2010-09-04

e apesar de...

 A MONTANHA ÚNICA

Em algum momento fomos simultâneos
como dois corpos tombando na água
passávamos por portas diferentes
de forma que se prestava a tamanhas confusões
nossos gestos equivaliam-se com precisão
quando um estendia um pano de púrpura
o outro pousava um pano escarlate
quando um erguia sua lâmpada
dir-se-ia a mesma mais além a ser erguida
com os vasos idênticos
e os reservados aromas da oblação

Entre as duas tábuas de pedra
a montanha única ardia em fogo
até ao céu


José Tolentino Mendonça . A Noite Abre Meus Olhos

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