sombrios tempos para a liberdade


Na vizinha Espanha, a ala mais conservadora da hierarquia católica (infelizmente, a mais influente), vai continuando a fazer estragos. Desta vez, depois das pressões inquisitoriais, conseguiu que a editora PPC mandasse recolher todos os exemplares da 9ª edição do livro "Jesus, Aproximación histórica" do teólogo José António Pagola.

Tenho um exemplar que foi editado em Portugal pela Gráfica de Coimbra, com tradução de Bernardino Henriques.

Da leitura do livro a única reacção possível é de incredulidade. Incredulidade perante tamanha ignorância e falta de inteligência, da parte daqueles que perseguem deste modo inquisitório, um livro inofensivo.

6 comentários:

lino disse...

Há gente que tem por hábito condenar antes de ler. Já era assim durante a inquisição.
Beijos

Anônimo disse...

Mas já agora, o que é que se diz no livro?
Estou curioso...

on

MC disse...

lino,

no caso não sei se não leram. Já devem ter lido. O cartoon acima explica mordazmente qual é a questão primeira.

Beijos

MC disse...

On,

lamento, mas a minha resposta vai ser muito desconcertante. Tanto quanto eu me senti ao ler o livro. :)

Não digo que comprei o livro por causa da polémica (que existe desde a sua apresentação), mas quando o comprei já sabia dela.

Bom, aconteceu-me como quando li os dois livros polémicos do Saramago. Acabei a maldizer uns tantos ignorantes que lançam anátemas sobre tais obras.

O livro de José António Pagola é duma simplicidade desconcertante. É uma leitura do Jesus dos Evangelhos. Sobretudo, dos Sinópticos.

Como ele mesmo diz no texto de apresentação:"Quem é Jesus Cristo?...quero saber quem é que está na origem da minha fé cristã. Não me interessa viver de um Jesus inventado por mim ou por qualquer outro. (...)A vida concreta de Jesus é que agita a alma. As suas palavras simples e penetrantes seduzem. O Jesus contado pelos evangelistas é mais vivo do que o do catecismo. A sua linguagem é mais clara e atraente do que a dos teólogos."

E sublinha que leu muito dos estudos sobre Jesus mas não quer enveredar por nenhum leitura mais controversa.

Resumindo, como qualquer crente cristão José António Pagola pretende responder à questão: Quem é Jesus Cristo? Em vez de se socorrer das resposta do catecismo, responde com o que o texto bíblico nos diz do mesmo.

Eu até percebo muito bem por que é que alguma hierarquia se sente posta em causa por isso.
O que eu nunca pensei,foi que algum dia ia viver para ter em minha posse um livro proibido. Há qualquer coisa de trágico e de cómico nisto tudo.

rui disse...

MC, por acaso esta polémica passou-me completamente ao lado, como outras.
Mas, pelo q dizes, parece-me significativo q por cá o livro tenha sido publicado por uma editora q é propriedade de uma diocese.

MC disse...

Olá, Rui

para mim o que está em causa não é a questão da polémica. Não dou atenção a este assunto por ele ser polémico.

O que está em causa é a desacreditação e o sofrimento impostos a José António Pagola por uma obra que não apresenta motivos nenhuns para isso. E mesmo que apresentasse...A Igreja (Magistério) pronunciava-se sobre a obra e deixava publicar e vender.

Não foi isso que se passou. Desde o início a obra foi desacreditada (por alguns sectores da Igreja) o autor aceitor rectificar alguns pontos. A edição portuguesa, por exemplo, vem com uma nota à parte. Extra livro.

Do livro foram vendidos já 60.000 exemplares.

Depois da revisão pelo autor o Bispo Emérito Juan Maria Uriarte, concedeu-lhe o "nihil obstat". Apesar disso há meses que a nona edição estava pronta e por sair. Acabando com este desfecho de a editora (ligada aos Maristas) pedir a recolha dos exemplares que já estavam nas livrarias prontos a ser postos à venda.

Acho que não se pode nem deve fazer silêncio sobre isto. Não para pôr em causa a Igreja, mas para chamar a atenção para atitudes injustas e ofensivas por parte de alguma hierarquia que não sabe respeitar a pluralidade de percursos e caminhos de fé.

(E cada vez que penso nas tolices que se publicam e que têm levado o "nihil obstat"...carradas delas.)

(Peço desculpa pelo "discurso")