2010-05-16

aqui vai alguma opinião sobre a visita de Bento XVI

Nestes tempos em que vivemos, são  ícones do  novo devocionário;  a televisão e o monitor do computador.  É através deles que abrimos os olhos para o mundo. Praticar esse ritual litúrgico não custa nada. É cómodo, não cansa, não é preciso encaixar rejeições nem incompreenções.


Posto isto, considerar que milhares de pessoas saíram das suas casas, do  conforto, do  isolamento e foram, de diversas formas, acolher o Papa, é um sinal que nos deve dar alguma esperança. É também um sinal de fé? Aqui, na linha do que são as minhas meditações sobre o tema, e ao contrário das declarações de alguns responsáveis e entusiastas da Igreja, penso que não. Não digo que as pessoas que participaram nas diversas manifestações o sejam honestas na sua fé. Aliás, como poderia  fazer tal juízo? O que digo é que, a dita participação, não é prova conclusiva de fé.

Já foram sobejamente difundidas e comentadas as comunicações do Papa nos diversos momentos e espaços. Através delas percebe-se que  há algum sentido de abertura em relação ao mundo, ao problema mais mediático de momento que a Igreja enfrenta (existem tantos outros em que era importante uma verdadeira investigação jornalística e não só) mas também se mantém o mesmo discurso de uma Igreja centrada na celebração dos sacramentos e muito pouco aberta à vida quotidiana e às pessoas.

Sem conseguir saber a quem o Papa se referia, não gostei da alusão aos "filhos insubmissos e rebeldes" proferida na homilia do Terreiro do Paço. Uma Igreja que se quis mostrar próxima e dialogante com diversas realidades, não deve ter estas manifestações de poder  abusivas. Uma contradição que marcou esta visita.

6 comentários:

  1. Para mim foi um apelo à desobediência civil de que alguns bispos já falaram.
    Beijos

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  2. :)

    falaram? e a q propósito? Alguma causa urgentíssima e premente...

    beijos

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  3. Costumo (doravante: costumava) ir à missa dominical em S Nicolau na Baixa lisboeta. O élan restauracionsta tem aumentado: cânticos só em latim, grandes tocheiros na coxia central, sacerdotes de vestes talares, tipos de vinte e poucos anos com ar de leitões e mascarados de Cavaleiros da Imaculada... No domingo passado, último toque: a alcatifa que o papa pisou cortada aos bocadinhos, vendidos à saída, com apelo do pároco para os comprarem no fim da missa. Adeuzinho!

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  4. Caro Zé Ribeiro,

    o que conta sobre o prior de S. Nicolau faz parte de algum absurdo de que estas visitas papais se revestem...os comentários que já li sobre os sorrisos do Papa, a simpatia do Papa, a emoção do Papa (como se o Papa fosse feito de algum material diferente dos restantes humanos) etc.

    Como se diz num comentário acima: é muito fácil construir templos e bem mais difícil construir comunidades.

    Sei muito bem e conheço o que manifesta no seu comentário...ver se amanhã sai um post sobre o assunto. A questão de fundo é a fé e a pertença à Igreja.

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  5. Cara MC:

    O "costumava" e o "Adeuzinho" referiam-se tão-só à igreja de S Nicolau...

    Embora, como Jesus frisou na conversa junto ao poço (aquele Homem e os poços...) com a Samaritana, o Pai se adore em espírito, um edifício habitual pode ter alguma vantagem. Mas, sem sintonia com quem lá está, decerto não tem. E a alcatifa papal foi a gotinha que fez transbordar - ai de quem não transborda na vida, caneco!

    Vou voar para outras paragens. Se na igreja romana, se noutra, ainda não é claro. Mas, como sou cristão rafeiro (sem DOC), isso não tem para mim qualquer importância.

    Um beijinho.

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  6. Olá, Zé Ribeiro.


    "- ai de quem não transborda na vida, caneco!"

    Devia registar a patente. Aliás, vai ter destaque!

    Para fazermos parte de uma comunidade é preciso um mínimo, se não é um degredo sem sentido.

    Mas com a minha já longa experiência de vida e destas coisas: muda-se daqui para acolá e o resultado é similar.
    Não quero com isto significar acomodação. Não se pode silenciar a tensão. E caso a taça transborde...caneco! parta-se para outra. Porque é preciso manter a sede e procurar o poço.


    beijinho

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