2009-10-18

preconceituoso, no mínimo

José Saramago não consegue acreditar num Deus castigador. Eu também não. Mas afirmar que a Bíblia é um manual de crueldades, é uma expressão de ignorância, nada admíssivel num escritor da dimensão de Saramago.

3 comentários:

  1. “na Igreja Católica não vai causar problemas porque os católicos não lêem a Bíblia".

    Hummmm, O Saramago não deixa de ter alguma razão...

    “A Bíblia passou mil anos, dezenas de gerações, a ser escrita, mas sempre sob a dominante de um Deus cruel, invejoso e insuportável. ”

    Tem alguma razão, não tem?

    Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo.

    Não é tão absurdo assim. Pessoa escreveu "O Guardador de rebanhos" de uma ssentada. Há muita coisa dentro de nós que Saramago nunca descobriu. É por isso que destila tanto rancor. Embora acerte algumas de vez em quando.






    “Deus só existe na nossa cabeça, é o único lugar em que nós podemos confrontar-nos com a ideia de Deus. É isso que tenho feito, na parte que me toca”.

    Aqui o Saramago tem alguma razão, o problema é o "só". Tudo o que existe só na nossa cabeça existe mesmo. Às vezes até salta cá para fora...

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  2. eu acho que ninguém passa por ignorante por querer. Isto para comentar aqueles que afirmam que as declarações são deliberadas para vender mais.

    Estou mais com o bispo do Porto. Saramago demonstra uma ingenuidade confrangedora. Porque não conseguir passar da imagem do Deus cruel e castigador, incitador de violência, é ingenuidade.

    Assim se prova que uma grande capacidade intelectual não resolve tudo.

    Os católicos conhecem pouco a Bíblia. É lastimável.

    Deus cruel e invejoso que diz por exemplo isto pela voz do profeta Oseias (3,1):

    "Disse-me ainda o SENHOR: «Vai, de novo, e ama uma mulher, que é amada por outro, e que comete adultério, pois é assim que o SENHOR ama os filhos de Israel, embora eles se voltem para outros deuses e gostem das tortas de uvas.»

    Um Deus que ama quem, permanetemente, lhe é infiel. Que é capaz de humor e ironia (as tortas de uvas).
    E tantos exemplos. Se se quiser ler a Bíblia e conhecer.

    Dentro de nós mesmos (seja na cabeça ou onde for) não cabe o universo. Procuramos Deus dentro de nós mesmos, mas igualmente "fora". Por isso a dimensão eclesial é de extrema importância. E, novamente, Deus não está fechado nos muros das igrejas. Desafio maior é mesmo encontrá-lo fora delas.

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  3. Ena grande tirada de saramago, utilizar a própria igreja nas suas mais elevadas figuras para fazer publicidade a um livro, ja é useiro nestas coisas, até me faz lembrar um filme obscuro que já nem me lembra o nome versando também sobre religião, em que o falecido presidente da camara de lisboa. abecassis e um grupo de católicos foram para a frente de um cinema com o intuito de o proibir / promover. Foi das melhores promoções, são assim os católicos.

    Quanto a biblia ser manual de horrores, o antigo testamento, pois ele tem cada tirada que dá para um mini manual. Mas não admira um livro de leis e costumes de um povo da época do bronze não pode diferir muito dos outros livros de leis da época, como na babilonia, o codigo de hamurabi, eram crueis e severos, os sacerdotes utilizavam os deuses para aterrorizar as pessoas e dominar, tudo isso era próprio da época, a biblia não foge a regra, nem com a temperança de alguns profetas citados, cujas profecias talvez sejam um pouco devido a sua vida pessoal, um reflexo. (“Ele amava de todo coração sua esposa, mas ela deixou-o para se entregar a outros amantes (prostituição sagrada a Baal). Mas que se há de fazer, essas coisas estão na biblia, toda ela, não vamos amputa-la é so ler o que nos interessa embora possamos faze-lo. As leis e suas punições “ditadas” por deus para um povo, claro que os católicos são outra estirpe só apareceram no novo testamento, na época do amor ao próximo. Mas todos os livros são canónicos, e o ponto de um deus terrivel julgador sem piedade culmina no apocalipse.

    De resto é um bom livro, com informações sobre história e costumes antigos nem sempre correctos. Escrita para propagar a ideia de que deus, um deus irreal, semelhante aos antigos deuses tribais adoptou um povo o judeu / israel como seu preferido o que não era propriamente uma raridade nos povos daquela época terem um deus nacionalista de dedicação exclusiva, um livro cheio de mitologias, dilúvio universal, mar aberto ao meio, a jumenta de Balaão que falava etc.


    Com cristo englobou alguns bons ensinamentos, tem poesia, no cântico dos cânticos. Enfim tem a sabedoria e moral dos antigos. Criam que a terra tinha forma achatada, s. paulo, o apóstolo dos gentios, mandava as mulheres ficarem caladas nas assembléias, Não podendo usar adornos nem deixar o cabelo à mostra, e mais tudo isto engloba narrativas antiéticas e com grandes doses de discriminação, tendo o aval de deus segundo dizem, foi deus quem “inspirou”a Biblia soprando ao ouvido, como podem essas crueldades constarem nas suas leis, leis de deus e destinadas a toda a humanidade e não só uma parte da humanidade.


    Saber viver respeitando o outro ser humano, desejar o bem para todos, não uns poucos, protegidos por deus, se há perseguição, imposição de ideias, discriminação, atentados aos direitos humanos, não há ética.
    Acreditar em deus é saudável quando esse deus não é o juiz castigador das religiões. Seria bom que a humanidade que acredita em deus, o separasse daquele deus inventado por povos primitivos, e o tornasse num ente mais sábio, mais amoroso, sem inspiração de livros e leis que não se conjungam com uma mente perfeita, é um estado infantil em que por virtude da educação muitos são submetidos em vez de buscar um novo conhecimento sobre deus e o mundo.

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