2011-05-20

e ela (a violência) anda mesmo por aí

Nestes últimos dias, tenho pensado muito neste texto da Ana Cássia. É bom lê-lo sem complexos,  despido(a) de preconceitos e com objectividade. De que modo somos mulheres: na cama e fora dela. Até que ponto nos submetemos e que escolhas fazemos. E temos alternativas?

A violência e abuso de poder pode ser exercida de modos muito diversos. Em muitas empresas, geralmente dirigidas por homens, uma mulher decidir ter um filho e beneficiar dos direitos inerentes, pode ser um passaporte para a violência psicológica e exclusão. Para muitas mentes masculinas, a emancipação feminina é um tema tabu. Só podem existir na condição de submissão. Se quiserem que fiquem com os sonhos...essa pieguice. Sonhem. Enquanto as fodemos. E jogamos com o termo "sexo consentido"...independentemente da força exercida.

10 comentários:

  1. Todos os dias vou ver as notícias sobre o Strauss-Kahn, para ver se o gajo já se enterrou mais um bocadinho. Espero que apodreça na prisão.
    O texto da Ana Cássia só serve para me fazer mudar de opinião por uns segundinhos.
    Mais uma vez, só encontro nas palavras da senhora que se diz de amesterdam um ressentimento feroz e sobretudo uma sofreguidão desmesurada pelo poder do DSK.
    Há quem só seja bonzinho por não ter poder para mais.

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  2. O.

    Quem quer saber um pouco do mundo feminino, deve ler a Ana Cássia. Religiosamente. De resto, o texto dela é anterior ao caso que referes.

    O ressentimento pode não ser dela. Pode, e fá-lo muito bem, querer que, quem a lê, se confronte com os seus próprios ressentimentos. E eles tanto existem no mundo feminino como masculino.

    E o meu post também não se refere exclusivamente a ele. Nem principalmente. Porque não tenho elementos para concluir o que quer que seja sobre o mesmo.
    Utilizo a expressão "sexo consentido" porque ela pode ser tão ambígua e não dizer nada sobre a verdade dos actos. E, no entanto, é utilizada quase sempre de forma taxativa.

    Refiro-me a situações bem concretas com que algumas mulheres se deparam no mundo laboral, quando encontram (e encontram demasiadas vezes) entidades patronais que, presos a preconceitos e ressentimentos, exercem vários tipos de violência, sobre elas.

    Se leres a entrevista (e recomendo-te) do José Augusto Mourão (só para conheceres um padre católico diferente) ;)...diz ele que a lisonja e submissão são passadeiras para o poder. Essa é a "arma" que algumas mulheres usam para se furtarem (ilusão) a situações de violência.

    E homens também, com o mesmo objectivo: poder.

    A tua última frase: podes explicá-la?

    Cordialmente (sem ressentimentos) :)

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  3. Maria,

    não conheço um homem capaz de escrever algo tão sexista como os textos que a AC vomita cá pra fora regularmente. Admiravelmente bens escritos, claro.

    Qualquer homem que escrevesse algo vagamente comparavel seria imediatamente odiado por todas as mulheres que alguma vez lessem o seu blog. Ai dos homens que o apoiassem...

    No mundo em que vivemos as mulheres já não tem tão pouco poder como pretendem às vezes. A algumas dá jeito pretender que sim...

    Aquela frase do tal senhor Augusto Mourão é uma bela idiotice.

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  4. estás a ser terrivelmente preconceituoso e simplista na tua leitura.

    E o pensamento masculino limita-se ao homem que és e aos que conheces? vai dar banho ao cão! isto nem parece teu...

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  5. O.


    e nem toda a gente cobiça o poder simbolicamente expresso numa estada num hotel a pagar 2.000€ por noite. (Coisa que considero obscena).

    Entendo que uma pessoa que vive em tais condições tenha sérias dificuldades em lidar com o seu semelhante.

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  6. 3000...
    Mas ele só pagou 500.
    Teve direito a um upgrade...

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  7. Boas!...

    Nem sei por onde começar...

    Digamos que: Quando se deu a revolução sexual dos anos 60 com a pílula e consequentemente a libertação sexual da mulher, coincidindo com uma cada vez maior secularização da sociedade, houve uma coisa muito importante que ficou de fora: A educação para o relacionamento saudável e a consequente educação sexual. E hoje estamos a pagar um elevado preço por isso!... E não me estou só a referir à história das elevadíssimas taxas de divórcios, mas também a todo o sofrimento causado pela frustração sexual de muitos e muitos seres humanos!...

    Mas depois há aqui 2 grandes mitos:
    1. Só as mulheres são vítimas: Nada mais errado! Há muitos homens vítimas de assédio sexual, tanto heterossexual como homossexual. O problema é que é normalmente um assédio indirecto, baseado ou na sedução ou na humilhação... E o homem que dele se queixe passa a ser visto como um fraco ou um falhado!... E não pensem que isto acontece a poucos por aí!...

    2. Os jovens de hoje são uns depravados e uns tarados sexuais: Nada mais errado!... Meus caros: Todos sabemos o que significava para os rapazes o dia de "ir ás sortes" nos tempos da outra senhora... E sabemos o que era o dia dos grandes jogos do campeonato nacional de então!... E sabemos quem eram as jovens que "ajudavam" as madammes... Felizmente hoje as coisas não são assim e eu até tenho para mim que esta geração de jovens que aí temos ~e talvez a mais bem formada, informada e consciente de todas as que temos visto. Muito há por fazer? Sem dúvida!... Mas, por incrível que pareça eu estou muito, mas mesmo muito confiante nesta geração "à rasca"!... É certo que muitos deles poderiam pensar em adiar por um pouco essa experiência maravilhosa das suas vidas em prol do maior valor de estudar. Se bem formados e informados eles são os primeiros a fazê-lo!!!... Mas quem sou eu para os proibir? Não será também o proibicionismo uma forma de violência que os leva à angústia e daí a serem eles os actores de nova violência?...

    Urge uma mentalidade mais aberta à vida e ao mundo!... Sem os falsos moralismos de quem se calhar só os tem porque um dia foi vítima destas ou de outras frustrações sexuais e não só!...

    Bem: Hoje o dia já vai longo... Termino só com mais uma nota de reflexão pois o tema é demasiado sério para uma simples resposta de blogue... A Humanidade está num ponto de viragem da sua história em que necessita urgentemente de se repensar e refundar para que possa prosseguir num caminho de paz e progresso para todos. Mas será que está à altura?

    Boa noite!...

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  8. "Quando se deu a revolução sexual dos anos 60 com a pílula e consequentemente a libertação sexual da mulher"...e assim se criam os mitos. Foi um passo importante, foi. Não quer dizer que todas as mulheres se tenham libertado ou que não tenham continuado e arranjado outras prisões.
    Estas coisas não passam de claro a escuro e vice-versa.

    E metes aí os divórcios...a libertação da mulher é a causa? Se é, digo-te que ainda não chegou a muitos casos. Lamentavelmente. Uma coisa é falarmos de números e estatísticas e outra é falarmos de pessoas.

    Fiquei um bocado à nora com o teu ponto nº1. :)
    "Um assédio indirecto baseado na sedução"...se é indirecto pode sempre fingir-se que não se percebeu nada ;)

    Não digo que as vítimas são apenas femininas. Há vítimas. E como sociedade devemos agir.


    P.P. antes de chegarmos à Humanidade, estás tu, estou eu...está o outro...outros. Pode estar alguém bem perto de nós e não fazemos nada.

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  9. Olá JdL!

    O meu post é denso e difícil de compreender para quem vive habitualmente longe dos grandes centros urbanos... E para quem nunca viveu de perto certas situações, faço-me entender?

    E o assédio sexual tal como o abuso são jogos de poder... Jogos de poder em que quem domina se aproveita do dominado... Não há forma de ficar indiferente!...

    Quanto à libertação da mulher ela não é a causa dos divórcios... A causa dos divórcios foi o não se ter começado mais cedo a educar a juventude para essa libertação... Agora começam-se a dar uns pequenos passos por esse mundo fora... Mas lá está... Não falta quem ainda pense que o melhor era mesmo como nos "bons" velhos tempos!... E B16 e os seus queridos hierarcas Romanos contam-se entre essa lista!...

    Noa noite!!!...

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  10. Olá, P. P.

    a vida no campo também não é assim tão inócua. Acabei de chegar de um passeio nocturno. Só vi um pirilampo e fui picada por carradas de melgas. ;)

    Entendi o que querias dizer. Mas entre um assédio que é mais ou menos subtil e o uso da força ou de uma posição de domínio, vai uma boa distância.

    Era a essa diferença que eu queria aludir. Ironizei.

    O sentido deste meu post é precisamente alertar contra a indiferença.

    Cresci a ouvir dizer que o casamento é uma carta fechada. As mulheres à minha volta, assim o diziam. Os homens não se pronunciavam. (Acho que ainda se pronunciam muito pouco.) Como é que isto prepara alguém?

    Com este meu discurso entendes que não sei bem o que é isso dos "bons velhos tempos"

    E os hierarcas, saberão?

    Os tempos não são bons nem são maus. São o que fizermos deles. (Se nos deixarem...)

    Abraço

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