2010-06-29

como é que é possível?

Ouvi, de alguém que está a terminar um curso superior, a declaração de que nunca leu um único livro de forma completa, na vida.

25 comentários:

  1. É óbvio q essa pessoa, com "de forma completa" se referia à desmesura q um livro é: cada parágrafo, cada frase, cada palavra, contêm potencialmente uma tal imensidão de significados a ele inerentes q nunca conseguimos ler um livro "de forma completa", nunca conseguimos abarcar toda a sua amplitude. Eu estou constantemente a sentir isso, em cada livro q leio. Chego ao fim e sei q não o li "de forma completa".
    Essa afirmação só demonstra uma profunda sabedoria, comparável àquela célebre frase de Sócrates q toda a gente cita.




    [hihihihi]

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  2. Infelizmente isto é bem possível...

    ...Nas privadas... E não só, que muitas vezes os das privadas por saberem que estão em desvantagem, esforçam-se mais...

    Mas enfim, é o chamado "Nacional Porreirismo" na sua melhor expressão!... Junto com a pouca vontade de construir e a muita vontade de ser pessimista... À mistura com as circunstâncias pouco favoráveis do "pensar pequenino" e dos velhos medos que rodeiam a nossa sociedade desde há muito!...

    Boa noite!!!...

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  3. Caro Rui: A sua perspectiva é muito interessante e deixa muitas questões que não me importava nada de ficar aqui 1 mês a discutir... Mas quem me dera que todos a pudessem ter!... Não é certamente o caso de 90% da nossa população, mesmo infelizmente da dita população com "curso superior"... E não era certamente o caso em apreço... Daí a estupefacção da JdL!!!...

    Boa noite!...

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  4. PP, daí o meu risinho parvo, no fim, entre parêntesis rectos.
    ;)

    Agora a sério: há-de haver (ainda) muito boa gente q nunca leu um livro do princípio ao fim e q guardará uma imensa sabedoria dentro de si.
    E outros q sem terem ido à escola, souberam adquirir a capacidade de ler livros - e aqui posso testemunhar os casos dos meus avós maternos q, ambos sem terem ido à escola, liam livros, compreendiam-nos e falavam sobre eles.

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  5. ai, poeta

    vieste até aqui extorquir-me um confissão.

    Eu já li muitos livros e escrevo num português que é uma vergonha.

    A pessoa em causa, virou-se para mim e disse:"Nunca li um livro todo". Eu ia caindo da cadeira. Respondi que estava escandalizada.

    Tu tens razão, não é por ler muito...mas eu explico o contexto: estava a comentar a relutância de uma jovem não ir frequentar uma acção de formação. A mesma jovem (com ensino secundário completo) não sabia a que distrito pertence o concelho de Caldas da Rainha.

    Compreendes o meu espírito??? :)

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  6. mais ou menos isso, P.P.

    Mas nestes dias não tenho sido feliz...como explico ao Rui.

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  7. Um bom livro nunca se le de forma completa porque cada leitura e sempre diferente...nos mudamos e como tal o forma como o lemos muda.
    Ha muito tempo a Maria Lucia Lepecki escreveu um artigo na Super Interessante em que defendia que a sociedade de consumo nao gosta de leitores porque as qualidades necessarias a um bom leitor, entre as quais calma, reflexao e introversao, fazem um mau consumidor.
    Joana

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  8. Cursos superiores, deixem-me rir...

    Eu já li dois ou três livritos, mas tenho a certeza que poderia ter feito o meu curso todo - e se calhar com boas notas - sem ter lido um único.
    Tinha uma colega que duas semanas antes do exame fotocopiava os meus cadernos, e se preparava por aí.

    O concelho de Caldas da Rainha só pode pertencer ao distrito de Vila Real... ;-)

    ***
    O meu irmão mais velho teve de aprender os rios de Portugal e todos os seus afluentes. As linhas de comboio e todas as suas estações. Também tinha de fazer contas de dividir números com 10 algarismos por números com 5 algarismos. Eu tive sorte, não me exigiram isso.

    Será que simplesmente se ensinam outras coisas?
    (isto sou eu a tentar ser optimista)

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  9. O drama é que isso começa a ser a regra e não a excepção.

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  10. Agora ainda estive aqui a rir-me a custa deste post. Eu tenho um colega de doutoramento com quem tive uma conversa absolutamente surreal, eu estava a falar do eterno retorno nietzschiano e ele a pensar que eu me referia a uma serie de ficcao cientifica chamada Andromeda (uma das racas humanas da serie sao os nietzschians). Nao e que estivemos uns bons 20 minutos na conversa ate percebermos que nao estavamos a falar das mesmas coisas! O meu colega tambem e daquelas pessoas com mestrado e doutoramento mas que nao le livros porque acha que e "pretensioso"
    Joana

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  11. A culpa não é apenas da escola, é sobretudo dos pais, pois não é preciso ser rico para ensinar os filhos a ler. Quando eu era miúdo havia apenas as bibliotecas itinerantes da Fundação Gulbenkian, mas hoje há muitas bibliotecas que emprestam livros.
    Beijos

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  12. Muitos assuntos interessantes para falarmos hoje... E não tenho assim muito tempo...

    Por um lado é óbvio que sempre houve quem sem sequer saber ler era um doutor da sua arte... O meu avô era um simples trabalhador do campo, mas profundamente conhecedor das coisas da terra... Das quais a nossa sociedade ignora profundamente... E se um dia necessitar delas... Já cá não o terá para dar uma ajudinha!!!...

    Por outro lado a sociedade de hoje é diferente... E os miúdos de hoje têm necessidades diferentes...

    Mas leram "Portugal hoje: O medo de existir" do Professor José Gil?... Nem vou mais longe: Está lá tudo!...

    Boa noite!!!...

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  13. Olá, caríssimos

    bem, hoje estou muito "ana moura". Nada de mais! Trabalho, trabalho, trabalho...e gerir tensões diversas.

    este post:

    exprime algumas perplexidades pessoais.
    Os livros foram sempre parte do meu mundo. Chegando até a ser vício (já passou)assim sendo, fiquei estupefacta por ouvir alguém dizer que nunca leu um livro sequer.

    Todos os dias passam diante dos meus olhos questões de cidadania que me interpelam a vários títulos:

    pequenos empresários (de quem os partidos de direita gostam tanto de encher o discurso)que lidam com a administração e situação contributiva das suas empresas com enfado e negligência. Não investem em conhecimento. Acham que o Estado é aquela entidade omnipresente que apenas lhes quer sugar os lucros. Por outro lado, tudo esperam dele. Guardam religiosamente recibos de saúde e educação, mesmo nos casos em que não fazem retenção. E é melhor não continuar...

    Jovens ignorantes das mais elementares questões de cidadania...
    É o Portugal do José Gil, como diz o P.P.

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  14. e como dizia o outro "a vida não se aprende nos livros".

    Pode até ser uma forma de alienação como qualquer outra.

    Na minha questão dos livros, vai subjacente uma outra que é de todos. A Igreja sabiamente até a definiu como pecado capital: a Preguiça.

    Fugimos de tudo o que nos põe em confronto connosco próprios. Podem ser os livros, pode ser um trabalho, pode ser uma diversão, podem ser pessoas. Aderimos a tudo o que nos dá satisfações imediatas e o nosso "EU" profundo fica sempre adiado.

    Numa sociedade como a nossa, profundamente marcada, pelo consumo e ostentação, esta preguiça de que falo tem "chão para andar."

    E chega de "filosofias" por hoje... com perdão do P.P. :)

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  15. sintomático e explicativo de muitas coisas que se passam neste país.

    todos sabemos que ter curso superior nunca foi sinónimo de mais conhecimento do mundo e das pessoas...

    mas é triste, MC.

    beijinho

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  16. Eu sei que nao serve de consolo, mas eu estou a fazer uma pos graduacao num departamento com estudantes de mais de vinte paises e nao noto grande diferenca relativamente a Portugal...as pessoas parece que sao treinadas para fazer uma serie de tarefas e racicinios muito bem, mas de uma maneira geral nao se interessam muito por tudo quanto vai alem disso
    Joana

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  17. olá, Luís

    eu não sei se não foi, se não é. Evitemos as generalizações.

    e tomando como ponto de partida o último comentário da Joana, o que acaba por se concluir é que todos temos partes da nossa vida e de nós próprios que descuidamos em detrimento de outras.


    beijos

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  18. não estou a generalizar, MC, apenas acho que os "cursos superiores" continuam distantes do nosso dia a dia...

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  19. Se perguntassem a muita gente que agora já conhece muitos autores e já leu muitos livros, quando andavam de facto a estudar o que tinham lido ou o que sabia que existia para alem das leituras obrigatórias, talvez fosse uma desilusão. Estas comparações são sempre relativas.
    A “escola” até um certo ponto prepara para uma cultura geral, e depois especifica. Eu conheço estudantes de medicina a acabar cursos que devido a exigência nos cursos constato isso mesmo, embrenham-se em obras profissionais e de apoio e consulta, que só dizem respeito a profissão, provavelmente muitos ficarão espantados por eles não conhecerem um Virgilio Ferreira ou Miguel Torga, mas a verdade é que eles dedicam-se a uma coisa com afinco profissional.
    Quanto a conhecerem outras obras autores, bem tem a vida pela frente para fazer isso. Agora conhecer muita coisa extra e ser maus profissionais.

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  20. Olá JdL!... Com o PC avariadote não é possível ir muito além... Mas vou tentar hoje...

    Pois... Os comentários da "anónima" Joana parece-me que também acertam no essencial... Mas numa parte diferente da do Prof. José Gil... É a parte que diz respeito ao fenómeno da Globalização e da hipercompetitividade a ela associada.

    O curioso é que para se entrar em Medicina são necessárias médias de 18 ou mesmo 19-20 valores!... Mas quando nós entramos num consultório onde esteja um estagiário, normalmente nas Urgências dos nossos Hospitais... Que me desculpe a Joana se for Médica... Mas... Que desilusão!!!... A maior parte deles parecem cabeças ocas!!!... Porquê? Estão tão concentrados em fazer tecnicamente bem que se esquecem do essencial: Cativar... Criar laços... Como nos diz o Principezinho do Saint Exupérie!!!... O tal livrinho aparentemente para crianças que afinal é bem mais para tirar as infantilidades dos adultos!...

    E depois é como digo... O mundo de hoje tem necessidades diferentes...

    Boa noite e bom domingo!...

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  21. È muito bonito o que o PP diz de facto sobre as urgencias.
    È que trabalhar numa urgência sobre pressão constante de doentes a entrar e outros que já lá estão, não dá muito para criar condições para cativações, é mais uma cadeia de trabalho, e não quero comparar com o nivel industrial(cadeia de montagem). Mas o afluxo de doentes muitas vezes é tremendo. Os profissionais cumprem o melhor que podem, Não podem é fazer sociologia sob pena de prejudicarem outros.Quem passou algumas horas com um familiar numa urgência que aprecie o panorama.


    Por isso, as pessoas gostam muito de defender o privado, como se paga e o preço exclui, o acesso dos doentes é menor, a afabilidade e simpatia é maior, as mordomias também,os profissionais trabalham sem pressão, podem dispensar mais tempo aos doentes etc. mas porque tudo isso se paga, cativa-se.

    Agora não me digam que não temos bons profissionais, mas em toda a regra ha excepções. Já agora em primeiro lugar, prefiro um bom médico que saiba fazer diagnosticos e terapeuticas quando me dirijo a ele por problemas de saude, assim com prefiro um bom mecanico quando tenho problemas com o carro e não alguém curioso que me vai criar mais problemas de futuro derivados da sua intervenção. Se não souber de literatura, musica, opera, pintura, dança, viagens, desporto, não me importo.

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  22. ...Sim... Mas mesmo nas urgências públicas há sempre bons e dedicados Médicos. Atenciosos e prestáveis!... É tudo uma questão de boa comunicação!... Já uma vez fui atendido por uma Médica grávida, sob pressão extrema de um dia de "casa cheia" e não deixou de ser uma das melhores consultas de urgência que tive. Era uma gastroentrite mais ou menos grave... Mas as coisas correram de feição e lá consegui retomar a vida normal com o tratamento prescrito!... É tudo uma questão de as pessoas se inscreverem naquilo que fazem... Serem bons actores da cena... Cativantes!... E não é assim tão difícil!... Basta gostar realmente daquilo que se faz!...

    Boa tarde!...

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  23. Bom,

    não vamos aqui agora discutir quem são os profissionais de leitura ou não.

    Isso é muito ao critério de cada um. Assim como a escolha de equilíbrio que quer ou não.

    Por isso, uns são poetas, outros músicos, outros médicos, outros engenheiros etc.

    Penso que um bom profissional o é melhor quanto mais assumidas forem todas as facetas da sua personalidade e equilibradas forem as várias dimensões da sua vida. Mas o sol quando nasce não é para todos. E muitos há que nem escolha alguma podem fazer. E outros não querem e outros tantos não podem.

    E lamento, sim, que não se leia mais e melhor.

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  24. So uma nota, eu sou matematica aplicada, nao medica.
    Eu penso que as escolas e universidades so nos podem ensinar a parte tecnica da nossa profissao, se faltar a componente humana e uma aprendizagem deficiente. Eu aprendi a calcular derivadas e integrais, mas o amor que tenho pelo meu trabalho veio do entusiasmo e da dedicacao de uma serie de professores e do meu orientador, que tem 60 e tal anos e parece um menino cada vez que lhe mostro um resultado novo...nunca teria aprendido isso se nao tivesse esse contacto extra escolar/laboral.
    No caso dos medicos ainda penso que ha mais necessidade da sabedoria humana, do coracao, pois em principio estarao a lidar com pessoas em situacao de fragilidade, e necessario empatia e imaginacao-qualidades que se aprendem tambem a ler livros nao tecnicos, por nos darem uma perspectiva da experiencia de outros seres humanos. Ha tambem a questao de quem nao le a partida tera um uso mais pobre da linguagem, o que e limitativo da nossa capacidade de raciocinio.
    (peco desculpa do meu portugues arrevezado, mas as vezes depois de passar um dia inteiro a pensar e falar ingles e dificil voltar a lingua natal)
    Joana

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  25. estamos de acordo, Joana!

    Ter uma matemática linda, para além de inteligente, por aqui só enriquece este jardim. ;)

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