Todos podemos fazer do nosso corpo uma lira para com ela cantarmos a tristeza de o havermos perdido, mas todos podemos igualmente fazer do nosso corpo uma lira e com ela cantarmos a alegria de termos um corpo vibrátil como um instrumento musical. Não pendurarei o corpo da pessoa amada num ramo de uma árvore esperando que o vento lhe dilacere a carne e me deixe o seu esqueleto para eu fazer um violoncelo e dos seus membros arcos. Saberei tocar com as minhas mãos a mais irreal de todas as formas, o corpo, esse breve condensado de linfa multicor estremecendo ao som da minha voz, da tua voz, correndo, rindo, dormindo, erguendo os olhos, estendendo a mão para acariciar, empunhando a lâmina fina com que há-de finalmente destruir-se até ficar uma lira pendurada num ramo duma árvore.
Ana Hatherly, "O Mestre"
Boa, também estou a ler...
ResponderEliminar...e assim se descobrem cumplicidades inesperadas...;)
ResponderEliminarli os prefácios, a espaços entre exames, numa sala de espera e fiz uma ideia do livro. Comecei a ler e, imediatamente, fiz algumas projecções pessoais. E fiquei com uma vontade enorme de sugerir a leitura do livro a algum amigo, para poder usufruir de uma leitura a "duas vozes"...ainda não o fiz.
De qualquer modo, como é dito num dos prefácios, é um livro para ler e reler e ler e...
o amor é muito isso, sim.
ResponderEliminarbeijinho Maria C.
Luís,
ResponderEliminarnão propriamente sobre o amor (ou talvez, sei lá...por aqui vou referindo num sentido lato) alguém me dizia há pouco:"que palhaçada séria estamos aqui a ter".
Estou a gostar imenso deste "Mestre" também pelo humor com que a autora reveste os diferentes momentos do livro.
Mas a Ana Hatherley não pretende definir o amor - caminho tortuoso ( e se o faz é usando o termo "encontro") fala de uma "discípula" que procura um mestre que a leve a descobrir o q é o amor...
beijinho, Luís