2010-12-09

o pecado original de Santo Agostinho (grande pensador mas um mau tradutor)

En realidad, San Agustín llegó a esa siniestra idea sobre ti y sobre Dios por saber poco griego, y por haber traducido erróneamente una inocente palabra de San Pablo en la carta a los romanos (5,12), ephautó, que no quiere decir “en él”, como pensaba Agustín, sino “puesto que”, como traducen hoy todos. San Agustín pensó que nosotros seguimos sufriendo porque pecamos “en él” (en Adán, o Eva), es decir, porque heredamos su culpa, pero Pablo quería decir que seguimos sufriendo “puesto que” seguimos “pecando”, es decir, haciendo daño, igual que Adán y Eva. Corregido el malentendido gramatical, nos correspondería corregir el dogma, pero a la Iglesia le cuesta demasiado reconocer errores (es su particular pecado original).

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12 comentários:

  1. Olá, mana

    Não é bem assim... Logo o Agostinho, que até dizia que quando uma leitura literal ia contra uma verdade científica ou ética, se deveria "interpretá-la" para revelar o seu sentido cristão ;)

    A grande fundamentação do pecado original, com ou sem erro de tradução linguística, está nas suas observações antropológicas e psicológicas, desde o egoísmo do bebé até às restantes "desordens" psicológicas e sociais, entrecruzadas com a capacidade de abertura e ternura que nos rasga as entranhas também.

    Nunca percebi a negação do pecado original, ou duma tensão originária para a divisão e para o egotismo etc, cruzada pela graça divina e pela "imago dei" que também somos; nem sequer do ponto de vista ateu LOL

    Pode não aderir-se a certas conclusões que ele entrevê com mais ou menos terror e alegria; mas não deixa de ter tocado num mistério profundo do humano e das suas contradições e sombras.

    bjoca

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  2. Agostinho de Hipona foi muitas coisas, mas não um mau tradutor ou intérprete do grego, que conhecia quase tão bem como o latim. O próprio Paulo era cidadão de Roma e falava latim e grego, pelo que é pouco provável que a carta aos romanos tenha sido escrita em grego.
    Beijos

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  3. mano e lino, provocações agostinianas à parte, a pergunta que me ocorre fundamentalmente é a seguinte: Em que Deus creio???

    Para apoiar um esboço de resposta à minha pergunta (que é pergunta para uma vida)apoio-me na exegese bíblica, na Tradição, nas várias respostas da ciência, filosofia etc e no meu "ser interior"...sem absolutizar nada.

    Agostinho, grande pensador, não há que negar, não dispunha, no seu tempo, dos conhecimentos da moderna antropologia, psicologia etc.

    E depois temos Jesus que diz que nascemos salvos...

    Beijos

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  4. a antropologia que desenvolve Agostinho é uma antropologia do "eu", e não das estruturas e dinâmicas sociais como na antropologia "moderna"; e esta não deixa de confrontar-se com a conflitualidade constante da vida social, dos tabus às jurisdições.

    a psicologia advê-se mais ou menos com o si-próprio, mas como podes constatar facilmente, enreda-o continuamente em falhas originárias, dos complexos de Édipo ou Elektra aos traumas de nascimento.

    Deus é um inacessível, todo o resto são ídolos, diz o avô de Jesus, esse judeu seco e teimoso; o faltar-nos "isso" de que somos imagem faz-nos orfãos de sentido, desorientados no nosso próprio princípio, que constantemente buscamos, pensamos encontrar, etc; tanto do ponto de vista histórico ou social, como do ponto de vista pessoal. "quem disser que está aqui, ou está ali... balelas"

    mas eu cá não me pensinto salvo, mas mais "por salvar" e "por perder"; ir-se procurando e ir-se encontrando requer os dois. Jesus fala-me de ambos, ou senão penso que não lhe daria grandes ouvidos ;)

    quer-se dizer, se nascessemos salvos, para que raio haveríamos de renascer, para que raio mergulhar nas águas e arder no espírito?... para que raio tanta queda e levantar?...

    a tua pergunta é tramada. deve ser por isso que é "para a vida inteira" ;) formalmente, a resposta que penso ter é: aquele que é; aquele que em mim crê e nesse anelo me cria, me dá ser e vida; aquele que para a relação consciente e dialogal dessa relação-base (criatura-criador) me chama; e sim, pode ser "terrível", não ser bem um deus "à minha maneira", e assim ser e fazer aquilo que não consigo: trabalhar comigo nas raivas e alegrias mortíferas da vida. mas pronto, eu não o conheço muito bem, que isto não é nada fácil ;)


    em que deus crês mesmo quando não crês?... isso é a fé. (gostaria eu de dizer).

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  5. Só um brevíssimo comentário, mano:

    não é a antropologia, psicologia etc. que me vão responder quem é Deus. O meu comentário não estava explicito quanto a isso. Dão-me respostas sobre o Homem que não existiam ao tempo da redacção do Genesis, de Paulo, Agostinho etc.

    Nascemos salvos, mas nascemos comprometidos. Por isso o baptismo não é um rito mágico de ir um dia até ao baptistério...

    "para a vida inteira" ;) e cá por mim, acho que esta vida não chega... ;)

    beijos

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  6. o que queres dizer com "salvos"?

    é que eu entendo algo como "comunhão positiva e total com Deus".

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  7. :)

    quero dizer exactamente o mesmo que tu. Nascemos capazes de antever esse gozo pleno (como diz Paulo:"Já e ainda não").
    Jesus disse:"Eu e o Pai somos um só". Nós ainda não somos capazes disso.
    Não quer isso dizer que seja consequência de algum pecado original ou que precisemos de pagar algum resgate.

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  8. “Consequência” não me parece adequado; é uma categoria da ordem do explicativo, mais adequada à especulação filosófica ou à investigação científica da modernidade, do que a uma imagem mítica; um mito não é uma explicação mas uma expressão de algo indecifrável, para o caso a “origem do humano”. Além do mais, os mitos têm uma relação peculiar com a temporalidade, e tendem para ser conjugados no eterno (não ontem, nem agora, nem depois, mas “sempre e em toda a parte que o humano se origina”); o “bereshit” judaico, “no princípio” tem também esse significado. Pode-se pensar em “consequentemente” se tal não for pensado exteriormente (uma causa exterior ao acontecimento em jogo, neste caso o “humano”) nem sequencialmente (algo que antecede o acontecimento em jogo).

    A noção obscura de que o “humano” corresponde a um desajuste com a sua natureza não é um exclusivo judaico-cristão; um anti-cristão como Nietzsche fala do “humano” enquanto “instinto que se vira contra si mesmo”, por exemplo; assim como a antropologia “moderna” descreve as diversas formas de conflitualidade interna e externa a cada grupo cultural, e a psicologia tenta explicar os desajustes possíveis do sujeito consigo mesmo; e todos os mitos das origens têm algo disto, as guerras dos deuses e dos humanos.

    A questão da “ciência do bem e do mal” cujos frutos nos são proibidos, isto é, nos escapam, são para nós indecifráveis, corresponde à impossibilidade que temos de dar conta cabal do fenómeno do mal, da criança assassina aos crematórios de Auschwitz. Porque é disso que se trata, não se trata de uma troca de opiniões sobre algo indiferente à vida, ou de um debate filológico numa academia: trata-se de dizer aos pais cuja filha de sete anos foi violada e espancada até à morte que tal é uma “antevisão da comunhão com Deus” ou ao sobrevivente de Auschwitz que o que ele viveu corresponde a um “quase gozo da comunhão plena”; ou, se preferires, que os nossos infernos são semente do Reino de Deus.

    Admito que tal seja assim, e que uma mística consiga suportar tal terror na própria carne com que se eleva para Deus; mas tal tem de ser enfrentado no seu cerne (como Agostinho o faz, com todos os seus erros e acertos, para voltar ao “supostamente refutado”) e não em visões que excluam por distracção ou sedução falsa – a música do abismo e da dissolução.

    E penso que Paulo, quando diz “Já e ainda não”, se refere ao caminho da redenção e da conversão cristãs, e não à existência espontânea com que nascemos; mais vale discordar directamente de Paulo do que pôr na sua boca coisas que os seus textos não dizem, que raio: se há uma noção central em Paulo, é sem dúvida a noção de “todos pecadores” na sua espontaneidade, conjugada com “todos redimidos” em Cristo Jesus.

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  9. PS: a redenção universal permite a recusa, penso ser essa a ideia de Paulo, na conjugação do amor divino com a liberdade humana que vai, como se sabe, até ao inferno, os que “não herdarão o reino dos céus”; não se trata evidentemente de saber quem ou quantos levam essa recusa até ao fim, mas de crescer na conversão com o temor dessa realidade própria que é o pecado em nós, possível ou efectivo.

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  10. pois... vamos andando, ora sobre um pé, ora sobre o outro, tal como no jogo da macaca (um jogo de meninas) entre o "Deus Temor" e o "Deus Amor".

    "ciência do bem e do mal"...parece que pouco mais temos que um grande silêncio...ou aquele grito evangélico:"Pai, pai porque me abandonaste?"

    O mito perdurará com a sua carga simbólica sem pretender aquietar...o texto que linkei fala um pouco disso: a redução do sacramento do baptismo.

    Mas pôr em questão um enunciado de Santo Agostinho, de S. Paulo (de Paulo, então, de quem não se sabe ao certo quais as cartas que escreveu ou q foram escritas por discípulos) não é rejeitar ou por em questão toda a sua obra.

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  11. não vivo isso de modo separado, é o amor que é terrífico na sua força transfiguradora, e no que aniquila nessa sua acção própria. e depois, claro, há a questão teológica do que preside à vida ser amor, o que por vezes não é de todo evidente. gosto de manter essa não-evidência, ser capaz de olhar o mal e a beleza do mundo simultaneamente, o que se consegue às vezes por breves e fugidios instantes.

    os mitos nunca aquietam, para tocar noutro aspecto que não o do senhor que acabaste de postar - precisamente porque não respondem: são condensados existenciais. o D. Quixote não responde à pergunta: O que é a ilusão poética? mas condensa-a e intensifica-a em situações e imagens que aumentam a nossa interrogação. são visões, não são deduções. e muito menos conclusões, claro. nem o Génesis responde à pergunta "o que é o humano", nem o Job a "o que é o mal", etc

    bjocas

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  12. É como a esfinge: nós é que temos de responder aos mitos, não eles a nós.

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