2011-02-19

"eu não sou Deus"

O grande delírio: Sou Deus!

«Em toda a Terra, havia somente uma língua, e empregavam-se as mesmas palavras. Emigrando do oriente, os homens encontraram uma planície na terra de Chinear e nela se fixaram. Disseram uns para os outros: «Vamos fazer tijolos, e cozamo-los ao fogo.» Utilizaram o tijolo em vez da pedra, e o betume serviu-lhes de argamassa. Depois disseram: «Vamos construir uma cidade e uma torre, cujo cimo atinja os céus. Assim, havemos de tornar-nos famosos para evitar que nos dispersemos por toda a superfície da Terra.» O Senhor, porém, desceu, a fim de ver a cidade e a torre que os homens estavam a edificar.
E o Senhor disse: «Eles constituem apenas um povo e falam uma única língua. Se principiaram desta maneira, coisa nenhuma os impedirá, de futuro, de realizarem todos os seus projetos. Vamos, pois, descer e confundir de tal modo a linguagem deles que não consigam compreender-se uns aos outros.»
E o Senhor dispersou-os dali por toda a superfície da Terra, e suspenderam a construção da cidade.
Por isso, lhe foi dado o nome de Babel, visto ter sido lá que o Senhor confundiu a linguagem de todos os habitantes da Terra, e foi também dali que o Senhor os dispersou por toda a Terra.» (Génesis 11, 1-9)

Os primeiros onze capítulos do Génesis desenvolvem um grande tema: a nossa necessidade de Deus que está oculta debaixo da ilusão de que nós próprios podemos ser Deus. Foi essa a questão na narrativa de Adão e Eva, foi essa a questão na narrativa da torre de Babel, é essa a questão que se coloca constantemente nas nossas vidas: fingir e acreditar que podemos ser Deus.
É o delírio mais profundo, próximo da loucura, mas ocorre em cada geração, em cada ser humano. Por algum motivo, o ego irracionalmente sussurra a cada um de nós, tal como a serpente segredou a Adão e Eva, “podes ser deus”. E como somos insensatos, acreditamos.
Colocamo-nos no centro do nosso pequeno universo e esquecemos de onde viemos e para onde vamos. Durante certo tempo torna-se uma ilusão impetuosa, até que a realidade começa a impor-se quando chegamos a uma encruzilhada em que os acontecimentos ficam fora do nosso controlo. O despertar é inevitavelmente doloroso e a negação persiste quase sempre para além de toda a razão.
Mas a evidência é muito óbvia para ser negada: eu não sou Deus! Eu preciso do verdadeiro Deus! Sem ele fico em perigo! É o princípio da sabedoria e o princípio da nossa grande peregrinação para o lugar onde realmente pertencemos – o abraço de Deus. Porquê ficar mais um dia na terra da ficção? Caia na real e comece agora mesmo o seu regresso a casa.

Mons. Dennis Clark
In Catholic Exchange
Trad. / adapt.: rm
© SNPC (trad.) | 18.02.11

2 comentários:

  1. E assim o Deus do Mons. Dennis Clark criou todas as guerras e todos os Dennis Clark que as fomentam e alimentam.
    Beijos

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  2. não necessariamente, Lino. Provavelmente, estamos a fazer leituras diferentes daquilo que o texto diz. Vivermos centrados no nosso "ego" pode não ser causa de grandes guerras mas é limitador daquilo que podemos ser. Creia-se ou não em Deus.

    Beijos

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