2011-07-28

um Deus terno



Entretanto, Eu ensinava Efraim a andar,
trazia-o nos meus braços,
mas não reconheceram
que era Eu quem cuidava deles.
Segurava-os com laços humanos,
com laços de amor,
fui para eles como os que levantam
uma criancinha contra o seu rosto;
inclinei-me para ele para lhe dar de comer.


Oseias (11, 3-4)


imagem- Marc Chagall (Sacrifício de Isaac)

outra Igreja é possível?

Na Igreja há muitos indignados. O problema é não saberem o que fazer neste momento.



daqui

2011-07-25

2011-07-23

o lugar do coração

Se Deus nos aparecesse em sonhos e dissesse: “Pede o que quiseres”, que quereríamos? A saúde para nós ou para quem amamos, o euromilhões para ter uma vida descansada, um emprego, uma casa digna, fama e poder? Necessidades ou excessos, que bem justificaríamos. O rei Salomão, muito novo e inexperiente, pediu “um coração inteligente, para saber distinguir o bem do mal”. Ainda que jovem, já descobrira que o projecto de Deus não é escolher em vez de nós, nem dar-nos aquilo que podemos alcançar, mas erguer-nos à grandeza de escolhas livres e responsáveis. O coração, no contexto bíblico, não é apenas o lugar da afectividade e dos sentimentos. É o centro da identidade pessoal, onde se unem a capacidade de amar, o conhecimento e a inteligência. O que Salomão pede é uma inteligência fundada no amor, capaz de ver para além do imediato e da aparência, e assim melhor servir o seu povo.

P. Vitor Gonçalves, aqui

2011-07-19

parece uma questão marginal

mas não é. Pertinente, é também, a incapacidade para ler e entender um texto (que algumas pessoas demonstram nos comentários) que é claro quanto à sua forma e conteúdo. Um mal que se entenderia em pessoas menos letradas e com baixo nível de escolaridade, mas que se encontra em pessoas com elevados graus académicos. Surpreendente.

2011-07-17

o amor não tem pressa

com paciência

26É assim que também o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois não sabemos o que havemos de pedir, para rezarmos como deve ser; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. 27E aquele que examina os corações conhece as intenções do Espírito, porque é de acordo com Deus que o Espírito intercede pelos santos.

Rm 8, 26-27

2011-07-16

mais outra

mulher a ler.

mulher a ler

 
1. Existe um livro que relerias várias vezes?

Existem vários. Já o fiz e penso continuar a fazê-lo. Por diversas razões. Sendo a principal que o diálogo entre mim e ele(s) não está encerrado.

2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

 Mais do que numa primeira impressão enumeraria. Alguns não desisti deles. Estão ainda à espera de nova(s) oportunidade(s).

3. Se escolhesses um livro para ler no resto da tua vida, qual seria?

Um...bem, só um é difícil a escolha. Alguns dos profetas do Antigo Testamento. Os quatro evangelhos. Vários de poesia.

3A. Se escolhesses uma vida para meter num livro, qual seria?

 Aqui vou esticar-me um bocadinho. Numa vida cabem vários livros. Mas nenhuma vida caberia num livro. (A pergunta pressupõe um ponto de vista redutor) 
4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste? 
Mas quem é que inventou este questionário?! Se não li, como é que sei que gostaria de ter lido? Tenho uma lista mental de livros que quero ler. Uns lerei outros não. 

4A. Que livro gostarias de não ter lido mas que, por algum motivo, leste?
 
Já li algum lixo  (classificação própria) e que foram tratados como tal (quando fiz mudanças ou precisei de espaço nas prateleiras). Mas se não é abuso perguntar: que fixação será esta do livro único.


 5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?

  Assim, de repente, e mesmo forçando muito, não estou assim a ver "cena final" nenhuma. Lembro-me de   algumas "cenas" e das repercussões que tiveram em mim.

6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Aprendi a ler aos sete anos. Entrava-se na escola no dia sete de Outubro de cada ano.
Mas ainda não me entregava a muitas leituras. Com dez anos, sim. Comecei com o vício. Que já perdi. Vou dizer do que não gostava: biografias. Durante muito tempo achei que era um disparate encher livros a contar a vida das pessoas. E perder tempo a lê-los. Mudei de opinião, e, mesmo atendendo à resposta que dei na pergunta 3A, comecei a gostar de conhecer pessoas através da autobiografia ou biografia que fizeram, e fazem, delas.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim. Porquê?  

Se fosse só um! (Que mania) A razão é que fico sempre à espera que apareça o instante da redenção. Umas vezes tenho alguma sorte. A maioria das vezes, não.

7A. Qual o livro que achaste tão bom tão bom tão bom mas que ainda assim o mandaste logo para o lixo ?

Passo.


8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

Não posso. Estão vários nas prateleiras atrás de mim. Citar alguns e deixar os outros, não me parece apropriado. Nem sequer um autor.  O gosto expresso  nas minhas  leituras são como o  meu coração - ecléctico.

8A. Que livro é que incluirias no plano internacional de leitura?
As minhas influências não vão para além da família e amigos. Vou oferecendo alguns na esperança de que os leiam.

9. Que livro estás a ler?
 
  Estou a ler as Ondas. Há muuuuuito tempo. Dois de poesia. Acabei de ler As Cidades Invisíveis e o Avesso e o Direito.

9A. Que livro é que não estás a ler?

Todos os outros. E mais alguns.



Como, não citei o Merton. Se citei alguém e não mencionei, foi  sem querer. É suposto passar a corrente. Vou passar a dois senhores: ao Lino (gosta de poesia como eu...e de malhar no Papa) e ao ON (para desenjoar de outros afazeres e actualizar o blogue).

2011-07-14

profetas do quotidiano

Santa Teresa fala de pessoas que têm uma vida muito ativa, dispersa numa multiplicidade de empenhos, e que, no entanto, conseguem uma vitalidade espiritual. Há, de facto, um mal-entendido de séculos que opõe, no interior da nossa cultura, para não dizer da nossa própria consciência, a contemplação à ação. Como se a vida ativa necessariamente nos desertificasse, atirando-nos para longe de nós próprios e de Deus. Ora, falando às suas irmãs contemplativas, Santa Teresa critica esta ideia e diz que a exterioridade pode até fecundar a experiência espiritual mais profunda. Mesmo o gesto exterior mais comezinho ou ínfimo, mesmo os gestos sem nenhum relevo como são os da rotina da cozinha (serão mesmo sem relevo?), ainda esses devem ser compreendidos de outra forma, pois o Deus Todo-Poderoso, o Grande Senhor do Universo move-se pela nossa cozinha, entre púcaros, vasilhas e panelas. Fomos habituados a pensar a vida espiritual como uma representação, um enredo que se passa unicamente num espaço nobre e ordenado, um intervalo sobreposto à vida. A existência quotidiana, ínfima, banal, rotineira achamos que não é para Deus, nem a consideramos capaz de ligar-nos a isso que é o sagrado. Contudo, diz-nos Santa Teresa: “Deus move-se entre os tachos”.

aqui

Facundo Cabral - 27/05/1937 - 09/07/2011

2011-07-10

o amor não engana: aqui sou feliz

Começou por ser uma bola e o excesso é apenas aparente. Porque também está um piu-piu, um gato, o pai, a mãe...um peixe, uma cobra e  a avó.

2011-07-08

Paris, 8 de Julho de 1921


“Se eu fosse guiado só pela luz da razão, diria que o mundo vai rumo à catástrofe. Mas, na história da humanidade, existe o imprevisto, o facto inesperado que muda o curso das coisas. Eis porque, no fundo, sou optimista.”

Edgar Morin

2011-07-03

boas propostas de reflexão e discussão


O elogio da Fraternidade por Manuel Carvalho da Silva from Pastoral da Cultura on Vimeo.

uma luta nada light

A que travo com os melros. Aqui fica a ilustração dos despojos, resgatados à voracidade dos malvados.

Onde está o meu Deus

«Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos" (Mt 11,28) 

A forma que as religiões têm encontrado para se impor, é contrapondo a finitude, a perplexidade, a fragilidade do viver humano,  ao  poder divino. Para ser mais específica: Opondo Natureza e Graça.
Para o homem ser digno aos olhos de Deus, não lhe chega ser homem: tem de ser santo.
São secundárias as relações humanas, os instantes de gozo, as circunstâncias comezinhas da vida, porque tudo isso é nada frente ao poder de Deus.
Mas este discurso da maioria das religiões, e, sobretudo, do cristianismo, colide com o testemunho de vida de Jesus Cristo. E resume-se o mesmo a que Deus não é alheio, indiferente, distante da natureza humana, de cada homem. 
As lutas que cada pessoa, individualmente e socialmente, trava, não são entre a natureza humana e o poder divino. São consequência daquilo que somos: finitos. Mas se esta finitude nos impede de viver de forma plena, não quer dizer que nos estejam vedados instantes de redentora eternidade. O caminho é combater os discursos formatados, venham de onde vierem. Centrar a nossa vida no instante presente. Descobrir quem somos...e viver de coração aberto. Rasgado, mesmo!