2010-10-10

"Levanta-te!"

Naquele tempo,
indo Jesus a caminho de Jerusalém,
passava entre a Samaria e a Galileia.
Ao entrar numa povoação,
vieram ao seu encontro dez leprosos.
Conservando-se a distância, disseram em alta voz:
«Jesus, Mestre, tem compaixão de nós».
Ao vê-los, Jesus disse-lhes:
«Ide mostrar-vos aos sacerdotes».
E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra.
Um deles, ao ver-se curado,
voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz,
e prostrou-se de rosto por terra aos pés de Jesus
para Lhe agradecer.
Era um samaritano.
Jesus, tomando a palavra, disse:
«Não foram dez que ficaram curados?
Onde estão os outros nove?
Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus
senão este estrangeiro?»
E disse ao homem:
«Levanta-te e segue o teu caminho;
a tua fé te salvou».
( Lc 17,11-19)


A lepra do século XX é a solidão. E na sua configuração patológica - a depressão. O homem solitário  devora-se a si mesmo, o outro é devorado pela sociedade, então escolhes (NIETZSCHE).
É recorrente ouvir dizer:"os nossos avós tinha menos meios e eram mais felizes". Agora temos os meios (esqueçam lá a crise: Hoje vive-se incomparavelmente melhor do que há cem anos e até há cinquenta) e vivemos como condenados. O que é que nos falta, então?
Alfred Adler, dissidente da primeira escola vienense fundada por S. Freud, definiu no início do século passado o essencial para o desenvolvimento de cada pessoa: "O trabalho, o amor e a vida em comunidade são os ingredientes para o desenvolvimento de todo o ser humano, rumo à maturidade". Por trabalho, entenda-se toda a actividade humana e não, apenas, o exercício duma profissão. O amor e a vida em comunidade são o acto de nos descentramos de nós próprios e irmos ao encontro do outro. É a resposta que podemos dar à ordem evangélica:"Levanta-te...!" Quando é que estaremos para aí virados?

5 comentários:

  1. Olá JdL!... Não me leves a mal um pequeno desabafo... Quem me dera que todas as homilias do mundo inteiro tivessem o conteúdo de ensinamento deste teu pequeno comentário a esta passagem da escritura!... Certamente que teríamos as Igrejas cheias!!!... Mas parabéns pela reflexão!...

    Até amanhã!!!...

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  2. Olá, P.P.

    eu também já fiz muitas vezes esse desabafo (sobre as igrejas vazias) :)

    mas isso não significa que estamos muito "agarrados" às estruturas? Igrejas mais cheias, significam mais vida cristã?

    Repara (com certeza já reparaste) na subtileza de Lucas ao colocar um samaritano como o único que volta para trás, não andaremos nós demasiado presos a rotinas celebrativas?

    Porque o espaço para nos levantarmos é a própria vida. Não nos vejo condenados à equação de Nietzsche. Temos mais escolhas do que devorarmo-nos em solidão ou deixarmos que outros nos devorem. A escolha é sempre nossa. (Quem pode escolher, claro).

    Mas vens aqui e fazes os desabafos que quiseres ;)

    até amanhã ou quando der...

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  3. Olá JdL! Pois... Sim e não! Por 1 lado estamos de facto agarrados a muitos formalismos... Mas por outro que seria de nós sem um guia... Ou se quisermos uns guias, os nossos Pastores?... Difícil a resposta. Entretanto e porque nem os Pastores parecem querer guiar, nem o "rebanho" quer ser guiado, vamos assistindo mais ou menos serenamente ao passar do tempo... quer dizer, ao caminho de um 1 mundo a desmoronar-se como um baralho de cartas sem que se vislumbrem soluções...

    Até amanhã!...

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  4. Olá, P.P.

    A tua resposta "sim e nâo" é estratégica. Por vezes, também a uso, quando não me quero comprometer. ;)

    Tenho de continuar umas tarefas inadiáveis, quando der, dou-te a resposta que mereces. :)

    Beijinhos

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  5. Boa noite, P.P.


    Uma semana muito longe de guias e pastores...;)

    Eu compreendo o que queres dizer. Mas também sei que Jesus chegou a dizer:"Porque me chamais mestre?...um só é o vosso Mestre (o Pai)".

    E sei que a Igreja católica porfiou e porfia em gerar católicos dependentes, infantilizados, acríticos, irresponsáveis, submissos...mas nós não nos bastamos sozinhos, precisamos de quem nos suporte e anime nas debilidades. Há irmãos baptizados que exercem o ministério presbiteral e que são guias para outros irmãos. Tu conheces desses, eu conheço, outros conhecem, mas o empenho pastoral, na sua grande força, está dirigido para outros fins. E eu gostava de dizer, como a Igreja diz, que é para a Evangelização...mas que Evangelização????


    Abraço, e depois há surpresas na vida, e eu hoje tive uma...mas fica para outra escrita. ;)

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