2009-11-27

Na Igreja católica

coexistem realidades muito diferentes. Querer ver nela, apenas santos ou pecadores, é ver de modo limitado. Como diz o teólogo José Maria Castillo, tanto fazem parte da Igreja "heróis e mártires" como "pederastas e terroristas".

Isto, porque ainda estamos em choque com as revelações sobre os gravíssimos escândalos sexuais e conivência ainda mais escandalosa, das entidades públicas e da hierarquia católica.

Como pessoa da Igreja que sou, sempre me escandalizou que, no confronto entre a pessoa e a instituição, é sempre a pessoa que se submete. Ao completo arrepio do que é a mensagem cristã. Esta forma de viver em Igreja, pode causar males tão graves, como aqueles com que somos confrontados no presente caso: em que as vítimas são anuladas para preservar a imagem da Igreja. Não me conformo com isto. Nem vejo caminho que possa fazer para algum dia o aceitar. Mas sempre vi à minha volta quem o fizesse.

Recupero uma ideia e desejo de José Maria Castillo e faço-os meus:

El día que Roma les dé a los obispos normas claras y exigentes, sobre este tipo de crímenes, como se las da para los pecados de aborto o de eutanasia, ese día nos vamos a enterar de cosas desagradables. Pero seguramente temabién ese mismo día quizá se empiece a hablar más de las personas que por su fe en Jesús dan la vida. Y se hablará menos de los descerebrados que son capaces de abusar de personas inocentes sin piedad y sin vergüenza.

7 comentários:

  1. é o peso das grandes instituições. MC...

    bjs e bom fim de semana MC

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  2. obrigada. Para ti também, Luís. bjs

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Acabei de deixar um comentário no "Espectadores" a um comentário partial a algo que escrevi. Não sei se me entendeu bem - só queria deixar claro que há muitos actos e relações sexuais, com efeitos distintos. Penso que a Igreja tem lidado muito mal com a questão da homossexualidade porque tem lidado pobremente com a questão da sexualidade - tem feito disso uma questão. Caridade e fraternidade - o essencial da mensagem de Jesus - perdem-se nestes jogos moralistas.

    O poder que habita parte da Igreja desde da criação da Cúria Romana é que explica esta estrutura que se protege em vez de proteger os inocentes. A minha Igreja é a Católica (universal) e a Apostólica (verdadeira) e não esta - "Romana" não está em nenhum credo. Penso que a sua também não.

    Abraço

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  5. Sérgio,

    tem umas ideias interessantes e eu gostei de o ler.
    Aquilo foi para espicaçar. Mas também é assim que vejo as coisas.

    O querermos policiar a vida dos outros pode levar-nos até à caricatura de pretender regular a vida sexual de cada um. Já não estamos no tempo em que se ensinava às adolescentes que a estimulação dos mamilos fazia tumores no útero. Já viu?

    A minha Igreja é também a que promove as trapalhadas romanas. A de pederastas na América, Irlanda e tantas outras que não sabemos. Não vale a pena pôr-me à margem. É nela que continuo a celebrar a fé. E em cada celebração digo consciente: Confesso a Deus...os meus e os de todos os outros.

    A mensagem cristã não é que seremos uma comunidade de puros. Mas de pecadores que aceitam humildemente a redenção.

    Não temos poder de mudar o mundo nem a Igreja. Mas temos o poder de pequenos gestos de caridade e solidariedade. E não é preciso que ningue´m veja ou saiba disso. Apenas aqueles a quem agraciámos com os nossos gestos.

    Abraço

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  6. MC:

    Não ser "a minha Igreja" foi uma forma forte de expressar que a Igreja é maior e mais múltipla do que muitos pensam e dão a entender. Mas claro que também é a minha - desde que não se caia no erro de dizer que só há uma forma de ser católico. Sou católico porque sou cristão, primeiro. E ser cristão é ser livre.

    "A mensagem cristã não é que seremos uma comunidade de puros. Mas de pecadores que aceitam humildemente a redenção."

    Certo. A Igreja é um lugar para os pecadores - para todos nós, portanto. Tenho receio, medo, é das igrejas que se dizem sem mancha ou pecado, por vezes incitando ao ódio (sentimento nada cristão) - é nelas que vive a maior hipocrisia (veja-se o caso do evangélico Ted Haggard). Por isso, não me colocando à margem da imensa Igreja (pelo contrário!), hei-de colocar-me sempre fora de qualquer caça às bruxas para ver quem é mais ou menos católico.

    Abraço

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