2011-10-13

amordaçada, não

 (fotografia de Cabral Nunes)



Agora a luta é comigo. Se quero aguentar mais uns tempos é dominar os demónios interiores, a moleza d'alma, o deixar-andar, o impedir pelos meios ao meu alcance a repetição dos erros do passado, que alguns deram frutos mas nem sei se compensadores.
E não me resignando à velhice e ao silêncio, aceitar os desgastes da idade, dizer adeus às metas (e às conas) já impossíveis de alcançar. Enfim, reconhecer os meus limites e tentar superá-los apenas se a ousadia valer os riscos e em plena consciência.  Não pela força do álcool que julgo - para já - o meu pior inimigo.
Amanhã, mudar de programa. Vai ser um combate incerto que derrotas, desânimos, mesmo períodos de crise, poderão comprometer definitivamente. A ver vamos.


Luís Pacheco, Diário Remendado (1/1/74)






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