2009-10-05

quem é Jesus Cristo?


Um tema cativo deste blogue é a pessoa de Jesus Cristo. E, no entanto, tem-me faltado vontade, capacidade e empenho em descobri-lo, para além do cristianismo apologético das igrejas cristãs. E, da católica, em particular.

Desde os primeiros escritos das comunidades cristãs, muito se tem escrito, sobre este judeu que viveu há dois mil e pouco anos. Muita gente apostou a sua vida a seguir a sua mensagem. E aos homens deste tempo - que diz Jesus Cristo?

Muitos estão à espera que ele lhes fale através dos cristãos. E vêem-se aflitos para captar alguma coisa. E isso serve-lhes de desculpa para não dar passo. Arrumam assim a questão.

Diz Chesterton no livro "O Homem Eterno": Os cristãos só são piores porque têm a obrigação de ser melhores.

E têm! Mas apropriando-me duma definição do filósofo José Gil, esta norma metafísica-moral de os cristãos terem de ser melhores que todos os outros, não cria um estado de vida anti-natural, onde cada um não se sente obreiro da sua vida, como os restantes concidadãos, mas a representar num palco ideal, e logo assim, falso?

E, em discussões particulares ou alargadas, perdemo-nos do que é mais importante: quem é Jesus Cristo?

imagem- Escultura de Ferreira da Silva (artista Caldense)
A foto é de Margarida Araújo

30 comentários:

  1. (“quem é Jesus Cristo?”)

    Isso é facil. Para os católicos talvez não, pois começam logo com as contradições.

    Aceitar Jesus como um grande mestre, não me merece critica, mas aceitar o lado mistico e divino, já deu muita discussão e foi criação religiosa. A biblia é contraditoria, Deuteronômio 6:4 “Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor”. E também sei, trindade, três em um, mas...

    Deixando de lado a dualidade da personagem

    Jesus é a linguagem do amor, da fratermidade, da solidariedade, em tudo que está nos seus ensinamentos. Na sua epóca os seus ensinamentos foram uma mensagem para a eternidade tanto para o povo da sua época como para todos os outros de todas as épocas, por isso a sua mensagem é válida para todos os povos e em todas as épocas. Jesus é isto, por isso, ele disse não a quem o queria transformar num lider político e guerreiro, Jesus não queria fundar um reino que se transformasse em temporal, ditatorial ou corrupto como aconteceu e acontece em muitos países que são ou foram governados baseados em leis religiosas, A sua missão foi anunciar verdades eternas, conhecimentos da lei da vida, ensinamentos sobre o mundo espiritual. O que diferencia Jesus de outras personagens é que ele viveu de acordo com aquilo que pregava porque se virmos bem a mensagem de Jesus não se diferencia muito da mensagem de Confúcio ou de outros personagens que existiram antes naquelas paragens orientais, ou até dos velhos filosofos gregos, mas no caso de Jesus levou esta ideia de viver de acordo com a sua mensagem, viver de acordo com o que dizia e de não retribuir a violência com violência ao extremo limite, isso é que impressionou a todos e perenizou a sua mensagem. Tal como uma mensagem eterna, tais ensinamentos permanecem como convites para todos os seres humanos viverem segundo o caminho correcto que ele ensinou. O que constitui o verdadeiro desafio e problema.

    (“terem de ser melhores que todos os outros, não cria um estado de vida anti-natural, onde cada um não se sente obreiro da sua vida, como os restantes concidadãos, mas a representar num palco ideal, e logo assim, falso?”)

    Pelo contrário, o viver de acordo com a crença não tem nada de palco ideal ou falsidade, o contrário é que é verdade. A pergunta quanto a mim seria, precisamos da religião para sermos bons? É claro que não.

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  2. o problema para mim é: quem tem alguma coisa interessante para dizer sobre jesus cristo?
    pois é, quase ninguém consegue ir mais além do que os lugares comuns...
    estou enganado?
    ha por aqui muito espaço para desmentirem...

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  3. (“quem tem alguma coisa interessante para dizer sobre jesus cristo?”)

    E que tal o sermão da montanha, sem ser pelo lado mistico e divino.

    Bem, eu diria o sermão da montanha. O Sermão da Montanha do Evangelho de Mateus é um dos textos mais importantes do Novo Testamento. Onde estão expressos os principais conceitos do cristianismo e contém, a síntese da mensagem de cristo. Afirmava Gandi que se toda a literatura ocidental se perdesse e restasse apenas o Sermão da Montanha, nada se teria perdido.

    O Sermão começa nas bem aventuranças e faz uma síntese dos passos da iniciação cristã, ou do processo de evolução do espírito na sua jornada nesta vida terrena, onde estão descritos, impressionantemente e cristalinamente, os passos que o homem deve seguir.

    É para mim um dos mais bonitos textos bíblicos, inspirador da militância política fundamentada numa interpretação teológica libertadora se assim quisermos, ja dizia Max Weber. Jesus declara que o reino pertence aos pobres (está escrito “pobres de espírito”, mas isso não impedia uma leitura favorável aos social e politicamente oprimidos). Depois bem-aventura os que choram, os que têm fome e sede de justiça, os perseguidos por defenderem a justiça, mas também os mansos, os misericordiosos, os limpos de coração e os pacificadores.

    O Sermão da Montanha, como toda a Bíblia em geral, permite muitas e variadas interpretações mas claro que também, enfatiza e fortalece a luta por um mundo mais justo e igualitário. “Vós sois o sal da terra”, diz Cristo. Uma metáfora para os que sesejam criar um novo mundo, que exige uma acção consciente da missão a cumprir, fundada numa ética da convicção, representa um desafio pois, “se o sal for insípido com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens” (Mateus 5, 13).

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  4. O Sermão da Montanha, problematiza as relações entre ética e política, como esferas da acção humana serão incompatíveis e irreconciliáveis? Haverá duas éticas, uma válida para o homem político e outra para a acção humana externa à política? O texto do sermão expressa uma ética absoluta, um “mandamento incondicional e unívoco”. O problema central está em como compatibilizar meios e fins. A política sempre recorre a meios violentos, mesmo em períodos pacíficos, o poder político é definido pela legitimidade e exclusividade no uso de meios coactivos. A autoridade do Estado paira sobre as nossas cabeças em cada momento das nossas vidas, mesmo quando estamos confinados ao lar e nos limites da individualidade, essa autoridade nos alcança, mas a ética do Sermão da Montanha diz,

    “Ouviste o que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra. E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a tua túnica, larga-lhe também a capa. E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas” (Mateus 5, 38-41).

    São imperativos de uma acção política fundada na paz, na recusa de meios violentos. Deve-se buscar a conciliação e amar o inimigo.

    Bem tudo isto é muito bonito mas sera mesmo assim a realidade? pois é, não é,Belas palavras, mas a história demonstra que as acções humanas na esfera política e mesmo religiosa não se pautam por elas. Há uma impossibilidade de agir politicamente segundo esses preceitos nem mesmo os papas, dos tempos antigos aos dias de hoje persiste o dilema da acção política confrontada com as exigências da ética, as exigências éticas permaneçem indiferentes ao facto de que toda política utiliza como instrumento específico a força, por trás da qual se perfilha a violência.

    Por isso a ética do evangelho é para candidatos a santos, e a política é feita por homens e mulheres de carne e osso, capazes de grandezas e/ ou crueldades indescritíveis. Quem desejar fazer profissão de bondade, muito naturalmente arruinar-se-à no meio de tantos outros que são perversos, por isso todos os profetas desarmados foram derrotados, mas pensando melhor, temos um profeta armado que teve sucesso, não foi derrotado nem morto, fundou um império e admnistrou-o, criando e deixando as bases que ainda hoje se aplicam, maomé.

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  5. caro senhor,

    será fácil falar de Jesus Cristo, mesmo sendo católica, mas não é o que me mantém por aqui.

    Aqui o falar que se pretende é testemunhal, por isso vamos com calma.

    A Bíblia é contraditória, pois é!
    Lá voltarei à Bíblia qualquer dia.

    Confúcio não disse:"Quem me vê, vê o Pai" (Jo 14,9)

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  6. on,

    muita gente diz e faz coisas interessantes à luz da fé em Cristo.

    Por vezes, andamos focados noutras coisas. É mais fácil ver as nebulosas que ocultam mais que mostram Cristo. As igrejas cristãs têm feito por isso.

    É recorrente eu dizer isto, mas é verdade: ninguém faz o caminho da fé por ninguém.

    Há uns bons tempos, alguém incentivou que convidasse outros crentes cristãos e mostrássemos a mensagem cristã de modo diferente daquele que é a apologética das igrejas. Achei a tarefa para além das minhas possibilidades e fiquei quieta. Pode ser que encontre agora a forma de tornar isso possível.

    Continuo a insistir que isto não é apenas questão de palavras.

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  7. "Por isso a ética do evangelho é para candidatos a santos, e a política é feita por homens e mulheres de carne e osso"

    Olhe que não. A ética do Evangelho é um convite para TODOS. Para homens e mulheres de carne e osso.
    Leia o meu post de hoje. A resposta está lá.

    Não fique a tentar descodificar as palavras do Sermão da Montanha. Elas não são uma norma moral. São um convite de vida.

    Pode viver-se esse convite sem andar a ser saco de pancada de ninguém. Aliás, não é isso a que o Sermão apela. Mas o mal existe e actua no mundo, logo haverá rejeição de quem pretende impor-se pela bondade.

    Jesus vem avisou: "ides como cordeiros para o meio de lobos".

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  8. Confúcio não disse:"Quem me vê, vê o Pai" (Jo 14,9)

    Pois não, cristo é que disse

    29 E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. confirma assim o deuteronio não houve alteração da lei como ele mesmo diz

    Se lhe quiser atribuir a qualidade divina por mim passo

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  9. (“Pode viver-se esse convite sem andar a ser saco de pancada de ninguém. Aliás, não é isso a que o Sermão apela”)

    Pois não não, apela a não violencia que inspirou por exemplo gandhi, mas ghandi se enfrentasse o hitler em vez da monarquia britanica acho que sei qual era o seu fim, toda a poetica da senhora inspira-me inspira-me.

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  10. Ja agora descodifique um novo e mais antigo sermão da montanha

    Sócrates (469-399 a.C), em sua obra Crito, elaborando um de seus princípios, que podemos associar ao Sermão da Montanha, proclama que “você não deve revidar o mal com o mal, qualquer que seja o mal que alguém lhe tenha feito. - Não pense primeiro na vida e nos filhos e na justiça depois, mas na justiça em primeiro lugar, pois você pode ser justificado diante dos príncipes do mundo inferior. – Você pode viver, agora, na inocência, sofrendo, mas não praticando o mal, porque você é uma vítima, não das leis, mas dos homens. Mas se você segue adiante, retribuindo o mal com o mal, o dano com dano, quebrando alianças e acordos que já fez, e prejudicando aqueles a quem você deve por um erro anterior, seus amigos, seu país e nós poderemos desprezá-lo enquanto você viver sob as leis do mundo inferior e evitá-lo como a um inimigo; pois todos saberão que você faz o seu melhor para nos destruir

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  11. ali em baixo fez a crítica que eu tinha escrito algo para encher espaço. Acatei a crítica. Não porque o faça deliberadamente, mas porque tenho muito bem a noção de que nem sempre sou clara nas exposições que faço. Não traduzo em palavras escorreitas o que penso.

    Mas poupe-me! Seja mais sintético no que aqui escreve. Se quer diálogo.

    Ainda não cheguei à natureza de Cristo.
    Citei o Evangelho de João para ilustrar que Cristo se afirmava um profeta diferente dos demais.

    Não me diga que sou eu que o inspiro. Imponho-me já uma asfixia verbal. Isto fica só com bonecos e umas musiquinhas.

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  12. ("Cristo se afirmava um profeta diferente dos demais")

    porque? por ser filho de deus

    passo novamente

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  13. MC,
    tens razão, não é esse o objectivo do teu blog. Acho é que devia haver por aí alguém capaz de o fazer. Talvez eu tente um dia destes.
    Nesse caso aviso.

    on

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  14. caro senhor,


    passa com uma rapidez alucinante dos enunciados para as conclusões.

    Eu não afirmei nada. Apenas sugeri que cruzasse a leitura de Deutrenómio com o versículo de João. Os dois estão na Bíblia.

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  15. (“caro senhor,

    passa com uma rapidez alucinante dos enunciados para as conclusões.”)

    Esqueça o assunto, são contraditórios está mais que visto não é preciso esmiuçar, ele não veio alterar lei nenhuma judaica anterior ele mesmo diz isso mas dar uma nova um novo mandamento para tornar tudo mais humanizado, aliás isso deixei eu bem claro na minha primeira introdução quando disse, (Aceitar Jesus como um grande mestre, não me merece critica, mas aceitar o lado mistico e divino, já deu muita discussão e foi criação religiosa.) e tornou-se oficial pós concilio de niceia.

    Porque para mim não passa de um, ao lado de outros grandes mestres que o antecederam, aliás muito do que ele diz foi dito muitos seculos antes.

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  16. Eu falei nos filosofos gregos e em socrates porque eu acho algum paralelismo como mestres. Jean Brun diz:

    "O processo e a condenação de Sócrates testemunham o perigo que a ignorância faz correr ao saber, que o mal faz correr à virtude. Mas este perigo não é senão aparente, pois, na realidade, é o justo que triunfa dos seus carrascos se bem que seja vítima deles, o triunfo de Sócrates sobre os seus juízes data do dia da sua execução.

    E eu acrescentaria o de jesus também.

    Vamos la a ver se a senhora percebe o meu ponto de vista, coisa que eu procurei distinguir ao falar de cristo como um mestre como tantos outros na antiguidade, e não me vem com misturas religiosas de permeio. Quando falei dos mestres da antiguidade não foi por acaso pois muito do que cristo disse ja tinha sido dito, só que não teve o mesmo impacto projecçao ou ate não teria sido lido, talvez porque esses mestres ensinassem a discipulos ou circulos restritos e não pregassem a grandes multidões, e deslocando-se geograficamente atraindo-as pela sua palavra, digamos seriam mais ensinamentos elitistas do que ensinamentos para massas humanas. Por isso para além dos ensinamentos eu vejo paralelismos por exemplo entre cristo e socrates
    Por exemplo, Sócrates e Jesus dizem que eram ambos pessoas carismáticas e consideradas enigmáticas ainda em vida, nenhum dos dois deixou qualquer escrito, por isso precisamos confiar na imagem e impressões que eles deixaram em seus discípulos e contemporâneos, ambos eram mestres da retórica e tinham tanta autoconfiança no que falavam que podiam tanto arrebatar quanto irritar os seus ouvintes, ambos acreditavam falar em nome de uma coisa que era maior que eles mesmos, ambos desafiavam agudamente os que detinham o poder na sociedade, apontando sem piedade as hipocrisias e falsos fundamentos em que se assentavam para cometer toda a sorte de abusos e injustiças. Foi isto que no fim lhes custou a vida, afinal, os que questionam são sempre perigosos para os poderosos e pseudo-sábios de todas as épocas. Também como Cristo, que foi acusado e executado confirmando pela sua morte a verdade do seu ensinamento, Sócrates também morreu pela verdade pois o seu sentimento interior foi em contradição da crença religiosa e da constituição política do seu povo, do seu país. Cristo era um homem como Sócrates, um Mestre cuja vida foi virtuosa e que tornou o homem consciente do que era a verdade em geral, do que deve formar o fundamento da consciência. Foram duas individualidades com destinos semelhantes. Mas o que o distingue é as diferenças na forma como ambos morreram, a morte de Cristo foi a morte de um homem, que a violência fez morrer que se tornou a salvação dos homens, a morte de Cristo foi uma lenta e longa agonia, Cristo morreu no meio de tormentos e de injúrias, com uma morte em comunhão na medida que estava rodeado doutros homens pregados na cruz, comunicou na morte com aquele que agonizava perto de si. A sua morte foi tragicamente vivida, foi uma morte ensaguentada em que Jesus sofreu lentamente. Cristo morreu solitário na cruz, no monte das oliveiras,em grande sofrimento e agonia gritando:
    "Meu Deus porque me abandonaste?"

    Sócrates, por sua vez passou os seus últimos momentos rodeado dos amigos, ultrapassou a ideia de morte pela mesma ideia que tinha da morte, trágica para os seus amigos mas não para ele, morreu na prisão pacificamente sem dor, e apesar de morrer rodeado dos amigos, esteve sozinho na morte. A maior diferença esta somente em que Cristo foi verdadeiramente possuído pela morte, vivendo a morte. Sócrates por seu lado pensou a sua morte.

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  17. O que a senhora não respondeu foi a pergunta precisamos da religião para sermos bons?

    Porque quem diz que sim, faz uma afirmação interessante e frequente mas em que o argumento contém em si a sua negação, pois implica que a religião funciona como uma ferramenta de controle social e que de facto foi isso que todas as religiões desempenharam desde que apareceram neste planeta,o controlo das pessoas, controlo dos costumes, modos de vida etc.

    A desumanidade desta atitude foi condenada por Albert Einstein.

    “O comportamento ético de um homem deveria realmente basear –se no respeito pelos outros, educação e laços sociais. Uma religião não é necessária. O homem seria bem limitado se tivesse que ser controlado pelo medo da punição e a esperança de recompensa após a morte.”

    A compaixão religiosa, se for motivada apenas pelas razões que disse atrás, não passa de uma forma hipócrita de egoísmo piedoso, claro que isto nem sempre é o caso e há muita gente que ajuda os outros desinteressadamente, não por causa da religião mas devido sua preocupação intrínseca com o bem estar dos outros.

    Mas quantas pessoas foram mortas em nome da religião? A idéia de que uma sociedade sem religião é uma sociedade perversa é ingênua e arrogante. Preocupar-se com outras pessoas, preocupar-se com todas as pessoas, simplesmente porque são humanas, sem esperar recompensa ou castigo, é que é a verdadeira virtude. As religiões costumam incluir preceitos de regras básicas de moral da sociedade que as pratica, e isto pode fazer diferença no caso de quem não tem nenhum padrão de moral, talvez por falta de uma educação adequada, mas também incutem nas pessoas um monte de conceitos errados. Uma educação adequada, por uma família normal, costuma fornecer uma base ética e moral para as pessoas, sendo a religião totalmente dispensável e as vezes até prejudicial

    Cada um pode ter uma opinião diferente sobre um livro que acabou de ler por exemplo,a biblia, mas não pode haver opiniões diferentes sobre a existência do livro. Ou ele existe ou ele não existe, só uma destas duas opiniões é válida. A questão da existência do livro é fácil de resolver, já a questão da existência de deus é mais complicada.

    Por isso eu respondo a pergunta, não vejo nos cristãos nenhum exemplo que me mereça aplauso, se há uns que se aproximam mais da fidelidade à mensagem e sua vivência, a maioria não o faz nem a pratica, cede nos princípios a favor de condições subjectivas de sentimentos piedosos e vitimização.

    Por isso eu não tenho duvidas que uma sociedade baseada no humanismo, (não precisa ser religioso) no respeito dos direitos do homem, uma espécie de decálogo juridico, como padrão de identidade de todos nós funcionaria melhor. Acho por exemplo que se a religião não estivesse presente e não guiasse as pessoas, conflitos como Israel e Palestina, do meu ponto de vista seriam de melhor resolução, ou já teriam sido possíveis de conciliação.

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  18. "O que a senhora não respondeu foi a pergunta precisamos da religião para sermos bons?"

    Não vi essa pergunta, mas respondo já: Não!

    Do resto que escreve argumento o seguinte: Jesus não era nenhum erudito - comparando-o com os sábios gregos -, mas também não podemos fazer dele um líder de massas. Os grupos em que se movia eram muito restritos. Tanto, que, como diz, morreu sozinho. Sim, tinha lá uns pobres diabos por companhia, mas não consta que fossem voluntários.

    Os seus preconceitos em matéria de religião, impedem-no de ver o que de benéfico elas operam.

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  19. ó diabo, e eu que estou cheia de sono, mas ponho um parêntises na minha resposta.

    Uma coisa é um indivíduo não precisar de religião (ou de fé que é mais correcto) para ser bom. Outra é a religião não fazer falta como pertença da humanidade.

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  20. (“Os seus preconceitos em matéria de religião, impedem-no de ver o que de benéfico elas operam.”)
    (“Outra é a religião não fazer falta como pertença da humanidade.”)

    Eu nunca disse que nunca fez pertença da humanidade pelo contrário, desde que o homem surgiu neste planeta todas as civilizações mesmo sem se comunicarem e vivendo isoladas sentiram essa necessidade do divino, todas elas tinham e foram adoradoras de deuses, o monoteismo espiritual é que é tipico do médio oriente e muitos antes disto no egipto houve um faraó que comprou uma quesilia religiosa com os sacerdotes por querer por todos os egipcios em vez de adorar caes e gatos e outros que tais a adorar um só deus, o sol. Um dos primeiros passos para o monoteismo.

    Eu acho que não mas está bem. Indiscutivelmente o efeito da religão, e o efeito espiritual que possam ter e exerçam em muitas pessoas, nunca esses campos serão preenchidos e em muitos aspectos a religião na vida das pessoas preenche-os, mas dizia eu, serão preenchidos pelo conhecimento das coisas em si ou pela ciência, dizia o sócrates repetindo mais uma vez “conhece-te a ti mesmo” e completando conhecerás os deuses e o universo, porque o conhecimento e a ciência de que eu falo, em muitas pessoas não responde a todos os seus problemas e esperança na vida de muita gente, mas a religião sim, dá-lhe esperança promete-lhe a esperança do impossivel, permite-lhe acalentar tudo o que almeje.

    As religiões, isto é, o modo como os seres humanos sentiram a necessidade de oferecer uma explicação para a origem e a finalidade do mundo, ao buscar essa explicação os seres humanos projectaram fora de si um ser superior dotado das qualidades que julgaram as melhores: inteligência, vontade livre, bondade, justiça, beleza, e fazem-nas existir nesse ser supremo como superlativas, isto é, ele é omnisciente, omnipotente, omnipresente, sabe tudo, faz tudo, pode tudo, e pouco a pouco,os humanos esquecem-se de que foram os criadores desse ser e passam a acreditar no inverso, ou seja, que esse ser foi quem os criou e os governa, passam a adorá-lo, prestar-lhe culto, temê-lo, ja não se reconhecem nesse outro que criaram, é o fenómeno pelo qual os homens criam ou produzem alguma coisa, dão independência a esse ser como se ele existisse por si mesmo e em si mesmo, deixam-se governar por ele como se ele tivesse poder em si e por si,

    A religião na evolução e vida da humanidade neste planeta sempre ofereceu uma ligação com o etéreo por meio da elevação dos valores éticos e morais do homem. Qualquer coisa que fuja a isso não foi feita, na verdade, em nome da religião, mas do interesse particular e da vaidade. Falhas há em todas as instituições, afinal são comandadas por homens, que são passíveis de erros, pensadores do Iluminismo, radicais, defensores da ciência e da razão acreditavam no progresso moral do homem, ou seja, que cada geração é moralmente superior à anterior, a educação seria um caminho certo para arrancar o homem do misticismo e o colocar no caminho da razão, salvando assim a humanidade, teorias há muito desmontadas pela simples demonstração de que a Alemanha nazista por exemplo era um país extremamente educado.

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  21. ("Uma coisa é um indivíduo não precisar de religião (ou de fé que é mais correcto)")

    isto não é correcto uma coisa é a fé outra é a organização que propaga e ensina essa fé. foi s. paulo que fez no fundo a distinção entre a igreja de fieis e a organização da igreja hierarquizada, procurando atraves das suas cartas dar uma organização e evitar que cada comunidade passasse a divergir ou ter interpretaçoes diferentes da doutrina dos apostolos, não me vou alongar no assunto


    Eu acho que os que acreditam em deus como um conceito metafisico e fazem a defesa desse conceito devem fazer com que ele viva todos os dias através dos seus actos quotidianos. Infelizmente muitos dos católicos que por ai andam, vivem de um deus morto, ou colocam-no como vigilante situado num ponto qualquer do universo vigiando nossas acções como um juiz castigando-nos ou premiando-nos. Foi a experiência do mistério mesmo se misturada com o medo que engendrou a religião, o conhecimento / desconhecimento da “existência de algo” que não podemos penetrar.

    Grande parte do que vem escrito em textos religiosos como a Bíblia e o Corão é puramente falso e merece apenas ser interpretado como parte da mitologia semita e grega, no caso do Cristianismo. Porque se podemos e temos o poder para melhorar a vida da humanidade, não se espera que contribuamos nesse sentido? Se vemos alguém em perigo ou ferido, não somos obrigados por lei a socorrer tal pessoa, e não é essa também uma obrigação moral, não é isso que consideramos uma atitude moralmente correcta? Precisamos da religião para nos auxiliarmos e vivermos melhor? Não. Mas eu comprendo por exemplo que a doutrina proposta por cristo no sermão da montanha da não violência, e eu, ao contrário da senhora que diz, “não é para sermos sacos de pancada”, pressupõe para poder ser vivida em pleno, uma sociedade altamente evoluída do ponto de vista espiritual, essa doutrina é um ideal, tal como já séculos antes sócrates tinha dito, e os ideias nunca são alcançaveis são meras metas,caminhos de aperfeiçoamento, devia ser assim mas não é, nem nunca será, porque a natureza humana é contrária a isso, esse é o problema de dar a outra face.

    A ética que se distingue do direito e da moral e esta acima dos dois é que no fundo nos diz o que é bom e mau, e serve de justificativa para as nossas acções que tem por base de um lado a moral que é somente uma norma de adesão e por outro o direito que é uma norma de obrigação. Por isso a ética é influenciada pela moral mas só deve obedecer ao direito.Uma pessoa pode cometer muitos crimes moralmente condenáveis, mas como não esta obrigado a aderir a normas morais, se forem autorizados ou justificados ( suponhamos por absurdo ) pelo direito pela legislação, eticamente estão justificados porque tais acções eram permitidas pelo direito que no fundo também engloba conceitos morais e filosóficos. A mudança da natureza humana através de valores éticos, morais, culturais, mas não a sua imposição pela força mas pela perssuasão é o caminho, não a religião. Concedo-lhe que seja benéfica para as pessoas se lhes da (ilusão) aquilo que elas procuram e não encontram noutro lado.

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  22. Não precisamos de religião para ser bons.

    Não precisamos de ser bons.
    Jesus até escreveu uma coisa ou outra nesse sentido, embora a religião cristão considere ser bom essencial.

    Não conseguimos sequer ser bons.
    É isso que significa a tal historia do pecado original.

    Não quer isso dizer que possamos dispensar a dimensão religiosa da nossa existencia.

    Sem ela, a vida não tem sentido. Embora essa falta de sentido só se faça sentir na segunda fase da nossa vida.

    Tentar ser bom é imitar Sisifo: a pedra acaba sempre por cair. Que tal aceitar antes radicalmente tudo o que de mau e de muito bom existe dentro de nós?
    Talvez assim até acabemos por ser melhores...

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  23. caro senhor,

    Jesus Cristo não pregou ideais. Pregou coisas bem concretas. E, assim, distingue-se dos sábios gregos. Lembre-se que o auditório dele era maioritariamente de excluídos.

    O Sermao da Montanha não é nenhum programa ideal. Expressa a consolação que nos vem de Deus.

    Mas não é consolo para sermos passivos. É um consolo para a luta.

    Desiluda-se: a religião não é um consolo para ninguém. Consolo no sentido de não agir.

    Diz muito bem: a chave para a nossa "felicidade" é o conhecermo-nos a nós mesmos. A fé ajuda a esse conhecimento.

    Diz que a Bíblia e o Alcorão contêm falsidades. É capaz de as nomear?

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  24. On,

    o ser bons neste sentido que está em diálogo é aquilo que dizes.

    Toda a gente sabe que ninguém é bom em estado "puro"

    Bom, a minha procura de sentido para a vida, começou logo assim que me senti gente. A meia idade está a ser o que foi toda a vida - viver os bons e maus momentos como sendo o todo da mesma.

    Não, a história do pecado original, quer dizer que um dia seremos bons.

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  25. (“Jesus Cristo não pregou ideais. Pregou coisas bem concretas. E, assim, distingue-se dos sábios gregos. Lembre-se que o auditório dele era maioritariamente de excluídos.”)

    Desculpe la mas a teria da não violencia e dar a outra face para ser vivida em pleno pressupõe uma sociedade altamente evoluida do ponto de vista espiritual, ético, moral. Acontece que nos humanos não somos assim, só isto. Esse ideal é uma meta. Por isso ha “santos” e “demonios”.

    (“Diz que a Bíblia e o Alcorão contêm falsidades. É capaz de as nomear?”)

    Nunca declarou o Geocentrismo?
    Explicitamente não. Mas toda a concepção da Terra na Bíblia É Geocentrista! A religião defendeu e condenou quem dissesse o contrário

    Apresenta o conceito de uma Terra esferóide?
    Não! A Bíblia Apresenta o Conceito de uma Terra Plana!

    E chegaria ao ponto de subentender a Força Gravitacional?
    Pois, sem mais comentários,

    A biblia foi escrita por seres humanos com um severo limite de informação, Deus não teve nenhuma participação neste emaranhado nem esses povos da antiguidade tinham conhecimento suficiente para entender deus, se de facto deus lhes falasse sobre estas coisas, sobre estes autênticos tratados científicos, por isso dão nos uma historia da criação do mundo e do universo que foi e será desmentida ou confirmada pela ciência a medida que o progresso o permite, resta a parte dos costumes e moralidade que essa é posta em causa pela própria sociedade no seu progresso.

    E este assunto já esta mais que esgotado

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  26. diz bem:

    "a teoria da não violência, dar a outra face"

    é uma teoria mal contada. Será que era issmo mesmo que Jesus queria dizer.

    Sim, está certo que a mensagem cristão é de não violência, mas não é de passividade.

    É obrigação ética e moral não pactuar com a violência.
    Isso é diferente de responder à violência com violência. Não será isso a imagem da outra face? Perante alguém que nos violenta, oferecemos a outra para dizer: "não podes fazer-me mais mal, porque já o fizeste. Continuares é desnecessário. O mal está feito."

    Compreende a diferença?

    Se para si está esgotado, paciência. Para mim, não.

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  27. será isso mesmo que Jesus queria dizer? (assim é que é)

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  28. MC,

    Algumas pessoas acreditam na Bíblia literalmente. Outras acham que algumas partes não são razoaveis, logo devem ser entendidas de forma alegorica. Outras partes entendem de forma literal. Talvez também sejam alegoricas.

    Não seremos bons até à morte.
    Depois...

    Se algumas pessoas não quisessem com tanta força que eles e os seus próximos fossem bons com tanta força, os seus olhos são se fechariam tanto ao mal e não haveria tantas sombras dentro da igreja.

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  29. (“é uma teoria mal contada. Será que era issmo mesmo que Jesus queria dizer.

    Sim, está certo que a mensagem cristão é de não violência, mas não é de passividade.”)

    Ah bem, se a senhora o diz, então entramos no dominio da interpretação a la carte cada um diz o que acha e está o assunto arrumado. A senhora interpreta a não violência e a outra face de uma maneira sui generis. Não é nada disso que eu quis dizer nem é nada disso que historicamente aconteceu por exemplo na india no tempo do ghandi com o império britanico, nem é nada disso que eu vejo no sermão da montanha. A não violencia significa fazer o que está correcto e justo ética e moralmente e se somos agredidos por estar a fazer o que estamos a fazer, mas que é correcto e justo do nosso ponto de vista ético e moral, não vamos deixar de o fazer, não vamos suspender a nossa acção só porque somos agredidos, não é por isso que ela passa a ser errada e deixa de ter sentido, mas continuamos a fazer o que achamos correcto sem responder a violência que venha ou esteja a ser exercida sobre nós. Isto é continuamos a fazer o que estavamos a fazer apesar da violencia exercida para parar e não fazer, e mais não respondemos a qualquer violencia que venha a ser exercida.

    Pois mas isto é possivel de aplicar? Ai reside o problema que eu foquei de uma sociedade altamente elevada a nivel espiritual. Provavelmente esta teoria tem efeito quando a outra parte é levada a questionar-se sobre a razão das nossas convicções e das nossas acções, e entra-se numa luta mental e há uma outra definição chamada perdão, o perdão é independente das pessoas que nos magoam, pode nos magoar mais se vier de quem menos esperamos, mas sejam estranhos ou nossos próximos, nós podemos ou não valorizar esse acto de perdão praticado por outro como sendo nobre e se nos faz reflectir e pensar no mal que estamos a fazer aos outros e apesar disso os outros em vez da violência respondem-nos com a não violencia ou o perdão, isso é meio caminho para mudar de conduta.

    Claro que, como eu disse, cristo falou para uma sociedade em que os ideais que ele propunha eram uma miragem e mesmo na nossa época são um ideal, e como tal nunca serão alcançaveis porque como eu disse se com o ghandi resultou, resultou porque do outro lado estava uma civilização respeitadora de um humanismo etico e moral, mas tal não seria possivel por exemplo com um hitler ou um estaline. Por isso a mensagem do evangelho neste dominio dara sempre santos e demonios, é da natureza humana, só uma sociedade altamente evoluida e respeitadora dos outros seres humanos em todos os niveis seria possivel viver esses ideal na plenitude. Há muitos maquiaveis por ai.

    Como esta a ver o que defini não tem nada a ver com o que a senhora diz por exemplo

    (“Sim, está certo que a mensagem cristão é de não violência, mas não é de passividade.”)

    claro que não tem a ver com passividade mas continuar a fazer o que é correcto etica e moralmente apesar das consequencias e sem responder a violencia que queira impedir-nos de actuar.

    Era isto que cristo queria dizer era, e não só cristo sócrates também e muitos outros também

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  30. Ghandi teve sucesso contra os britanicos. Contra os nazis era mais complicado.

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