2010-09-10

que futuro para a Igreja?

Chegada a casa fui confrontada com "novas" notícias sobre abusos sexuais por padres católicos. Tais notícias continuam a causar-me tristeza e incómodo.
Hoje mesmo, participei num funeral (a avó de uma colega de trabalho), celebrado por um padre católico. O qual cumpriu o ritual próprio e disse o esperado para o momento: a nossa finitude, a certeza de que Deus nos tem sempre presentes...sem ser demasiado incisivo. Tudo somado: postura, palavras, ritmo celebrativo - o desempenho discreto e eficiente da parte de um "funcionário" da Igreja. E eu diria que não dá para fazer muito mais, porque metade das pessoas fica fora de igreja e as que estão dentro, ansiosas para que tudo termine o mais rápido possível. A morte é uma dor aguda que incomoda e a Igreja não tem mais a receita do analgésico.
Mas o mesmo padre esperou pacientemente, tal como as dezenas de pessoas presentes no cemitério, que o avô da minha colega, idoso e invisual, chegasse com o seu passo trémulo e débil, junto da urna, para se "despedir" da companheira de uma vida. 
Uma imagem de esperança para o futuro da Igreja: uma Igreja que sabe ficar calada perante gestos que são maiores do que ela - os gestos de amor humanizado.

2 comentários:

  1. Lembras-te de, há uns anos, ter aqui dito que a procissão ainda ia no adro? Agora já está a dar a volta ao cruzeiro do fundo. Depois da Irlanda, Alemanha, Bélgica e alguns vestígios noutros países, só nos resta aguardar os novos episódios. Infelizmente.
    Beijos

    ResponderEliminar