2011-02-07

a "dança" chega ao jardim


Passei ontem a recolher o livro do Henrique. (Henrique, um beijinho de gratidão para ti.)

Ainda só li três poemas de "A Dança das Feridas". (Longe vai o tempo em que devorava livros: com a idade aprendi a saborear as coisas. Também os livros e os poemas.) Transcrevo um deles, que, desde ontem, ressoa em mim como oração.


ALLEN GINSBERG A PETER ORLOVSKY

Às vezes sinto crescer no peito uma melodia épica,
um grito de helénicas vozes.
Noutras ocasiões o ridículo trava-me a correria
e o grito transforma-se numa gargalhada histriónica.
Palpita na mesma o coração,
mas é como se dentro dele houvesse agora
uma dentadura a ser palitada antes da sobremesa.
Suponho que seja entre o grito e a gargalhada
que a metáfora deste bem-querer
melhor defina a patética conclusão:
em matéria de amores somos todos tão estultos
que ainda não nos tocaram à campainha
e já vamos perguntando "quem é?"

2 comentários:

  1. "quem"? se fosse "que" respondia "depende" ;)...assim, nada mais a acrescentar.

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