2011-04-17

indignai-vos. é precioso.

Assim  escreve Stéphane Hessel, 93 anos, herói da resistência francesa e um dos redactores da Declaração Universal dos Direitos Humanos: "A minha longa vida deu-me uma série de motivos para me indignar.
Esses motivos nasceram não tanto de uma emoção, mas de um desejo de envolvimento."

Nestes tempos em que cada um deseja é tratar da sua "vidinha", Stéphane Hessel com singular lucidez alerta:

 A indiferença: a pior das atitudes

É verdade que, actualmente, os motivos para nos indignarmos possam parecer menos lineares, ou que o mundo possa parecer demasiado complexo. Quem comanda? Quem decide? Nem sempre é fácil distinguir todas as correntes que nos governam. Já não estamos perante uma pequena elite cujas motivações são fáceis de compreender. Sentimos perfeitamente que se trata de um mundo vasto em que tudo é interdependente. Vivemos numa inter-conectividade como nunca se viu anteriormente. Mas neste mundo existem coisas insuportáveis. Para o ver, é preciso olhar e procurar com atenção. Eu digo aos jovens: procurem um pouco, irão descobrir. A pior das atitudes é a indiferença, dizer «como não posso fazer nada, desenvencilho-me como posso». Este tipo de atitude conduz à perda de uma das componentes essenciais do ser humano. Uma das componentes indispensáveis: a capacidade de indignação e a consequente militância.
(...) Aos jovens, eu digo: olhem em redor e encontrarão os temas que justificam a vossa indignação - o tratamento dado aos imigrantes, aos indocumentados, aos ciganos. Encontrarão situações concretas que vos levarão a dar curso a uma acção forte em prol da cidadania. Procurem e encontrarão!

9 comentários:

  1. A sabedoria de 93 anos lúcidos e empenhados.
    Beijos

    ResponderEliminar
  2. Então em Portugal era mais que
    necessário a Indignação...mas o
    povo anda de certa maneira anestesiado...tirando a manifestação da juventude à rasca,
    mas que "se ficou por aí".
    Um prazer ter estado aqui.
    Abraço

    ResponderEliminar
  3. Então em Portugal era mais que
    necessário a Indignação...mas o
    povo anda de certa maneira anestesiado...tirando a manifestação da juventude à rasca,
    mas que "se ficou por aí".
    Um prazer ter estado aqui.
    Abraço

    ResponderEliminar
  4. sim, não nos faltam motivos para a indignação, em praticamente todos os sectores da sociedade.

    beijinho Maria C.

    ResponderEliminar
  5. exactamente, lino. Uma grande expressão de humanidade.


    Beijos

    ResponderEliminar
  6. Silenciosamente ouvindo (fica-me um pouquinho de inveja...a minha tentação de sempre: o silêncio) ;)

    O problema não é português...a anestesia é muito mais vasta e preocupante.

    Li este livro mais ou menos nos dias da tal manifestação da juventude "à rasca"...e não parei até hoje de pensar no manifesto que este pequeno livro é...e um desfile que configurando uma manifestação de reivindicações legítimas (trabalho, salários dignos etc)sabe a pouco como empenho e mobilização social.

    Obrigada. um prazer a sua visita.

    Abraço

    ResponderEliminar
  7. Uma indignação como oposição à indiferença (que é o mais fácil).

    Beijinho, Luís

    ResponderEliminar
  8. O grande problema é que é fácil falar mas passar para a acção é bem diferente. As pessoas sabem das injustiças, sabem da descriminação, sabem da miséria, mas preferem ficar sentados no sofá. O autor deste livro é um exemplo do inverso, e mesmo aos 93 anos continua bem activo na sua luta.

    ResponderEliminar
  9. é. parece que vivemos uma existência demasiado "almofadada".

    O passar à acção tem muitas vertentes. Cada um encontrará a(s) sua(s).

    ResponderEliminar