2010-09-29

exercício de esquecimento

Poema do Esquecimento
Vendo passar as nuvens fui passando a vida,
e tu, como uma nuvem, passaste pelo meu cansaço.
Uniram-se, então, o teu coração e o meu,
como se vão unindo as bordas de uma ferida.

Os últimos sonhos e os primeiros cabelos cinza
entristecem como uma sombra todas as coisas belas;
e hoje a tua vida e a minha são como as estrelas,
pois podem ver-se juntas, estando tão distantes...

Eu bem sei que o esquecimento, como água maldita,
dá-nos uma sede maior do que a sede que nos tira
mas estou tão certo de poder esquecer...

Vou olhar as nuvens sem pensar que te quero,
como hábito surdo de um velho marinheiro
que ainda sente, em terra firme, a ondulação do mar.


José Angel Buesa

(tradução minha)



2010-09-22

Contra a pobreza - Objectivos do Milénio

 Ambroise Tine refere que uma família pobre do Senegal pode não conhecer o que são os ODM, “mas trabalham dia a dia para alcançá-los”.
“Conhecem os ODM por outro nome. Chamam-nos de sobrevivência”.

Antecipando os pontos fortes que marcarão o seu discurso na cimeira, Ambroise Tine sublinha que “a questão não se põe apenas na falta de dinheiro”.
“Faltam líderes políticos que olhem para todos como seres humanos, e considerem valores como a dignidade, liberdade e o acesso a melhores condições de vida, direitos invioláveis e profundamente sagrados

Não se resuma o assunto a uma questão de "imigração ilegal"

Há também gente que esquece o regime especial de condicionalismos e restrições adoptado para a entrada da Roménia e da Bulgária na União Europeia e que finge não perceber que o território desta não pode ser um espaço de importação de miséria e conflitualidade social, por via de entradas clandestinas ou ilegais.

Toda a gente quer viver em segurança. Ter os seus bens protegidos. Mas o caminho para isso, ao contrário do que Vasco Graça Moura defende, não é isolar os eventuais violadores. 
Faz bem, VGM, considerar que a miséria é uma ameaça para as sociedades do "primeiro mundo". Mas não pelas razões que defende. Mantê-la isolada e localizada não resolve nada. Porque não seremos socialmente desenvolvidos se mantivermos, perto ou longe de nós, outros que vivem em situações de pobreza extrema.

Adenda:

A Ana escreveu no fb um comentário a este post:"este texto do vgm é pavoroso. Será que lhe escapou alguma coisa na história da nossa sempre pacífica e imaculada europa? Purgar a sociedade dos seus males: os outros, é disto que se trata. Todas as guerras tiveram este discurso, esse sim, verdadeiramente, destruidor da ordem pública."





2010-09-18

Patti Smith- Birdland

é este um momento decisivo para a Igreja Católica?

A visita do Papa Bento XVI ao Reino Unido (que tenho acompanhado de modo muito superficial) é o exemplo eficaz da actual situação da Igreja. Tornou-se recorrente a confrontação do Papa com a calamidade da pedofilia. E de nada valem as declarações que, sistematicamente, vêm a ser feitas porque não se está a ir à raiz do problema. (como muito bem aqui expressa o Jorge Pires Ferreira).
Aqui ressalvo que não é só um problema da Igreja. As razões que levam, em primeiro lugar as vítimas, e depois os restantes conhecedores das situações de abuso de crianças, a não denunciar as situações, coexistem na Igreja, no seio das famílias e da Sociedade. Ainda se dá a primazia à instituição (seja o núcleo familiar, a Igreja etc. do que à pessoa. Em termos de cristianismo isto é o mais anti evangélico possível. No Evangelho a pessoa está sempre em primeiro lugar.

Mas os problemas da Igreja não se resumem ao mal da pedofilia. A Igreja tem perdido o seu espaço no mundo e não faz nada (a Igreja institucional)  para inverter a situação. O que faz é no sentido de readquirir nos mesmos moldes o que perdeu. E isso é completamente impossível (tamanha ingenuidade é confrangedora). Utilizando a imagem expressiva que o autor deste artigo usa: "Hoje a situação da Igreja Católica é igual a um castelo medieval, cercado de água, levantaram a ponte e atiraram as chaves à água. Já não há maneira de sair."


Poderia tentar um pouco de humor e dizer que se espera o milagre. Mas eu sigo outra via: não são visitas papais, ou encíclicas, como diz o autor do artigo que cito, por mais elaboradas e emocionais que sejam, dessa via deixei de esperar seja o que for, mas o espírito do Evangelho permanece bem vivo e actuante, em tantos que vivem à margem dessas coisas todas, e é nesses que fixo o olhar.

2010-09-15

2010-09-12

e agora vou-me a eles...boa semana!

o derradeiro post suicida

o que talvez não seja mau de todo. Ando com pouca disponibilidade - de tempo e de interioridade - para manter este blogue. Nas últimas semanas tenho pensado em dar-lhe um piedoso fim. 
Depois do que escreverei a seguir, duvido que as minhas filhas voltem a ler este blogue. E as três ou quatro pessoas que cá costumam passar, devem mudar o hábito. O que determinará em absoluto a manutenção deste jardim. Para pregar no deserto já chegam os meus dias...e noites.
Mas vamos ao que me levou a esta escrevinhada. Fui ao blogue da Ana Cássia, li esta história e aconteceu-me aquela coisa de que o Pedro Mexia se lamentou: a tola identificação com o escrito. (Adianto que tal nunca me aconteceu com o PM. A única vez que ele conseguiu despertar em mim alguma coisa - e confesso que fiquei muito surpreendida comigo própria  (não é que sofra da patologia de que a Ana Cássia se queixa amiudadas vezes), mas ele não é, definitivamente, homem para despertar seja lá o que for e ele sabe disso (já como escritor, tem dias)-, foi numa aparição na televisão, num evento qualquer. Mas e a Ana Cássia? Já sei, vão achar que foi a cena da velhinha, as ciganas...ou o gosto comum  por figos lacrimejantes (imagem gulosa - figos lacrimejantes). Nada disso! Foi o uso dado ao prato da balança. Também costumo usar o prato da balança.  Sem ser para o fim a que se destina, obviamente. 
No meu caso, é para guardar ovos, quando trago poucos. Desde que me mudei para o campo, deixei de comprar ovos. Tenho permissão para passar na despensa da minha irmã F. e trazer os que preciso.
Há uns tempos atrás, regressada do trabalho, lembrei-me que não tinha ovos nenhuns e, mais uma vez, dirigi-me à cesta dos mesmos. Perscrutei na mala a ver se tinha algum saco onde os guardar, mas não tinha nenhum. Só queria três. E porque não guardá-los directamente na mala? 
Chegada a casa, o destino dos mesmos foi o prato da balança (não gosto de os guardar no frigorífico. Se for para fazer algum doce não se devem guardar mesmo). E não pensei mais nos ovos.

Dois dias ou três depois, entrei numa loja, no nosso “novo” centro comercial,  e acabei por escolher uma blusa. Dirigi-me à caixa para pagar a mesma e, naturalmente, meti a mão na mala para tirar a carteira. Ao tactear para a encontrar, senti os dedos húmidos. Não contive um ar de perplexidade e, acto imediato, tentei espreitar e ver o motivo…ui…entre aquelas coisas usuais que habitam as malas femininas, estava um belo ovo caseiro com a casca feita em pedaços. A simpática jovem da caixa ainda tentou saber o motivo da minha perplexidade e posterior aflição (onde é que eu ia desfazer-me do ovo partido e como), mas a única resposta que teve foi um “nem queira saber!”.

Não vinha logo para casa e era preciso dar um sumiço ao raio do ovo. Ninguém (nem eu) consegue imaginar um mais óbvio, do que o local de destino de algumas das nossas aflições. A casa de banho, pois claro.

Mas o destino não estava comigo naquele dia: a estilosa  caixa dos papéis e afins, não se prestava ao propósito que me levou apressada ao WC das senhoras. Finalizo dizendo que, na sanita ainda boiavam uns vestígios de casca que as avalanches de água não conseguiram levar, e nem consigo imaginar sequer as conjecturas que a seguinte utilizadora do WC presumiu.

 

 


Raphael Rabello - Luiza

como curar as nossas feridas

O nosso coração precisa de compaixão?

Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.’ E o pai repartiu os bens entre os dois. Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada. Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar privações. E, caindo em si, disse: 'Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho'. E, levantando-se, foi ter com o pai. Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos.
O filho disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho.’ Mas o pai disse aos seus servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado.’ E a festa principiou.
Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se de casa ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. Disse-lhe ele: ‘O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque chegou são e salvo.’ Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que entrasse. Respondendo ao pai, disse-lhe: ‘Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos; e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes, mataste-lhe o vitelo gordo.’ O pai respondeu-lhe: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.’»
Lucas 15, 11-14, 17-32


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...é o que Jesus nos diz sobre Deus: Ele nunca desiste de nós. Mas é certo que nós não Lhe facilitamos a vida. Temos dois hábitos que tornam especialmente difícil para Deus chegar até nós e curar-nos. O primeiro é que mentimos a nós mesmos: “Não há nada de errado comigo. O que eu faço está perfeitamente bem e não estou a prejudicar ninguém. Além disso, a vida é minha! Se alguém precisa de mudar, és tu!”
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Lembra-se de quem presidiu ao apedrejamento de Santo Estêvão, o primeiro mártir cristão? Não foi um pagão romano. Foi São Paulo, e estava certo de estar a fazer o bem. Absolutamente certo – e absolutamente errado!
Com um pequeno esforço podemos justificar tudo. E essa atitude mete-nos em sarilhos porque enclausuramos Deus. Como é que podemos dizer honestamente que lamentamos o que quer que seja e pedir ajuda e perdão se estamos certos de que está tudo bem connosco?
Esta mentira a nós mesmos tem outra consequência: o endurecimento do coração. Se não conseguirmos reconhecer a nossa desesperada necessidade de perdão e compreensão, nunca seremos capazes de entrar no interior dos corações e vidas das pessoas e sentir a sua necessidade de compaixão. Nunca! E por isso a nossa resposta mais provável a quem tem essa necessidade vai ser julgar, rejeitar e votar o desprezo, o que se vai voltar contra nós na forma de corações endurecidos que não conseguem aceitar e receber compaixão e amor. E é assim que afastamos Deus ainda mais!
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Se alguma vez quisermos ter a esperança de experimentar a alegria e o alívio de ter os nossos pecados levantados, temos de os ver, encarar e entregá-los a Deus - e não negá-los, culpá-los ou culpar alguém. No preciso momento do triste e doloroso auto-reconhecimento, compreenderemos o quanto os nossos irmãos e irmãs precisam da nossa compaixão, e então seremos capazes de lhes oferecer o que eles precisam.
Reconhecer os nossos pecados, pedir perdão e dando perdão suavizará os nossos corações e deixará que Deus entre e realize a sua acção.

P. Dennis Clark
In Catholic Exchange
Trad. / adapt.: rm
© SNPC (trad.) | 11.09.10

2010-09-10

que futuro para a Igreja?

Chegada a casa fui confrontada com "novas" notícias sobre abusos sexuais por padres católicos. Tais notícias continuam a causar-me tristeza e incómodo.
Hoje mesmo, participei num funeral (a avó de uma colega de trabalho), celebrado por um padre católico. O qual cumpriu o ritual próprio e disse o esperado para o momento: a nossa finitude, a certeza de que Deus nos tem sempre presentes...sem ser demasiado incisivo. Tudo somado: postura, palavras, ritmo celebrativo - o desempenho discreto e eficiente da parte de um "funcionário" da Igreja. E eu diria que não dá para fazer muito mais, porque metade das pessoas fica fora de igreja e as que estão dentro, ansiosas para que tudo termine o mais rápido possível. A morte é uma dor aguda que incomoda e a Igreja não tem mais a receita do analgésico.
Mas o mesmo padre esperou pacientemente, tal como as dezenas de pessoas presentes no cemitério, que o avô da minha colega, idoso e invisual, chegasse com o seu passo trémulo e débil, junto da urna, para se "despedir" da companheira de uma vida. 
Uma imagem de esperança para o futuro da Igreja: uma Igreja que sabe ficar calada perante gestos que são maiores do que ela - os gestos de amor humanizado.

2010-09-05

a "prosopa..." quê? esqueçam! é apenas um texto bem interessante para ler

A prosopagnosia já me deu uma lição de humildade. Ao entrar numa loja de televisões e câmaras de vídeo, daquelas que filmam a imagem do cliente e a transmitem em simultâneo, vi a cara de alguém projetada num televisor. Pensei: “que cara de idiota”. Aproximei-me, o tipo da televisão também. O tipo com cara de idiota era eu.

Rui Tavares, aqui

2010-09-04

estes opinadores de taberna...

«(...) Verdade que, segundo os juízes, na Casa Pia os "filhos do Estado" eram traficados e violados por máfias e tarados sortidos. Desconheço se ainda são. Mas antes isso do que a imagem repelente de uma criança obesa a pedir mais um hambúrguer.»
João Pereira Coutinho, CM, 04.09.10

cheguei lá  através de "aspirina b" e "pegada"

Andrés Torres Queiruga comenta as afirmações de Hawking sobre Deus e a criação do Universo

-¿Qué opina de que Hawking afirme que Dios no es necesario para la creación del Universo, que el Big Bang fue una consecuencia inevitable de las leyes de la física?
-La frase como tal, si se toma en la pura literalidad, no es nueva. Es decir, para la física evidentemente Dios no es necesario. Ya lo había dicho Laplace: para explicar la astronomía no se necesita la hipótesis de Dios. Lo que pasa es que Hawking, como ya en otras ocasiones pero esta vez con más fuerza, en la medida en que son de fiar los datos de la prensa, hace una afirmación desmesurada, que se sale totalmente del campo de la física. Él tiene su dosis de razón, porque para explicar "científicamente" cómo funciona el universo desde su origen constituye es una pregunta científica que responde la ciencia, pero cuando da el salto a preguntar por qué aparece el universo, entonces él ahí entra en un mundo filosófico en el que demuestra muy poca competencia.
-Usted cree que ciencia y religión o filosofía son campos separados...
-Evidentemente. Pero es muy típico de algunos científicos extrapolar su saber científico, convirtiéndolo en saber filosófico y aun masivamente empírico. Un ejemplo para que se entienda. Si una mujer a la que desapareció el marido va a pedir una pensión de viudedad, es posible que le contesten que su marido "jurídicamente" no está ni vivo ni muerto, porque todavía no ha aparecido el cadáver. Y tienen razón jurídicamente. Pero si el funcionario de ahí sacase la conclusión de que "en la realidad" hay un hombre que no está ni vivo ni muerto o que puede estar vivo y muerto, sería una solemne bobada. Una cuestión científico-jurídica se convertiría en una afirmación ontológica. Pues Hawking incurre en ese paralogismo. Sin duda, físicamente puede llegar con todo derecho hasta lo que se conoce como "singularidad" inicial. Todo eso entra en el mundo científico. Pero luego hace una pregunta distinta: por qué hay esa singularidad inicial. Entonces cuando afirma que la nada es el origen del universo, entra en lo filosóficamente insostenible. Eso es tan disparatado como decir que en la realidad un hombre puede estar vivo y muerto al mismo tiempo.
- De la nada, nada puede salir, dicen los filósofos.
-Es evidente y lo dice el mismo sentido común. Parece que Ortega dijo en una ocasión: "Einstein sabe tanta física que de vez en cuando puede permitirse decir algún disparate en filosofía". Me lo contó Gacría-Sabell. Pudiera ser apócrifo, pero el dicho resulta muy pertinente para este caso. En física Hawking puede ser muy competente, pero eso no lo autoriza a pontificar en filosofía, ni en religión.
- ¿La física podrá responder alguna vez a este tipo de preguntas o quedan fuera del alcance de la ciencia?
-Es que no le preocupa. La ciencia no entiende de eso, ni para afirmar ni para negar. Como también sería ridículo usar la física para afirmar a Dios sin más. Son preguntas de otro estilo. Sería como usar el peso corporal para determinar el amor que una persona siente por otra. Un disparate. Son cuestiones de ámbito distinto.
- ¿Son compatibles?
-Compatibles en la medida en que no invadan el campo ajeno. La pregunta del filósofo no manda en el ámbito del científico, y viceversa. Esto ya lo dejó Kant muy claro y la fenomenología de Husserl insistió todavía con más fuerza.
- ¿El método científico podrá algún día dar una respuesta a esta pregunta?
-Sería tan imposible como pensar que la física podría determinar algún día el peso del amor. Simplemente se trata de una cuestión sin sentido.

daqui

e apesar de...

 A MONTANHA ÚNICA

Em algum momento fomos simultâneos
como dois corpos tombando na água
passávamos por portas diferentes
de forma que se prestava a tamanhas confusões
nossos gestos equivaliam-se com precisão
quando um estendia um pano de púrpura
o outro pousava um pano escarlate
quando um erguia sua lâmpada
dir-se-ia a mesma mais além a ser erguida
com os vasos idênticos
e os reservados aromas da oblação

Entre as duas tábuas de pedra
a montanha única ardia em fogo
até ao céu


José Tolentino Mendonça . A Noite Abre Meus Olhos

paradigma