2010-05-30

projecto de vida (o que poderá ser)

Amar é dar à luz o amor, personagem transcendente.

Teixeira de Pascoaes (aforismos)
selecção e organização de Mário de Cesariny

não chega a ser um projecto de vida


Mas tem de ser um projecto para todo o Verão. Passar muitas vezes por esse caminho. O Inverno rigoroso deixou muitas marcas. Também na saia fúcsia - que encolheu.

2010-05-29

já tudo é tudo?


Canto espiritual

Si el mundo es ya tan bello y se refleja,
oh, Señor, con tu paz en nuestros ojos,
¿qué más nos puedes dar en otra vida?

Así estoy tan celoso de estos ojos y rostro,
y del cuerpo que me diste, Señor,
y del corazón que en él late...
¡y tengo tal miedo a la muerte!

Pues, ¿con qué otros sentidos me harás ver
este cielo azul sobre las montañas,
y el ancho mar, y el sol que en todo brilla?
Dame en estos sentidos paz eterna
y no querré más cielo que este cielo azul.

Aquel que grite tan sólo «¡Detente!»
al instante que le traiga la muerte,
no lo entiendo, Señor, ¡yo, que quisiera
parar tantos instantes cada día
para que eternos fueran en mi corazón! ...
¿O es que este «hacer eterno» es ya la muerte?
Pero entonces, la vida ¿qué sería?
Tan sólo sombra del tiempo que pasa,
ilusión de lo cerca y de lo lejos,
cuenta del mucho, el poco, el demasiado,
engañador, pues ¿ya todo lo es todo?

¡Da igual! Del modo que sea, este mundo
tan extenso, tan diverso y temporal,
esta tierra con todo cuanto engendra,
es mi patria, Señor, ¿y no podría
ser también una patria celestial?
Hombre soy, y es humana mi medida
para todo lo que pueda creer y esperar:
si mi fe y mi esperanza aquí se quedan
¿me acusarás por ello más allá?
Más allá veo el cielo y las estrellas,
y allí también un hombre ser quisiera:
si a mis ojos las cosas has hecho tan bellas,
si mis sentidos y ojos hiciste para ellas,
¿por qué cerrarlos, pues, otro «como» buscando?
¡Si para mí jamás lo habrá como éste!
Ya sé que existes, mas dónde, ¿quién lo sabe?
Cuanto miro se te parece en mí...
Déjame, pues, creer que estás aquí.
Y cuando llegue la hora temerosa
en que se cierren estos mis ojos humanos,
ábreme tú, Señor, otros mayores
para tu inmensa faz poder mirar.
¡Nacimiento mayor sea mi muerte!

Joan Maragall

2010-05-19

muito pouco nos alegra já, mas...

Os partidos de esquerda fizeram o que tinham que fazer: chumbar uma proposta indigna dos liberais de serviço.

que modelo de Igreja?

José Maria Castillo, vem a publicar aqui uma série de textos sobre a Igreja. Com a visão crítica de quem conhece muito e não se conforma com aquilo que vê.

Tem muita razão quando diz: É mais fácil construir um templo do que construir uma comunidade. Maneja-se melhor o ladrilho do que a convivência. E assim nos encontramos agora com muitos templos e tão poucas comunidades.

como seria, Senhor Presidente

"Se a economia portuguesa estivesse melhorzinha, poderíamos dar-nos ao luxo de continuar a proibir os casamentos gays? É que assim fica-se com a impressão que o descalabro financeiro acabou por ser bom para as pessoas gays. Para não dizer que se aproveitaram dele.

Miguel Esteves Cardoso no Público (edição impressa)

2010-05-17

promulgou, tá promulgado

«Ó homens sem inteligência e lentos de espírito para crer em tudo quanto os profetas anunciaram! 
(LC24,25)

mais opinião sobre a visita do Papa

Via Miguel, mais um dos óptimos textos da autoria de António Marujo, sobre a recente visita do Papa. Vale a pena ler o artigo todo.

Foi pena que, no encontro das instituições de acção social da Igreja, as únicas palmas que se tenham escutado tenham sido para as alusões do Papa ao aborto e ao casamento. Provavelmente, os participantes escutaram mal - à semelhança do que aconteceu em alguns meios de comunicação: o Papa não fez uma enésima condenação do aborto, antes elogiou os que "procuram lutar contra os mecanismos socioeconómicos e culturais que levam ao aborto e que têm em vista a defesa da vida e a reconciliação e cura das pessoas feridas pelo drama do aborto". Se está implícita aqui a doutrina tradicional da Igreja sobre o tema, a frase diz muito mais que isso. E, nesta afirmação, cada palavra é importante. Nesse discurso, foi pena o Papa não ter feito uma referência mais circunstanciada à actual crise económica e à responsabilidade do sistema financeiro, na linha do que escreveu na sua última encíclica.

2010-05-16

aqui vai alguma opinião sobre a visita de Bento XVI

Nestes tempos em que vivemos, são  ícones do  novo devocionário;  a televisão e o monitor do computador.  É através deles que abrimos os olhos para o mundo. Praticar esse ritual litúrgico não custa nada. É cómodo, não cansa, não é preciso encaixar rejeições nem incompreenções.


Posto isto, considerar que milhares de pessoas saíram das suas casas, do  conforto, do  isolamento e foram, de diversas formas, acolher o Papa, é um sinal que nos deve dar alguma esperança. É também um sinal de fé? Aqui, na linha do que são as minhas meditações sobre o tema, e ao contrário das declarações de alguns responsáveis e entusiastas da Igreja, penso que não. Não digo que as pessoas que participaram nas diversas manifestações o sejam honestas na sua fé. Aliás, como poderia  fazer tal juízo? O que digo é que, a dita participação, não é prova conclusiva de fé.

Já foram sobejamente difundidas e comentadas as comunicações do Papa nos diversos momentos e espaços. Através delas percebe-se que  há algum sentido de abertura em relação ao mundo, ao problema mais mediático de momento que a Igreja enfrenta (existem tantos outros em que era importante uma verdadeira investigação jornalística e não só) mas também se mantém o mesmo discurso de uma Igreja centrada na celebração dos sacramentos e muito pouco aberta à vida quotidiana e às pessoas.

Sem conseguir saber a quem o Papa se referia, não gostei da alusão aos "filhos insubmissos e rebeldes" proferida na homilia do Terreiro do Paço. Uma Igreja que se quis mostrar próxima e dialogante com diversas realidades, não deve ter estas manifestações de poder  abusivas. Uma contradição que marcou esta visita.

2010-05-10

não, não, não

ou melhor, sim. Mas o mesmo se pode dizer de mim, de si ou de qualquer outro homem. Quem vem a Portugal é Bento XVI, bispo de Roma e responsável colegial da Igreja Católica. E também Chefe de Estado do Vaticano.

2010-05-02

completamente

O mandamento do amor continua tão novo que está ainda por estrear.

na fronteira

Juan Masiá é um padre jesuíta. Considera-se um católico de fronteira. Com elevada exposição pública, sobretudo, pelas suas posições sobre a moral, teve de deixar de ensinar na Universidade de Comillas, a cadeira de Bioética, e até de publicar nos blogues que mantinha em língua espanhola. No Japão mantém a actividade do ensino. A pressão para cessar essas actividades foi exercida pelos superiores que, por sua vez, não custa muito adivinhar, foram coagidos pela hierarquia espanhola, onde a ala ortodoxa ainda mantém poder para exercer estes actos inquisitoriais.

Nesta entrevista fala da Igreja, da Congregação para a Doutrina da Fé, (que não faz sentido que exista) e de como com tanta facilidade se reabilitam os "Galileus" do passado enquanto se condenam os de hoje. E de alguns temas como o aborto e a eutanásia.