2010-12-13

Pluralismo religioso como dom de Deus

  1. O pluralismo religioso é um dom de Deus e revela as riquezas singulares de sua sabedoria infinita e multiforme.
  2. Antes de expressarem uma busca tateante de Deus, as religiões já foram acolhidas por Deus na dinâmica de sua infinita abertura e misericórdia. Não são os sedentos que buscam a água, mas a água que busca os sedentos.
  3. As religiões são “fragmentos” que participam de uma sinfonia cujo horizonte é marcado pela tônica do inacabamento. Não há possibilidade de uma única tradição pretender-se detentora da posse da verdade.
  4. A verdade que anima a caminhada das religiões não é algo que se apropria como uma garantia assegurada, mas um mistério sempre aberto pelo qual as religiões devem deixar-se possuir.
  5. As religiões são marcadas por limites e ambigüidades, mas estão igualmente envolvidas pela maravilhosa liberdade do Espírito, que indica caminhos que são misteriosos e inusitados.
  6. Cada religião é portadora de um enigma que é irredutível e irrevogável, não podendo ser entendida como um marco de espera que encontra o seu acabamento ou remate numa outra tradição religiosa. A riqueza das religiões não é algo que se encontra fora delas, como se o seu valor estivesse na sua capacidade de abrir-se positivamente àquilo que ignoram.
  7. Desconhecer esse enigma ou mistério que envolve cada tradição religiosa é deixar de honrar a sua especificidade única e macular a riqueza intransponível da alteridade.
  8. A defesa de uma assimetria de princípio entre as religiões compromete a dinâmica misteriosa dos dons de um Deus que abraça a diversidade.
  9. A experiência de fé num Deus criador, que está presente e vivo em cada domínio do planeta, implica em reconhecer sua presença viva e acolhedora entre as diversas tradições religiosas.
  10. Deus atua na história através de mediações distintas e diversificadas. Não há razão plausível para concentrar a mediação fundamental da presença salvífica de Deus numa única instância ou “porta”, mas há que perceber outras formas dessa mediação, que podem ser uma pessoa, mas também um livro, um evento, um ensinamento ou uma práxis.
  11. A acolhida do pluralismo de princípio é uma condição essencial para o verdadeiro diálogo interreligioso. Não há como dialogar verdadeiramente com o outro desconhecendo a riqueza e o valor irredutível de sua dignidade religiosa.
  12. Fixar-se numa única tradição religiosa, excluindo-se da provocação criadora da interlocução da alteridade, é deixar escapar bens preciosos  que irradiam na dinâmica reveladora de Deus, sempre em ação na história.
  13. O reconhecimento da presença do Mistério Maior nos outros confere uma nova perspectiva à identidade, facultando a abertura para novas e enriquecedoras dimensões da própria fé.
  14. Longe de enfraquecer a fé, o diálogo verdadeiro abre horizontes novos e fundamentais para a sua afirmação num mundo plural.
  15. A acolhida do pluralismo de princípio requer não apenas o diálogo entre as religiões, mas também a abertura e aprendizado com outras formas de opções espirituais, sejam  religiosas, a-religiosas ou pós-religiosas.
Faustino Teixeira

Sem comentários:

Enviar um comentário