2011-01-04

Um comentário próprio

(como resposta ao comentário do  P.P neste texto que citei e para explicitar o modo como entendo este tema)

Estamos desde há algum tempo, e de modo sistemático, a receber informação (nem sempre objectiva) sobre casos de abusos por parte do clero católico (agora começam as notícias sobre os abusos femininos - virão mais, inevitavelmente) cria-se, assim,  um efeito de saturação que é prejudicial a vários títulos, como o seguinte: impede que sejamos criteriosos e objectivos - ficamos pelas emoções básicas (é essa a tecedura dos meios de comunicação na actualidade)o que nos leva a fazer julgamentos sumários e pouco mais.

Em relação a estes abusos, no seio da Igreja, a responsabilidade deve ser atribuída aos próprios e à estrutura da Igreja. E não apenas por causa do celibato obrigatório, mas por muitas outras causas.

Uma delas foi que a Igreja não soube ser misericordiosa (sublinho não soube, não ouso dizer não quis) nem com as vítimas nem com os que cometeram os abusos. E, se muitos ficaram no segredo das consciências de uns e na dramática existência de outros, muitos mais foram enunciados em confissão, denunciados pelas vítimas e familiares. Não é possível acreditar no desconhecimento por parte dos responsáveis.

Perante a gravidade dos factos optou-se por um pacto de silêncio. O que significou compactuar com comportamentos de violência (sexual, emocional e à intimidade de seres em contexto de fragilidade) e abuso de poder.

Ter consciência dos erros próprios e de outrem, não nos pode impedir de ser misericordiosos.A misericórdia liberta e cura. Sempre à nossa medida limitada e finita, de acordo com o caminho de conversão que vamos fazendo, mas o caminho é esse e mais nenhum.

1 comentário:

  1. Ps- um comentário à porra do comentário (já devia estar na caminha)que ninguém se atreva a vir dizer ou sequer a pensar que isto é uma coisa de gaja, assim só coraçõezinhos e coisa-e-tal e que agora estou nesta onda porque apareceu um padre progressista com rabo de palha, porque a misericórdia humana não pode excluir nunca a justiça (em Deus é a própria justiça, citando o ortodoxo João Paulo II)a sentença não acaba na pena, quer a reabilitação! Tenho dito!

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