2009-11-08

à luz da Palavra

8Então o SENHOR disse-lhe: 9*«Levanta-te, vai para Sarepta de Sídon e fica lá, pois ordenei a uma mulher viúva de lá que te alimente.» 10Ele levantou-se e foi para Sarepta; ao chegar à entrada da cidade, eis que havia lá uma mulher viúva que andava a apanhar lenha; chamou-a e disse-lhe: «Vai-me arranjar, te peço, um pouco de água numa vasilha, para eu beber.» 11Ela foi buscar a água e Elias chamou-a e disse-lhe: «Traz-me também um pedaço de pão nas tuas mãos.» 12*Então ela respondeu: «Pela vida do SENHOR, teu Deus, não tenho pão cozido; tenho apenas um punhado de farinha na panela e um pouco de azeite na ânfora; mal tenha reunido um pouco de lenha entrarei em casa para preparar esse resto para mim e para meu filho; vamos comê-lo e depois morreremos.»13Elias disse-lhe: «Não tenhas medo; vai a casa e faz como disseste. Disso que tens faz-me um pãozinho e traz-mo; depois é que prepararás o resto para ti e para o teu filho. 14Porque assim fala o SENHOR, Deus de Israel: 'A panela da farinha não se esgotará, nem faltará o azeite na almotolia até ao dia em que o SENHOR mandar chuva sobre a face da terra.'»15Ela foi e fez como lhe dissera Elias: comeu ele, ela e a sua família, durante alguns dias. 16Nem a farinha se acabou na panela, nem o azeite faltou na almotolia, conforme dissera o SENHOR pela boca de Elias.

(1ºReis, 17, 8-16)

Nestes tempos, que são os nossos, em que o incitamento à riqueza e à acumulação de todo o tipo de bens, nos condiciona e impele, é consolador o elogio de Deus à pobreza e ao despojamento. Hoje Deus desafia-nos a um menos que nos é desconhecido e motivo de escândalo.

11 comentários:

  1. ("o elogio de Deus à pobreza e ao despojamento")

    porque será que deus gosta sempre da pobreza e do despojamento.

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  2. porque será que nunca é capaz de ir além das palavras e perceber o espírito?!

    Deus não ama a pobreza, mas o pobre. E o que nós devemos aprender é o espírito do pobre. O que Deus elogia é a capacidade de despojamento para acolher um Outro que não nós. A confiança acompanha o despojamento.

    Não deturpemos o Evangelho porque a sua mensagem é, sobretudo, a libertação da pobreza.

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  3. Não não eu percebo isso, o que a mim me custa a entender ou talvez não, é os ensinamentos.

    Uma herança funesta do cristianismo, que o socialismo prontamente absorveu, é o elogio à pobreza, e a condenação da riqueza ate depois da idade média, nomeadamente os lucros e juros.

    Mas eu compreendo a luta pelos pobres, não comprrendo tanto é a condenação da riqueza sendo a igreja fabulosamente rica e nunca renunciando a ela ou partilhando a sua riqueza, nem renunciando ao convivio com os ricos e sua riqueza.

    Mas também que se ha de dizer aos pobres desgraçados que não passam disso mesmo neste mundo, senão manter a esperança de um outro mundo melhor, senão não valia a pena viver para muita gente se a sua esperança ficasse reduzida a miseria em que vivem neste mundo

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  4. a mensagem cristã é uma mensagem de esperança, não de resignação. É diferente.

    Nem sempre, na sua práxis, a Igreja soube ser fiel à proposta evangélica. Rodeou-se de riquezas, aliou-se aos poderosos de cada tempo e ignorou o clamor dos que pedem justiça na distribuição da riqueza. Mas também, a par disso, na mesma Igreja uma ou muitas pessoas se destacaram pela fidelidade aos seus fundamentos cristãos.

    No post acima, o Padre Abel Varzim, um padre do tempo do Estado Novo, reagiu e foi vítima dos desmandos dos vários poderes. Entre eles, os seus próprios superiores. Quando se fala da Igreja, fala-se também de pessoas como o padre Abel Varzim e de tantos outros. É fundamental não esquecer isso.

    A condenação da riqueza é entendida na linha do acumular de bens e no fechamento às necessidades dos outros.

    Mas nem é só isso. No tempo de Jesus Cristo não havia a praga que há hoje chamada consumismo.
    Não vale a pena nomear fantasmas antigos como o lucro, os juros e esquecer algo tão presente e a que quase ninguém escapa.

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  5. A suas citaçoes do evangelho da partilha dos recursos em solidariedade até a sua extinção mesmo sendo escassos e não chegando para todos, é dos mais nobres sentimentos humanitários, mas depois tem um inverso ao deixar nas mãos de uma certa providência o seu não esgotamento, havera sempre azeite na almotolia etc. Já horácio, filósofo da antiguidade, defendia uma doutrina parecida, conhecida como carpe diem, viver o momento, para que fazer grandes planos e ter grandes preocupações com o futuro, sabe-se la onde estaremos amanhã, podendo vir-nos a arrepender de não ter vivido o momento presente, por isso dizia ele deve-se viver todos os momentos como se fossem os últimos pois o tempo esgota-se. Bem nos evangelhos temos passagens em que se fala que não nos devemos preocupar com o dia de amanhã, com o que haveremos de comer, de beber e de vestir porque... "Olhai os pássaros que voam; eles não semeiam nem colhem, nem ajuntam comida em celeiros; contudo, seu Pai celestial os alimenta... Olhai os lírios do campo, como crescem! Eles não tecem nem fiam e, entretanto, nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como eles"... (Mat 6:25-29; Luc 12:22-24). Para que então juntar mais que o necessário para o dia a dia.

    A pobreza é tida como meritória e virtuosa, ao contrário da riqueza, elogia-se os pobres mesmo sem deixar clara a razão desse elogio à pobreza, parece-se acreditar mais em redistribuição e caridade que no estímulo a criação de riqueza e ao crescimento econômico, ou como dizia sebastien faure, “as religiões são como pirilampos: só brilham na escuridão”, como se a riqueza fosse obra demoniaca, aliás foi uma das tentaçoes de cristo. Mas nem a riqueza nem a pobreza são obras demoniacas mas humanas, o que a religião apela é a uma transformação de sentimentos humanos, pondo toda a carga negativa em sentimentos que levam à riqueza e sua acumulação, como ganância, ambição, vaidade.etc, portanto todos os caminhos que levam à conquista da riqueza são maus, e o caminho que leva à santidade está no lado oposto, na humildade, na generosidade, na solidariedade etc. Tudo bem mas acontece que a natureza humana tem tudo isto em doses diferentes , é condenável se a riqueza é provinda de crimes ou de exploração de outros seres humanos, mas para mim nem todos queremos trilhar os caminhos da santidade, por isso a moral para mim, é a moral que resulta da cidadania e da lei, acontece que toda a lei tem em maior ou menor dose nas nossas civilizaçoes ocidentais essa moral religiosa por isso é dificil não encontrar nos nossos codigos legais leis que proibam o homicidio, o roubo, os falsos testemunhos etc. tudo derivado por exemplo do decálogo ou lei moisaica. Acontece que aqui é que eu discordo, a moral religiosa também procura censurar os pensamentos ao pretender modificar a natureza humana, por isso temos a inveja, a cobiça, a vaidade, a ambição e muitos outros sentimentos que no fundo levam uma pessoa a prosperar, como sendo negativos. Se a acumulação da riqueza for oriunda de crimes, exploração de seres humanos ou outros fins ilicitos então eu diria como cristo “é mais facil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”. Mas se virmos muitas dessas pessoas que acumularam fortunas até não foram tão egoistas assim, muitas criaram fundações como meio de redestribuir por outros meios aquilo que a sociedade lhes concedeu, sendo também um meio de pertpetuarem a sua memória, temos por exemplo fundaçoes em portugal que concedem bolsas para formação em areas cientificas criando assim,especialistas para num futuro proximo estarem ao serviço da sociedade, temos por por exemplo um caso de uma fortuna mundial recente que tem uma fundação em que financia apoios medicos e campanhas de vacinação em paises do terceiro mundo. Ainda ha bons samaritanos no meio desta riqueza toda, agora eu queria saber onde posso ir pedir uma bolsa a uma fundação religiosa. Bem sei que existem muitas obras de caridade e apoio social.

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  6. Quanto a pobreza, a ideia de que as causas da pobreza e os caminhos para sua solução não dependem da vontade ou do carácter dos indivíduos, mas das relações entre as pessoas, sempre esteve presente nas formas mais radicais do cristianismo, e, na época moderna, nos escritos e movimentos políticos socialistas e comunistas. Para uns, a solução dependia ainda de uma regeneração moral, não dos pobres, mas dos ricos, cujo egoísmo deveriam ser transformados em verdadeira caridade e sentimento de justiça

    Esta mentalidade é tipica de certas áreas politicas. Mas não há um único caso, no mundo inteiro, em que isso tenha acontecido. todas as vezes que se tentaram, os resultados foram os mais trágicos, porque a tentativa de o estado erradicar a pobreza leva-o a tomar conta de praticamente toda a economia, abolindo o mercado, o único instrumento que realmente consegue produzir riqueza, onde, em mais que ajudar, o estado pode atrapalhar a construção de riquezas. Há quem pense que as pessoas precisam parar de pensar só nelas serem egoístas e começarem a pensar na sociedade geral, para estas pessoas os pobres não são pobres por serem preguiçosos, eles são pobres porque sua riqueza foi usurpada e sua capacidade de criar riqueza destruída, é uma visão, há quem pense que tirando a uns e dando a outros ficamos todos bem. Mesmo que a acção de muitos desses não passe de inércia pura. Ficamos sim todos mais pobres, mas para muitos vale mais assim passamos a ser todos iguais mais iguais.

    Depois existem aqueles que, por serem pobres, se dão um direito a mais e que cobram do estado um ressarcimento pelo que julgam lhes foi tirado. Este sentimento é um sentimento universal, mas apenas aqueles que julgam terem uma lesão a mais é que se dão um direito a mais ou um dever a menos. e depois surge uma industrialização da pobreza, de agentes que vivem a custa deste sistema, e desta pobreza, os agentes sociais, a própria palavra “social” elevada ao estatuto de categoria, assistentes sociais, juristas, psicólogos, psiquiatras, psicanalistas e educadores

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  7. algumas ideias interessantes, que ficam aqui. Não dá para as comentar todas, até porque já andámos nisto outras vezes.

    "Acontece que aqui é que eu discordo, a moral religiosa também procura censurar os pensamentos ao pretender modificar a natureza humana, por isso temos a inveja, a cobiça, a vaidade, a ambição e muitos outros sentimentos que no fundo levam uma pessoa a prosperar, como sendo negativos."

    Discordamos aqui:

    A moral não quer nada que seja contrário ao homem. Os enunciados morais são para ajudar o homem a ser Homem. Não a censura pela censura.
    Agora, se alguém enche o seu "coração" com sentimentos de inveja, cobiça, ambição desmedida, não está a ser livre. Está a deixar-se escravizar pelas suas ansiedades.

    Nem o Antigo Testamento nem o Novo censuram a iniciativa do Homem no sentido da sua prosperidade, censuram sim a injustiça.

    Mas este é um tema interessante ver se consigo desenvolver mais isto.

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  8. (“´A moral não quer nada que seja contrário ao homem. Os enunciados morais são para ajudar o homem a ser Homem. Não a censura pela censura.
    Agora, se alguém enche o seu "coração" com sentimentos de inveja, cobiça, ambição desmedida, não está a ser livre. Está a deixar-se escravizar pelas suas ansiedades.”)

    Só mais duas coisinhas para terminar este assunto e para esclarecer um ponto que achei importante no que disse e na minha discordância em relação a moral e nomeadamente a religiosa. È claro que muita e grande parte da moral religiosa faz parte e esta integrada no nosso patrimonio cultural, pois grande parte desse patrimonio foi construído ao longo do tempo, ao lado e por influencia também da religião, por isso o direito e as leis não estão imunes a este aspecto.

    A minha discordancia é outra, eu compreendo que a moral religiosa tenha a ver como a senhora diz, com o aspecto total da espiritualidade e desenvolvimento do homem (“Os enunciados morais são para ajudar o homem a ser Homem. Não a censura pela censura.”) mas é esta moral religiosa que em muitos aspectos a meu ver é castradora e criadora nos mais sensiveis de sentimentos de culpabilidade desde a infância. Quando eu falei em aspectos da personalidade como a ambicão, ganância, egoismo, vaidade, inveja. Eu não considero que estes aspectos se não forem “patologicos”, ou seja desde que moderados são impulsionadores de uma personalidade conquistadora.

    As pessoas ao possuirem aspectos destes na sua personalidade, desde que não sejam pela negativa, ou seja seguir os maus exemplos para prosperar, desejar o mal a quem tem mais e melhor do que nos, é mau e define um mau carácter, mas se forem impulsionadores para tentar ter o mesmo que os outros, conquistar melhores posições na vida, pois então, precisamente essas caracteristicas levam –nos a luta, a não ser apáticos desinteressados e desistentes, para mim é melhor do que uma personalidade muito religiosa mas totalmente apática.

    Claro que não estou a dizer que os fins justificam os meios ou vice versa, mas sim qual a moral que eu considero, o problema esta em como compatibilizar os meios e os fins, a moral para mim resulta no respeito pelos outros, educação e laços sociais. Para mim o caminho resume-se á ética, que no fundo nos diz o que é bom e mau, e embora tendo por base a moral, a moral não é obrigatoria e impositiva, por isso como ja tinha dito para mim não é a moral religiosa, mas a moral resultante da cidadania e da lei, e tem a ver com os efeitos negativos que o nosso comportamento pode ter sobre terceiros enquanto cidadãos num estado de direito. É considero que a moral religiosa ao considerar determinados sentimentos e aspectos da personalidade como negativos e prejudiciais ao desenvolvimento humano está a censurar o pensamento das pessoas e muitas vezes a colocá-las mais tarde em conflito nas suas próprias acções, esse é um dos efeitos da moral, já vi pessoas não fazerem coisas perfeitamente legais e permitidas precisamente por imposiçoes de ordem moral religiosa.

    A ética está relacionada à idéia de que existem valores que definem o que é o bem e o que é justo, esses valores, ao contrário de uma visão teológica, podem variar, e por isso culturas diferentes têm visões diferentes do que é ou não é moral, não existe somente uma única moral, existem grupos sociais que podem ter valores morais diferentes, ao contrário da moral catolica que procura uniformizar e ser universal procurando impor um código moral fechado ignorando muitas vezes a diversidade da realidade A ética humana é guiada pela razão, apoiando-se nos factos que a ciência nos fornece, e não em lições bíblicas. A bíblia é uma orientação do ser humano para aderir a um certo modo de viver religiosamente.

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  9. (“Nem o Antigo Testamento nem o Novo censuram a iniciativa do Homem no sentido da sua prosperidade, censuram sim a injustiça”)

    Claro, claro que sim, claro que a bíblia não censura a riqueza e a prosperidade directamente mas , ela adverte contra a busca dessas coisas como um fim em si mesmo, ou o uso da opressão e da crueldade como uma maneira para obtê-las, já tinha referido o aspecto da obtenção de riqueza por meios ilicitos o que éticamente e moralmente será sempre condenável, mas s. paulo alertou para o amor ao dinheiro como a raiz de todos os males jesus afirmou que o homem rico que tinha produzido com abundância, e que pensava somente nos depósito de bens materiais, comer, beber e folgar, no final de sua vida deus lhe perguntaria : “louco! esta noite pedirão-te a tua alma, e o que tens”. Também mandava abandonar tudo e segui-lo. Mas tudo isto são visões religiosas, o caso é que foram levadas a prática pela teologia moral como princípios morais, que procurava afirmar a esterilidade do dinheiro e até bem tarde depois da idade média a igreja católica apesar da riqueza que possuía e ambicionava, condenava os lucros e juros e o liberalismo económico, os próprios doutores da igreja medievais consideravam o comércio como uma actividade pouco digna por visar o lucro e especulação, só mais tarde passando a reconsiderar por esta suprir necessidades essências de uma sociedade organizada, considerava-se que o aviltamento material comprometia o progresso espiritual. Aliás ha filosofias em que a renuncia ao material é um caminho para a felicidade.

    Por isso a nossa herança cultural é latina e católica e o catolicismo, após a contra-reforma, era contra a iniciativa privada e a liberdade económica, Leão XIII defendia o corparativismo na rerum novarum em 1891, só a partir da enciclica Centesimus Annus, de João Paulo II, é que houve uma compreensão equilibrada do papel do mercado e da criação de riqueza. "Para remediar este mal (a injusta distribuição das riquezas e a miséria dos proletários), os socialistas excitam, nos pobres, o ódio contra os ricos, e defendem que a propriedade privada deve ser abolida, e os bens de cada um tornarem-se comuns a todos (...), mas esta teoria, além de não resolver a questão, acaba por prejudicar os próprios operários, e é até injusta por muitos motivos, já que vai contra os direitos dos legítimos proprietários, falseia as funções do Estado, e subverte toda a ordem social".

    Portugal e Espanha possuíram colónias ricas em ouro e outros metais preciosos, territórios vastíssimos, apesar disso ou mesmo assim ficaram para trás, foram ultrapassados por países como a holanda e a inglaterra, porque na verdade, o mais importante, e a ética, e a etica tembém na economia, as virtudes do trabalho e por isso da produtividade, da poupança e também da honestidade são o segredo do desenvolvimento e a chave da prosperidade.

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  10. Tendo em conta as suas considerações apenas acrescento usando um slogan conhecido:

    Eu podia viver sem a Igreja Católica? Podia! Mas não era a mesma coisa.

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  11. ("Eu podia viver sem a Igreja Católica? Podia! Mas não era a mesma coisa.")

    como estamos em fase comercial, ora nem mais. Ha muita mais gente que pensa assim. que seria das empresas se ficassem sem os clientes

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