Pois é, nós humanos viventes, escorregamos, caímos, empurramos, somos empurrados. Nós humanos viventes somos tentados a possuir o bem alheio, a desejar corpos e até corpos infantis. E, algumas vezes somos dominados pela nossa fraqueza e cedemos à vontade imediata dos nossos corpos. No fundo não somos puros e nem perfeitos. Somos todos não apenas falíveis, mas sim pecadores de facto. Somos todos capazes de tirar a vida ou diminuir vidas de alguma maneira. Basta perder por um instante o equilíbrio do passo.... Basta sair um pouco da sobriedade habitual... Basta que a raiva seja maior do que a que podemos suportar... Basta que a sedução do desejo me inebrie... Num instante tudo se transforma!
(o texto é a propósito do episódio de abuso sexual do padre belga François Houtart)
Pois é JdL... Mas entretanto...
ResponderEliminarhttp://www.rtp.pt/noticias/index.php?t=Freiras-acusadas-de-pedofilia-na-Belgica.rtp&headline=20&visual=9&article=404141&tm=7
...Independentemente de tudo isso não se pode compactuar com estas coisas... Venham de onde vierem...
Um abraço!!!...
Olá, P.P.
ResponderEliminardois ou três pontos sobre o tema (que serão sempre insuficientes e redutores):
Estamos desde há algum tempo e de modo sistemático a receber informação (nem sempre objectiva)sobre casos de abusos por parte do clero católico (agora começam as notícias sobre os abusos femininos - virão mais, inevitavelmente)isso cria um efeito de saturação que é prejudicial a vários títulos:
impede que sejamos criteriosos e objectivos -ficamos pelas emoções básicas (é essa a tecedura dos meios de comunicação na actualidade)o que nos leva a fazer julgamentos sumários e pouco mais.
Em relação a estes abusos, no seio da Igreja, atribuo responsabilidade aos próprios e à estrutura da Igreja. E não apenas por causa do celibato obrigatório, mas por muitas outras causas.
Uma delas foi que a Igreja não soube ser misericordiosa (sublinho não soube, não ouso dizer não quis)nem com as vítimas nem com os que cometeram os abusos. E se muitos ficaram no segredo das consciências de uns e na dramática existência de outros, muitos mais foram enunciados em confissão, denunciados pelas vítimas e familiares. Não é possível acreditar no desconhecimento por parte dos responsáveis.
Perante a gravidade dos factos optou-se por um pacto de silêncio. O que significa compactuar com comportamentos de violência (sexual, emocional e à intimidade de seres em contexto de fragilidade) e abuso de poder.
Ter consciência dos erros próprios e de outrém, não nos pode impedir de ser misericordiosos. Porque a misericórdia liberta e cura. Sempre à nossa medida limitada e finita, de acordo com o caminho de conversão que vamos fazendo, mas o caminho é esse e mais nenhum.