2010-05-02

na fronteira

Juan Masiá é um padre jesuíta. Considera-se um católico de fronteira. Com elevada exposição pública, sobretudo, pelas suas posições sobre a moral, teve de deixar de ensinar na Universidade de Comillas, a cadeira de Bioética, e até de publicar nos blogues que mantinha em língua espanhola. No Japão mantém a actividade do ensino. A pressão para cessar essas actividades foi exercida pelos superiores que, por sua vez, não custa muito adivinhar, foram coagidos pela hierarquia espanhola, onde a ala ortodoxa ainda mantém poder para exercer estes actos inquisitoriais.

Nesta entrevista fala da Igreja, da Congregação para a Doutrina da Fé, (que não faz sentido que exista) e de como com tanta facilidade se reabilitam os "Galileus" do passado enquanto se condenam os de hoje. E de alguns temas como o aborto e a eutanásia.

12 comentários:

  1. Comparada com a espanhola, a nossa Conferência Episcopal é quase de extrema esquerda.
    Beijos

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  2. ...Sim é verdade... A nossa Conferência Episcopal é diferente... Mas PT é um país pequeno e pouco influente... Não fosse Fátima e influência na IC não teria mesmo nenhuma!!!... E a Conferência Episcopal Francesa também não anda a dormir... Graças aos Franceses pelo menos o Novus Ordo continua de pé e é a última réstia do Vaticano II...

    Mas a ideia presente na entrevista de um "cisma subterrâneo" parece-me fazer muito sentido... Por enquanto parece-me que as coisas assim continuarão... Mas um dia, talvez dependendo muito de quem seja o próximo Papa as coisas tenderão a ser diferentes... Infelizmente parece que ninguém aprendeu muito com a história... E poderemos vir a ter algo ao género do século XVI...

    Entretanto no palco secundário os "artistas" vão mudando à velocidade da luz... E uma nova escandaleira parece prontinha a ir para subir à boca de cena: Olhem só:

    http://www.thinkinganglicans.org.uk/archives/004344.html

    Bingo, não?...

    Boa noite para todos especialmente para ti, Jardim de Luz!...

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  3. pois é, lino. A influência é muito menor. Graças a Deus. E à República... ;)

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  4. Sei lá, P.P.

    Parece que os mais ortodoxos andam bem animados. Segundo eles é uma pequena questão de tempo o apagamento do Vaticano II. Mas é lá possível voltar a cenários que já passaram? Não me parece.

    A noite foi boa, o dia também...venham mais! :)

    Tudo de bom para ti também.

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  5. Ainda bem, Jardim de Luz!!!...

    Quanto ao palco principal pois vamos conversando... Realmente, de que vale mandar um teólogo para o Japão se a sua mensagem chega cá num segundo via net?... Ridículo!!!...

    E quanto ao palco secundário, o dos tradicionalistas Anglicanos, ele pode tornar-se principal se os ortodoxos lá do sítio quiserem trazer para o lado de cá, não só os Padres e os crentes deles... Mas também as respectivas Igrejas, o ouro, os Paramentos... E claro... As contas bancárias que são agora da Church of England!... E Roma e a Conferência Episcopal Inglesa vão aceitar uma coisa dessas? E o desgraçado do, diga-se de passagem totalmente incompetente apesar de aparentemente bem intencionado, Arcebispo de Cantuária Dr. Rowan Williams vai na conversa?... Humm... Temos infelizmente "guerra" à vista em breve...

    Boa noite para ti!...

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  6. E a conferência episcopal alemã e austríaca também não dormem...

    Tenho esperança no próximo papa.

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  7. Olá Jardim de Luz!... Permites-me umas palavrinhas para o/a BLUESMILE?

    BLUESMILE: Infelizmente não tenho grandes ilusões... Em princípio o próximo Papa será um conservador de linha dura... Agora pode é ser um pragmático que, dialogando, consiga manter as coisas mais ou menos como estão por algum tempo ou ser um ultra-ortodoxo que vai ter consequências muito severas... Eu diria muito modestamente que a IC tem, pelo que conheço que sendo muito pouco também não é tão pouco assim pois tenho um Minor em Religião no âmbito da minha licenciatura em Filosofia, uma série de situações de entre as quais sairá de certeza a que vamos ver. Vou começar pelo pior cenário: B16 adoece subitamente e não é claro qual a sua possibilidade de resignação. Nesse caso teríamos um mais ou menos longo tempo de ausência de Papa, que não sendo inédito na história da Igreja, seria muito perverso pois deixaria certos grupos pouco próprios demasiado à vontade dentro do Vaticano. Depois viria quase certamente um Papa ultra-ortodoxo... E dar-se-ia um grande Cisma.
    Mas vamos ser mais optimistas... Aqui há vários cenários:
    B16 sobrevive lúcido 5 a 10 anos ou até mais: Seria o melhor de todos os cenários... Deixaria a nu o descalabro provocado pela erosão causada pela taxa de mortalidade principalmente na Europa e EUA. Nesse caso o eleito será quase de certeza um pragmático dialogante, embora sem fazer grandes alterações. E nesse caso não assistiremos a um grande Cisma, limitando-se as saídas voluntárias a uma razoável, mas não muito significativa transferência de fiéis para as Igrejas Protestantes "Clássicas" (Luteranos, Anglicanos, ou a quase certa junção das duas), a qual alias já está de certa forma em curso especialmente na Alemanha.
    B16 morre em menos de 5 anos: Aqui temos o cenário intermédio que se desdobra em 2: É eleito um Papa ultra-ortodoxo e dá-se um grande Cisma com a passagem de dezenas de milhões de crentes para "o outro lado do Rio" talvez empolgada pela junção entre Anglicanos, Luteranos e Velhos Católicos, aos quais a "Nova Roma" se juntaria algures. Alternativamente pode ser eleito um pragmático e nesse caso a coisa seria semelhante ao cenário de B16 sobreviver lúcido 5 a 10 anos ou até mais.
    Um último cenário é aquele que me parece o cenário absurdo... Mas enfim... É um cenário como outro qualquer... B16 sente-se obrigado a demitir-se e os Cardeais apavorados com a hipnótica Santa Cruz ao pescoço do respectivo prelado elegem o mais ultra-ortodoxo dos ultra-ortodoxos que por lá se encontrar e então teremos o caos verdadeiramente instalado... Sossega... Isto é só um exercício académico que me parece mais que longe de se concretizar...
    Manifesto contudo a esperança de termos um Papa mais capaz de dialogar com Judeus, Muçulmanos, Cristãos das Igrejas Ortodoxas e Protestantes. Seria muito bom para a Paz no mundo. A liberdade religiosa é uma das grandes conquistas das nossas sociedades ocidentais que urge preservar a todo o custo. Se não for possível mais ao menos que seja possível isto. Que se deixe de ver os "outros" como "reles pecadores" como hoje acontece. E que quem se sente zangado com a IC e quer mudar não seja visto como um "acólito do Diabo" como infelizmente ainda é regra!!!...

    Desculpa-me ser tão longo Jardim de Luz... Eu sei que às vezes abuso um bocadinho... Mas nunca é demais tentar elucidar as pessoas dentro do muito pouco que sabemos e somos... Ao fim e ao cabo o que vais fazendo também!!!...

    Boa noite para ti!!!...

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. Que o próximo papa seja um ultraortodoxo parece-me algo suicidário . Aí sim, o cisma seria inevitável.
    Mas parece-me que a rigidez doutrinário dos últimos papas tem como frutos o esvaziamento das igrejas e o crescimento de outras vozes católicas alternativas e libertárias. E o aparecimento de homens e mulheres que querem viver a sua fé com autenticidade e maturidade, sem infantilismos dogmáticos. Penso no impacto que estão a ter os teólogos silenciados. Curiosamente, quanto maior o "silenciamento" forçado, maior a força com que as suas teses teológicas são divulgadas e comungadas pela maioria esmagadora dos católicos. E aqui incluo também muitops padres e muitos bispos, obrigados ao silenciamento público, mas que na actividade pastoral se guima pelo evangelho e epla caridade e não por normativos doutrinários sem sentido.
    A mudança já está a acontecer.
    Claroq ue ajudava ter um papa de ruptura, de futuro.
    E, se não surgir nas próximas duas décadas, terremos de ser nós, os leigos, a mudar a igreja por dentro.
    Como aliás sempre foi.
    Boa noite!

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  10. Desculpem os detestáveis erros ortográficos - é o que dá teclar apressadamente.

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  11. Caro "pensamento positivo":

    Sim, eu sei que o cenário não é lá muito animador. B16 é um velho doente com 2 pacemakers. Sim, a eventualidade da repetição do cenário do JPII - um papa doente e incapaz à frente do vaticano por longos anos é assustador.
    Tenho pensado muito nisso nos últimos tempos - à medida que são trazidos a público os escândalos da última parte do pontificado de JPII. Pergunto-me até que ponto a demência parkinsónica permitiu que o vaticano fosse governado por outras sombras pardacentas à medida que o Papa perdia a lucidez e aquela coragem...

    B16 não vai durar muito. No máximo dez anos.Se estrá lúcido ou não é uma incógnita.
    De qualquer forma, a lenta degradação pública do último papa foi demasiado
    escandalosa para se repetir ingenuamente. Percebe-se que nesse interregno o vaticano foi tomado de assalto e que ratzinger, Sodano e companhia manobravam as coisas á medida que o integrismo católico era alimentado .
    Tem piada serem precisamentee esses que agora culpam JPII pelos escândalos de pedofilia e pelo encobrimento dos abusadores.

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  12. Nem mais BLUESMILE!... Subscrevo inteiramente... Como dizia há dias Ferreira Fernandes no DN, ser B16 o Papa doutrinário a ter de abrir-se ao mundo não é a menor das surpresas que vêm a caminho... E terem de ser os leigos a mudarem a IC, por dentro, ou se não for possível, via cisma é uma realidade a que também não podemos fechar os olhos. Para já temos aí a 3ª vaga da crise económica que também na IC deixará certamente os seus estragos... Depois vamos conversando!... Bom dia!...

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