2010-06-29

como é que é possível?

Ouvi, de alguém que está a terminar um curso superior, a declaração de que nunca leu um único livro de forma completa, na vida.

2010-06-28

convém não ficarmos adormecidos



Não tenho tempo (e não vou ter nos tempos mais próximos) para explicitar devidamente esta questão.  Mas no sendo nada apologista de teorias da conspiração, verifico com  preocupação, a escalada de manifestações de uma direita pseudo cristã, que luta por vários meios para se tornar influente na Igreja. E na restante sociedade.

Há um elemento que salta à vista: a paranóia. Sendo uma absoluta leiga em psicologia, não tenho dificuldade em identificar o estilo de mentes paranóides que escrevem por aí em blogues, artigos de opinião nos principais jornais etc.

Não convém minimizar este elemento, porque ele pode muito bem servir para atrair interesses menos claros, que se servem do mesmo para atingir os fins que pretendem.

Vigilância, portanto!

No artigo para o qual faço o link, identifica-se este movimento com uma direita norte-americana. Terá várias origens, penso eu, mas um dos fins é, como diz o texto abaixo: o domínio cultural, religioso e político.



Quienes abrazan este movimiento ven la vida como una batalla épica contra las fuerzas del mal y el satanismo. El mundo es blanco y negro. Incluso aunque no lo sean, tienen la necesidad de sentirse víctimas rodeadas de grupos siniestros que pretenden destruirlos. Necesitan creer que conocen la voluntad de Dios y que pueden hacerla realidad, sobre todo a través de la violencia. Necesitan santificar su ira, una ira en la que se centra su ideología. Buscan un dominio cultural y político total. Emplean el espacio que les brinda la sociedad abierta para destruirla. Estos movimientos actúan dentro de los límites del estado laico porque no tienen otra opción. La intolerancia que promueven queda amortiguada en los discursos tranquilizadores de su representantes más hábiles. Si tuvieran suficiente poder, y están haciendo lo posible por conseguirlo, se acabaría con esta cooperación. La exigencia de un control total y de una nación cristiana, así como el rechazo a toda disidencia se hacen visibles dentro de sus lugares sagrados. Estos pastores han establecido, dentro de sus iglesias unos diminutos feudos despóticos, y pretenden replicar estas pequeñas tiranías a gran escala.

2010-06-27

a Palavra


Irmãos, de facto, foi para a liberdade que vós fostes chamados.

A liberdade a que somos chamados, não é desculpa para ignorarmos, as obrigações que temos para com os compromissos assumidos. Nem com qualquer forma de Lei humana. É, antes, o convite para que nada nessas obrigações ou compromissos, nos impeça de ser livres. Só livres podemos procurar a verdade.

2010-06-26

olhares diversos sobre a Igreja

D. Januário Torgal:

Quanto mais estudei, mais aumentei a minha fé e mais encontrei explicações racionais para a minha fé. Sabe qual é o grande mal no que toca à religião? Ninguém estuda nada, nem o primário. Mas toda a gente tem opiniões.

Anselmo Borges:

Precisa-se na Igreja de uma reflexão profunda para uma nova atitude face à sexualidade. Não é sustentável um discurso sobre a sexualidade baseado numa concepção exclusivamente biológica da natureza, porque o ser humano é racional e autónomo.



Alfredo J. Gonçalves:

Sendo assim, e sendo essa realidade marcada pelas contradições em nível sociológico, e pelo pecado em nível teológico ou moral, o mais sensato não é tentar transformá-la, e sim fugir dela. Na impossibilidade de mudar os destinos do mundo e da humanidade, o melhor é escapar para outra dimensão. Resulta que, em não poucos casos, o pentecostalismo protestante ou católico se converte numa espécie de "barquinho de salvação" diante da sociedade imutável. "O mundo está perdido, mergulhado no pecado, mas eu encontrei Jesus"! O barquinho procura equilibrar-se no mar tempestuoso, muitas vezes ignorando as angústias de quem está sendo devorado pelas ondas gigantes da fome e da miséria, da injustiça e das desigualdades sociais, da violência e da discórdia. Mares bravios afogam pecadores e inocentes, mas os barquinhos seguem protegidos pelas bênçãos de Jesus.

com vossa licença, só mais esta

Morrer de Amor - Maysa Monjardim - simplesmente Maysa

2010-06-23

O modo que têm as mulheres de falar com Deus


É inútil o baptismo para o corpo,

e o esforço da doutrina para ungir-nos,

não coma, não beba, mantenha os quadris imóveis.

Porque estes não são pecados do corpo.

À alma sim, a esta baptizai, crismai,

escreverei para ela a Imitação de Cristo.

O corpo não tem desvãos,

só inocência e beleza,

tanta que Deus nos imita

e quer casar com a sua Igreja

e declara que os peitos de sua amada

são como os filhotes gémeos da gazela.

É inútil o baptismo para o corpo.

O que tem suas leis as cumprirá.

Os olhos verão a Deus.

José Augusto Mourão, em O modo que têm as mulheres de falar com Deus, 8 d Março de 2005, a propósito do Dia da Mulher.

2010-06-22

perseverans


(Pierre Verger)

o elogio da igualdade

A Igualdade é um motivo culturalmente incómodo, mas não é de agora. Podemos mesmo dizer que no processo de auto-consciência do movimento cristão das origens, a questão da Igualdade emergiu, aos olhos dos contemporâneos, como uma reivindicação algo bizarra da mensagem cristã. Quando, por exemplo, Paulo de Tarso sintetiza num enunciado igualitário as implicações da experiência cristã, «não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem e mulher, porque todos sois um só em Cristo Jesus» (Gal 3,28), isso imediatamente colocou o cristianismo numa trajectória cultural de contra-corrente. Mas é sempre essa a relação que o cristianismo é chamado a manter com o horizonte cultural de todos os tempos: dialogar sem deixar de interrogar, absorver sem baixar o sentido renovador e profético, ser consonante sem perder a ousadia de declarar-se em alternativa, não apenas no discurso sobre Deus, mas também na visão da Pessoa Humana.

essencial

Buscamos o repouso onde não há nenhum e por isso ficamos inquietos.

Julian Norwich

2010-06-20

comprova-se: ninguém é profeta na própria terra

O Bispo, cardeal (assim se nomeou) D. José Policarpo, esteve na paróquia de nascimento para crismar umas dezenas de jovens. Na única interpelação directa que lhes fez, não obteve uma única resposta. Confessou-se publicamente escandalizado. Não lhe souberam responder quem era (na actualidade) o sucessor de Pedro.
Pessoalmente, fiquei encantada com as miúdas e miúdos giros que há por aqui. Das missas de domingo, só conhecia dois ou três.

2010-06-18

No dia da morte de José Saramago


Que dizer no dia da morte de um homem? Que descanse em paz!
E, no caso de José Saramago, que tenha podido confirmar que o Deus de quem descria, não era mesmo para acreditar.


Adenda:

Igreja expressa pesar pela morte de José Saramago

O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura expressa o seu pesar na morte de José Saramago, grande criador da língua portuguesa e expoente da nossa cultura. José Saramago ampliou o inestimável património que a literatura representa, capaz de espelhar profundamente a condição humana nas suas buscas, incertezas e vislumbres.

Como é público, o cristianismo e o texto bíblico interessaram muito ao autor como objecto para a sua livre recriação literária. Há uma exigência e beleza nessa aproximação que gostaríamos de sublinhar. O único lamento é que ela nem sempre fosse levada mais longe, e de forma mais desprendida de balizamentos ideológicos. Mas a vivacidade do debate que a sua importante obra instaura, em nada diminui o dever da cordialidade de um encontro cultural que, acreditamos, só pode ser gerado na abertura e na diferença.

Lisboa, 18 de Junho de 2010

sem uma pressãozinha não vamos lá


Por isso, apesar das comichões que possa causar, será sempre uma inescapável verdade de fé o facto de Deus estar dentro de nós e falar connosco. Daí o ritual quase de conotações espiritistas que emprenha toda a alma cristã: falar com Deus. Será que todo o Deus que precisamos estará dentro de nós? Todo o crente tem um apelo para construir o seu panteísmo a la carte.

Senhor despastor,

já é mais que tempo de arejar a casa. Andei na cave a fazer o meu exercício de memória, mas a bloga precisa de si. O país, idem. A selecção está parece que retraída. E o Sporting anda a movimentar-se a contratar uns guedelhudos...vai ficar aí de braços cruzados até quando?

2010-06-15

o mais íntimo de mim mesmo - descobrir

"Os teus pecados estão perdoados"

O maior obstáculo para uma experiência Mística

é crer que as minhas falhas me afastam de Deus

Este sentimento é fruto de um desconhecimento do homem e de Deus.


Se não somos capazes de aceitar-nos tal como somos

A nossa relação com Deus estará falseada.

E não pode levar-nos a bom porto.

Descobrir que Deus nos aceita como somos,
é um grande passo para que nos aceitemos também a nós mesmos.


Se consigo ir mais além das minhas falhas,
descobrirei meu ser luminoso e limpo.
Descobrirei que essa parte do meu ser não depende de mim mas de Deus.

É portanto, amoroso, digno de ser amado, por Deus e por mim.



retirado daqui
Todo o texto é importante para reflexão.

2010-06-14

a importância do olhar

Parece que está por horas a revelação das conclusões de uma determinada Comissão Parlamentar. Para já, com desentendimentos partidários.
Desejava viver num país, onde o olhar e o ser olhado, servissem em primeiro lugar a verdade.
Mas, aos que são olhados, interessa é esconder. E, aos que olham, interessa é revelar sem pudor ou escrúpulo. Quem está por fora do jogo, que se cuide! O mal menor é o apagamento.

na pele dos condenados

Queixa e imprecações dum condenado à morte

Por existir me cegam,
Me estrangulam,
Me julgam,
Me condenam,
Me esfacelam.
Por me sonhar em vez de ser me insultam,
Por não dormir me culpam
E me dão o silêncio por carrasco
E a solidão por cela.
Por lhes falar, proíbem-me as palavras,
Por lhes doer, censuram-me o desejo
E marcam-me o destino a vergastadas
Pois não ousam morder o meu corpo de beijos.

Passo a passo os encontro no caminho
Que os deuses e o sangue me traçaram.
E negando-me, bebem do meu vinho
E roubam um lugar na minha cama
E comem deste pão que as minhas mãos infames amassaram.
Com angústia e com lama.

Passo a passo os encontro no caminho.
Mas eu sigo sozinho!
Dono dos ventos que me arremessaram,
Senhor dos tempos que me destruíram,
Herói dos homens que me derrubaram,
Macho das coisas que me possuíram.

Andando entre eles invento as passadas
Que hão-de em triunfo conduzir-me à morte
E as horas que sei que me estão contadas,
Deslumbram-me e correm, sem que isso me importe.

Sou eu que me chamo nas vozes que oiço,
Sou eu quem se ri nos dentes que ranjo,
Sou eu quem me corto a mim mesmo o pescoço,
Sou eu que sou doido, sou eu que sou anjo.

Sou eu que passeio as correntes e as asas
Por sobre as cidades que vou destruindo,
Sou eu o incêndio que lhes devora as casas,
O ladrão que entra quando estão dormindo.

Sou eu quem de noite lhes perturba o sono,
Lhes frustra o amor, lhes aperta a garganta.
Sou eu que os enforco numa corda de sonho
Que apodrece e cai mal o sol se levanta.

Sou eu quem de dia lhes cicia o tédio,
O tédio que pensam, que bebem e comem,
O tédio de serem sem nenhum remédio
A perfeita imagem do que for um homem.

Sou eu que partindo aos poucos lhes deixo
Uma herança de pragas e animais nocivos.
Sou eu que morrendo lhes segredo o horror
de serem inúteis e ficarem vivos.

Ary dos Santos

2010-06-10

"A última tentação"


Yoshiyuki Iwase


E então Ela quis tentá-lo definitivamente. Olhou bem em volta, com extrema atenção. Mas só conseguiu encontrar um pequeno pêro pequenino e pálido. Ficaram os dois numa desesperante frustração. Não há dúvida de que o Paraíso está a tornar-se cada vez mais chato!


Nota - No entanto, apesar de tudo e procurando com exaustiva persistência, consta que ainda se consegue encontrar uma bela maçã colorida e quente.

Mário-Henrique Leiria,
"depoimentos escritos"

2010-06-09

em defesa da mulher de Job

Neste caso a Igreja Católica. O que menos se pode esperar dela, é que alguma vez venha a possuir uma qualquer pureza original, perdida às mãos de uns tantos maus fiéis. Que julgamos sempre serem outros e nunca nós mesmos.
Convocada pelo Espírito, é constituída por homens e mulheres nem mais santos ou pecadores que todos os outros. A Igreja é um caminho, não é a meta.

como eles nos vêem

Um poema de amor

todas as mulheres
todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem.

suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.

principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.

há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas. não sei mesmo o que
fazer por
elas.

sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar — eu estava ocupado
com coisas maiores.

mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro tecto. não fui nocivo nem
desonesto. só um
aprendiz.

sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.

algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.


todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.

essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afecto e a
carência me
sustentaram, me
sustentaram.

Charles Bukowski
tradução brasileira, retirada daqui

2010-06-08

a descobrir


espreitando a vizinhança

Aterrisagem, perfeita, diga-se, no planeta rochoso e estéril. O astronauta americano abandona a nave, dá meia dúzia de passos televisionados, e enterra a bandeira do seu país no solo e, nesse mesmo instante, cava-se um abismo sob ele que o engole.
Nós, por vezes, esquecemo-nos de que os planetas também podem sentir dor.

Com um abraço de saudade para o José; já não nos vemos há um bom pedaço de tempo.




2010-06-06

porque é Domingo

A LUZ NOS GUIE DO TEU ROSTO. APENAS
ela nos seja, mesmo à noite, dia.
E a abundância de dias enriqueça
esta velhice desprendida,
de forma a os frutos lúcidos da terra
dispensarem maior sabedoria.
E reunirem. Serem porta aberta
que a chegada dos outros endominga.
Como o domingo se endominga à mesa
com os frutos polícromos do dia.
E sobre todos esses frutos se erga
o teu rosto de luz, mesmo que o enigma
da sua claridade ainda só seja
a que há-de vir. E já desponta. E vinga
como o esplendor, depois da noite hesterna,
que recupera terra mais antiga.


FERNANDO ECHEVARRÍA
(de Lugar de Estudo, edições Afrontamento, 2009)

retirado da rua do poeta que distribui poesia

2010-06-05

o outro lado

Exigente é viver na justa medida. Não alcançámos a Jerusalém celeste nem tão pouco vivemos na Geena.

O projecto de Deus para cada homem - descobrir e viver o Amor

El ser humano no tiene que liberar o salvar su "ego", a partir de ejercicios de piedad, que consigan de Dios mayor reconocimiento, sino liberarse del "ego" y tomar conciencia de que todo lo que es, está en lo que hay de Dios en él.

Intentar potenciar el “yo”, aunque sea a través de ejercicios de devoción, es precisamente el camino opuesto al evangelio. Sólo cuando hayamos descubierto nuestro verdadero ser, descubriremos la falsedad de nuestra religiosidad que solo pretende acrecentar el yo, y para siempre.

crer num Deus pessoal

(...)a pergunta radical é: um Deus não invocável pelo homem salvaria alguém enquanto pessoa? O núcleo da questão é a pessoa.

2010-06-04

da celebração do Corpo de Deus

O bispo do Porto (Manuel Clemente) disse na homilia:

Que grande é a responsabilidade de estarmos aqui, celebrando o Corpo e o Sangue do Senhor, amados irmãos e irmãs! Que enorme consequência deve ter, na vida que levarmos e no que fizermos dela. Se nos dispomos deveras a receber a única e total oferta de Cristo – que é a de si mesmo – como havemos de ser oferta também, àqueles que igualmente O recebem e a todos os que por Ele esperam, quer o saibam quer não. De nós O esperam, para que o Corpo de Cristo se alargue no mundo, convertendo a cidade em caridade!

aqui

a bem dizer não entendo a discriminação

A Fernanda Câncio faz aqui um exercício especulativo. Que se incomode com a difusão amplificada do ritual católico, concedo! Contrapor-lhe o código penal e a acusação de blasfémia, já é esticar a corda. E cá para mim, é a prova provada, de que estes rituais já não exprimem nada da vida pesso0al e comunitária. O título da crónica é bom exemplo disso: "Corpos sem deus". (Vejo que o blogger reage por escrever Deus com minúscula. Ora querem lá ver; salta proselitismo onde menos se espera.)

2010-06-02

feliz dia de descanso ou/e de celebração


eu andarei por aqui

uma sugestão de leitura: psicoanálise do cristianismo


Ainda não li. Mas vai ser uma das próximas leituras. Pode ser descarregado online aqui.
Ou ler um pequeno resumo.

Una representación de la mutación del Cristianismo se encuentra en la celebración de la liturgia fundamental, la Eucaristía, que deja de ser una Cena entre amigos y amigas para revivir la Liberación a través del recuerdo del Éxodo y de Jesús Resuscitado. Retrocede al antiguo rito del sacrificio en un templo sagrado, donde en lugar del animal está Jesús, el Cordero que quita los pecados del mundo y su auto-inmolación.

La estructura sacrificial está bien representada por la escisión de la asamblea: por un lado está el “celebrante-sacrificante”, ubicado detrás de un altar o sentado en un trono, dotado de poder y de palabra; por otro lado están los “fieles sacrificados”, entrenados para obedecer a señales convencionales del ministro consagrado, que les exige el sacrificio de evitar toda forma de diálogo, saludo, abrazo y confesión recíproca. Ello es la confirmación de que el Cristianismo no es una comunidad-cuerpo, cuyas partes se ayudan mutuamente y cariñosamente, sino una “masa” sin relaciones verbales o afectivas, dividida artificialmente entre “pastores” y “ovejas”.