2009-10-13

Teologia sem medo

Cuando yo era niño, un día, al volver a casa del cole, le dije a mi madre que en la clase de religión me habían explicado que Dios no hay más que uno. Pero que Dios es uno de tal manera que, al mismo tiempo, en Dios hay tres personas distintas, el Padre, el Hijo y el Espíritu Santo. O sea, que Dios es uno y tres al mismo tiempo. ¿Cómo se puede entender eso, mamá?, le pregunté. La respuesta fue tajante: "En eso no se piensa". Aquel día aprendí que hay cosas en las que no se puede pensar. Porque son indiscutibles. Así empezó la larga y penosa historia de mi bloqueo mental, en virtud del cual yo mismo he sido el implacable censor de mí mismo. Tengo la impresión de que esto, que me pasa a mí, es algo muy parececido a lo que le ocurre a mucha gente. Cada cual, en su intimidad secreta y seguramente sin saber lo que le pasa, se corta constantemente los caminos por los que puede avanzar en la incesante tarea de descubrir la verdad, comprender la realidad, salir de tantos engaños que la sociedad y la convivencia nos han contagiado. Hemos nacido en la cultura del "pensamiento único". Y el pensamiento estandarizado, configurado de acuerdo con los intereses del sistema, es la "cárcel de oro" en la que cada cual clausura su propia capacidad de buscar, de avanzar, de encontrar la verdad de las cosas, la explicación de tantos hechos que no sabemos explicar porque ni nos atrevemos a pensar en ellos.A partir de este sencillo planteamiento, ofrezco este blog a quienes estén interesados en luchar contra sus propios miedos, sus inconfesables miedos, a pensar. Sólo de esta manera podremos empezar a ser verdaderamente libres. Y por eso también, creativos. Los eternos asustados a pensar son (somos) parásitos sociales, que vivimos a costa de lo que piensan otros por nosotros y para nosotros.



José Maria Castillo, aqui





Bem sugestivo é o subtítulo do novo blogue de José Maria Castillo: Atreve-te a pensar. Pensar todos pensamos. Mas até que ponto somos livres - aqui, liberdade, no sentido de nos realizarmos integralmente como pessoas - para ousarmos pôr em causa, o que sempre nos transmitiram como certo?



Fiquei surpresa por verificar que, pesquisando no Google, o "jardim" aparece em segundo lugar nas referências a este teólogo. Desde há um tempo que o meu percurso religioso é um percurso de fronteira. É natural que me identifique com pessoas que seguem o mesmo caminho. Mas como sou bastante disciplinada e sempre atenta a outras vozes e caminhos, sinto alguma segurança. Sabendo, porém, que o díscipulo fiel, não tem onde repousar a cabeça - à semelhança do mestre. O meu estado é de alerta. E não de acomodação a qualquer corrente.

Mas a pergunta que quero deixar é: Deve a teologia estar a sujeita a limites? Quais?

5 comentários:

  1. A teologia está sujeita a limites.
    Por definição.

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  2. Olá, mana.

    Não compreendo muito bem o sentido da pergunta, embora possa pressupor o seu contexto ;)

    Qualquer coisa ou actividade tem os limites do que a configura. Por exemplo, não se pode andar de bicicleta com um skate; não se pode fazer física com as regras da literatura e vice-versa; etc Claro que estas distinções não são uma linha clara de demarcação, que obnubile as dinâmicas que há entre as diversas coisas e saberes (há profundas relações entre a bicicleta e o skate LOL)

    Outro dos limites é o limite do “governo dos costumes”, que geralmente é tido numa mescla dos pares da coisa ou actividade em questão, e os poderes efectivos do governo comum; assim, não se pode andar de skate nas arcadas habitacionais, tal como certos pontos de vista cientificamente sustentáveis não são validados nos currículos oficiosos das escolas; etc

    Relativamente ao “governo dos costumes” da Igreja Católica, eles não pretendem que aqueles que não cumpram as regras e métodos teológicos e exegéticos do magistério não sejam teólogos, mas que não têm o direito de serem teólogos “católicos”. O que é “ser católico” é portanto a questão da coisa, parece-me.

    bjocas

    PS: olá, on :)

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  3. Ando a ler o "Portugal, hoje - O medo de existir" de José Gil. E logo nas primeiras páginas, o autor identifica alguns males do ser português - enquanto povo e indíviduo. Um deles é a "fala - ou a escrita". Não se sabe dar uso à fala nem, consequentemente, escutar. Quando se fala não se faz mais que ampliar o próprio monólogo. "Porque o que se procura...é, antes de tudo, ouvir o som da sua própria voz - pequeninamente, a afirmação autista de si, na fala pronunciada sem a preocupação de ser ouvida ou ser compreendida (porque essa crença nem sequer se põe em dúvida, desde que eu me oiça)."

    No fundo, no fundo, impôr os meus pontos de vista.

    A pergunta que deixei no texto do post está contaminada deste mal. Eu sei que a teologia tem limites. Ou não seja ela um saber humano. Para mim, isso era implícito. Mas se o que eu pretendo é diálogo, devia ter sido mais explícita nas preposições.

    Mas, meu querido mano, chegaste lá mesmo sem a minha ajuda (ai, ai, ai) era esse um dos sentidos da minha questão.

    E fiquemos, para já, por aqui: o que é ser católico?

    Se me é permitido parametrizar, diria que é todo aquele que mantém a essência do "ser cristão". ;)

    Esmiuçarei mais, mas depois, agora estou cheia de sono.

    Beijos

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  4. pois, mas qual o “conteúdo essencial” - doutrina, espírito, acção, história, estruturas e dinâmicas organizacionais, escrituras, tradição, comunhão mística... o magistério vaticano pretende que são todas, guardadas pela sucessão apostólica e pela infalibilidade papal; e que os católicos são a Igreja na sua plenitude militante.

    isto é assaz problemático para a minha maculada existência LOL aliás, o horizonte espiritual com que me debato agora com o meu orientador é precisamente: a Igreja

    catecúmeno sempre, lembras-te ;)

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  5. Lembro, pois! Faz parte das experiências luminosas que permanecem para além das erosões naturais.

    E o magistério vaticano tem a sua razão. Concordo com o ununciado. O problema é que, a norma é elevar uma dessas categorias anulando a devida tensão que deve existir entre todas.

    Dou um exemplo: nestas questões que estão subjacentes ao post, valoriza-se a disciplina e "anula-se" o Espírito. Ou não? e isto não passa de uma das minhas manias?

    Acho muito bem que te orientes na Igreja. :)

    beijos

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