2010-09-29

exercício de esquecimento

Poema do Esquecimento
Vendo passar as nuvens fui passando a vida,
e tu, como uma nuvem, passaste pelo meu cansaço.
Uniram-se, então, o teu coração e o meu,
como se vão unindo as bordas de uma ferida.

Os últimos sonhos e os primeiros cabelos cinza
entristecem como uma sombra todas as coisas belas;
e hoje a tua vida e a minha são como as estrelas,
pois podem ver-se juntas, estando tão distantes...

Eu bem sei que o esquecimento, como água maldita,
dá-nos uma sede maior do que a sede que nos tira
mas estou tão certo de poder esquecer...

Vou olhar as nuvens sem pensar que te quero,
como hábito surdo de um velho marinheiro
que ainda sente, em terra firme, a ondulação do mar.


José Angel Buesa

(tradução minha)



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