2011-05-04

complicamos o que deveria ser tão simples: nascemos para a alegria e o amor. Foi esse o sonho que sonharam para nós.

- Na tua opinião o que é que importa num homem?
- A plenitude maravilhosa que eu sinto ao estar com ele, e isso nas coisas mais fúteis da existência. O sopro de alegria que ele me transmite. É assim  que uma pessoa pode reconhecer a riqueza do amor que um homem encerra.
Ah, a odiosa, a detestável mania daquele tipo! Lá estava ele outra vez a falar-lhe de alegria! Acreditaria ele naquilo? Não haveria para ele outra coisa no mundo? Como encontrar nesta terra mil vezes posta a saque e incendiada pelos homens um recanto qualquer de amor e de paz? Só um canalha podia contentar-se com tais futilidades. Ou um doido afortunado. E todavia Heikal não era  um pulha nem um doido. Queria divertir o povo e ensiná-lo a rir dos tiranos. Era fácil dizê-lo. Mas o povo precisava aprender outras coisas. Taher pensou em todas as coisas que tinha ainda de ensinar ao povo, e a imensidão da tarefa pô-lo de súbito doente de desespero.

Albert Cossery - "A violência e o Escárnio"

4 comentários:

  1. Infelizmente, alguém se encarrega de lixar a vida à maioria logo à nascença.
    Beijos

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  2. vou pensar numa resposta para te dar. :)

    Beijos

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  3. Nascemos para a alegria?

    Não é preciso assinar, pois não?

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  4. Quem crê, para além das circunstâncias em:"Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10,10) vai percebendo que, mesmo a noite mais longa, o vazio mais deprimente, não aniquila o sonho nem o desejo.

    não é necessário assinar comentários, não quer dizer que eu adivinhe quem os escreve. nem é necessário.

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