto combate-se, o melhor argumento então portanto será cortar o mal pela raiz? Não acho.

    Se o medida RSI foi medida que tinha boas intenções na origem, não deixou de as ter agora, elas existem na mesma. Os casos de fraude é uma história que é preciso controlar de facto, esta medida só deve beneficiar quem dela necessita, dai que não me parece que quem critica o RSI sem querer acabar com ele seja um insensivel social, há um lado na sociedade de pobreza endémica e de quem não consegue sair dai sem ajudas, mesmo que queira melhorar de vida e por muito que queira, se vai pedir ajuda por outros meios cai nas mãos de agiotas. Mas o rendimento deve ser uma ajuda fiscalizada e temporária por isso acompanhada no tempo e ver o progresso e esforço de quem a recebe,não pode ser uma ajuda parasitária da sociedade. Acabar com recebimentos indevidos para outros beneficiarem mais acho que é uma óptima medida, fiscalizar a fraude e punir os prevaricadores é fazer justiça.

    Aliás houve uma ideia que valeu um prémio nobel, o espirito do microcrédito dirigido às populações pobres e muito pobres asiáticas, com absoluta falta de acesso a crédito, vivendo na pobreza e impedidas do acesso a bancos e aos meios tradicionais de financiamento, por não possuírem os bens que pudessem oferecer em garantia. Com esta ideia este sistema libertou estas pessoas pobres de baixos recursos das garras dos vigaristas e agiotas. Também penso que o estado, a sociedade deve ser solidária e deve ter politicas sociais que ajudem quem necessita e quer ser ajudado a sair do fosso em que se encontra, mas não pode ser à balda a sua atribuição, nem uma coisa definitiva, as pessoas tem que ser ajudadas se precisam, mas também tem que se ajudar. Caso contrário passa a ser uma especie de pensão sem qualquer carácter de inserção.

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