2010-09-18

é este um momento decisivo para a Igreja Católica?

A visita do Papa Bento XVI ao Reino Unido (que tenho acompanhado de modo muito superficial) é o exemplo eficaz da actual situação da Igreja. Tornou-se recorrente a confrontação do Papa com a calamidade da pedofilia. E de nada valem as declarações que, sistematicamente, vêm a ser feitas porque não se está a ir à raiz do problema. (como muito bem aqui expressa o Jorge Pires Ferreira).
Aqui ressalvo que não é só um problema da Igreja. As razões que levam, em primeiro lugar as vítimas, e depois os restantes conhecedores das situações de abuso de crianças, a não denunciar as situações, coexistem na Igreja, no seio das famílias e da Sociedade. Ainda se dá a primazia à instituição (seja o núcleo familiar, a Igreja etc. do que à pessoa. Em termos de cristianismo isto é o mais anti evangélico possível. No Evangelho a pessoa está sempre em primeiro lugar.

Mas os problemas da Igreja não se resumem ao mal da pedofilia. A Igreja tem perdido o seu espaço no mundo e não faz nada (a Igreja institucional)  para inverter a situação. O que faz é no sentido de readquirir nos mesmos moldes o que perdeu. E isso é completamente impossível (tamanha ingenuidade é confrangedora). Utilizando a imagem expressiva que o autor deste artigo usa: "Hoje a situação da Igreja Católica é igual a um castelo medieval, cercado de água, levantaram a ponte e atiraram as chaves à água. Já não há maneira de sair."


Poderia tentar um pouco de humor e dizer que se espera o milagre. Mas eu sigo outra via: não são visitas papais, ou encíclicas, como diz o autor do artigo que cito, por mais elaboradas e emocionais que sejam, dessa via deixei de esperar seja o que for, mas o espírito do Evangelho permanece bem vivo e actuante, em tantos que vivem à margem dessas coisas todas, e é nesses que fixo o olhar.

14 comentários:

  1. A mim, não me parece q a análise desta "crise eclesial" possa ser feita apenas com base no q é mediatizado. Há muita coisa q tem sido feita (de há anos para cá) para ir à raiz do(s) problema(s) e q passa despercebida.
    Vê este artigo, já com meses, de José Manuel Fernandes: http://www.ver.pt/conteudos/verArtigo.aspx?id=931&a=Actualidade

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  2. Rui,

    peço desculpa pelo que vou dizer a seguir (sei que não gostas de polemizar. eu também não), mas vieste comentar o meu blogue, num texto pessoal (em que me socorro de dois artigos escritos por diferentes pessoas, para melhor explicitar o que digo, leste algum dos dois?)...mas serias uma das últimas pessoas de quem eu esperaria que dissesse que a minha visão se prende com o que é a mediatização da Igreja Católica (não preciso de dizer porquê, pois não?). Li com atenção o que escreveste e sei que escreveste "ser feita apenas...", mas contrapões um texto do José Manuel Fernandes em que ele se assume como em tempos militante ateu e actualmente agnóstico. Estás a ver onde quero chegar? Quem está a analisar com base do que é mediatizado?

    Disse-te há dias que algumas divergências que temos em relação à Igreja se prendem com o que cada um de nós espera dela. E repito-o. Está também aqui subjacente uma questão ideológica...que é o que faz José Manuel Fernandes escrever como o faz. Porque da vida da Igreja ele só sabe o que é mediatizado. Não é o meu caso. E tu sabe-lo bem.

    E como é que eu posso acreditar no papa quando ele diz que é um choque saber dos abusos por parte de padres...e bispos...quando eu sei perfeitamente que não há nada que algum padre faça (seja no lugar mais recôndito do planeta) que não chegue aos ouvidos do bispo e por aí fora? Não se agiu, não foi por não se ter conhecimento...as razões foram outras.

    Porque é que nas famílias, tantas vezes, abusos semelhantes não são denunciados?
    Qual é a actuação correcta e imediata a fazer? Tenho respostas teóricas...mas ficam-me inúmeras dúvidas e questões.

    Dizes que muita coisa tem sido feita...para além das que são mediatizadas, queres enumerar alguma?

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  3. Foi um comentário parvo e precipitado. Desculpa.

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  4. quando me passar a neura, desculpo. ;)

    mas mantenho o interesse em ouvir o que tens a dizer a propósito, porque eu não tenho o monopólio da "verdade" nem neste nem noutros assuntos. Não passo de uma leitora de dicionários ;)

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  5. !!!!
    Uma discussão intelectualmente séria num blog?
    Estou comovido!

    A sério.

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  6. ????

    comovido?!

    Dito assim parece que por aqui sempre se escreveram tralhas sentimentais. Assim vou ficar com complexos :(

    É inegável que a Igreja Católica é vítima de alguns ataques. De quem critique só por criticar. De quem tenha contas a ajustar...A Igreja Católica e a cristandade teve uma posição de domínio (material e espiritual)por longos séculos. É natural que seja alvo de todas as coisas que enuncio.

    Depois há a questão ideológica (para a qual despertei há bem pouco tempo)que põe uns a atacá-la e outros a defendê-la acerrimamente. A ideologia (não no sentido de estruturação de ideias, mas de "paixão dogmática"), tal como outras coisas, deforma sempre a visão.

    No caso da pedofilia a Igreja não tem desculpa possível. E não vou entrar em simplismos do tipo:"uma moral que considera a masturbação um pecado...como é que pode pactuar com uma situação de abusos sobre menores e crianças?" Porque todos sabemos muito bem que uma coisa é a norma, o enunciado...e outra o viver humano consciente. Também todos sabemos que o valor de uma criança tem evoluido na sociedade (pelo menos da Ocidental, hemisfério Norte), mas volto ao sentido do post: não se está a fazer o que a situação exige.

    Assiste-se à velhinha imagem da cegonha que enfia a cabeça na areia.

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  7. Outro dia alguém mais jovem que eu escreveu uma interpretação palerma de um texto interessante que aqui colocaste. Tu deste uma resposta simpática e deixaste passar a coisa.
    Estive para lhe perguntar qual era a diferença entre a interpretação que ele fazia do novo testamento e a filosofia de via do clube de surf de alguidares de cima.
    Mas quem sou eu para me meter na conversa?
    Se nessa semana estivesses sintonizada neste comprimento de onda, poupavas-me uma azia...

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  8. não é a cegonha... é a avestruz! a cegonha é a q traz os bebés de Paris!

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  9. ui...alegadamente, estás a referir o sinuoso comportamento feminino? :)

    Olha, não sei a q post e comentários te estás a referir. Também não interessa.

    Li o comentário de Rui, despertou-me variadas emoções e sentimentos. estive quase para lhe dar uma resposta simpática, mas reconsiderei que ele não merecia isso. (agora parece q estou a pôr em causa os beneficiários das minhas respostas simpáticas).

    "Mas quem sou eu..." prozetito, queres umas lagriminhas comovidas? Há muito mais que possas dizer sobre este assunto: Igreja Católica e tema do post. Se fizeres o obséquio...

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  10. olha quem aqui anda, sr antónio...muito bem aparecido!
    parece que ando a dar-me mal com o reino das avezinhas...é avestruz, com certeza. E da cegonha não espero nada.

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  11. "sinuoso comportamento feminino?"

    Nem por sombras!
    Um comportamento Novo.
    A prova de que as pessoas podem mudar. E pra melhor.
    Estou outra vez ...
    ...Tu não acreditas que é verdade!

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  12. :)

    não se trata de não acreditar. Vieste foi confundir-me. Afirmava eu há dias, numa conversa com uma pessoa, que no essencial ninguém muda. E mantenho a minha afirmação/convicção. Mas que existem mudanças, existem: em cada um de nós, nas sociedades, nas diferentes comunidades etc.

    Sei que és um bom observador (disseste q eu mudei para melhor e isso tem de ter alguma recompensa)mas é muito importante uma distinção: a mudança do discurso e a mudança do que se é. Pode, eventualmente, uma coisa não corresponder à outra. (Isto, dos seres humanos serem uns complicadinhos).

    Voltemos à Igreja Católica: todos os meios de comunicação dizem em coro que a visita do papa ao Reino Unido foi um enorme sucesso. Que afinal o papa é um avozinho ,muito querido e estimado. O papa mudou alguma coisa?

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  13. Olá JdL!

    Só para dizer que subscrevo 1000% tudo o que dizes.

    O que se passa com a pedofilia na nossa querida IC não tem de facto desculpa alguma.

    ...Mas hoje não tenho mais tempo para aprofundar!!!...

    Até amanhã!!!...

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  14. olá. P.P.

    sejas muito bem vindo. Gracias!

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