2011-10-09

"e tu, de que dores falas?"

 
imagem, daqui


Em jeito de repto ao Luís.

É um tema grato à cultura judaico-cristã. 16Depois, disse à mulher: «Aumentarei os sofrimentos da tua gravidez, entre dores darás à luz os filhos. Procurarás apaixonadamente o teu marido, mas ele te dominará.» (Gn 3)  e Bendita e louvada seja a paixão do Redentor (da liturgia da Paixão), mas ninguém saudável deseja ou quer a dor. 
Também temos a experiência de que a dor é inerente à  condição humana. E há quem afirme que Deus também sofre (o que abala, e muito, as nossas frágeis seguranças).
A dor acompanha-nos em todo o percurso da vida. Tanto a dor física, como a outra, mais funda, que geralmente nos emudece e retrai.
Impacienta-nos a tagarelice dos velhos sobre as suas dores (que achamos sempre pequenas porque não nos doem), comparamos as suas dores de joanetes com a nossa angústia sobre aquele problema que nos aflige. Esquecemos que eles já as tiveram todas (e quem sabe mais algumas) e a força que lhes resta (naquela capacidade que o humano tem para se adaptar às circunstâncias) já só dá para as que a farmácia pode aliviar. E nem sempre é assim: a solidão é um vampiro que nunca se satisfaz.

4 comentários:

  1. ao ler-te fiquei a pensar que falar das dores, também as pode aliviar, depende apenas da forma como se fala delas, sem nos agarrarmos a elas como lapas.

    ou seja, falarmos delas como algo que se entrega a quem quiser, acompanhado de um sorriso.

    embora nem sempre o consigamos, faz-nos bem sorrir à dor.

    beijinho Maria C.

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  2. O sorriso, às vezes, só amarelo...mas é bom q não façamos das dores santo do devocionário.

    agora, essa coisa do positivismo não é flor do meu jardim. explico: há que assumir a dor e...ás vezes o tempo ajuda, outras nem tanto. Tentar não ignorar as nossas nem as dos outros.

    beijinho, Luís

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  3. "Pois dar de beber à dor é o melhor..."
    Beijos

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  4. já tinha postado o poema quando li o teu comentário, Lino :)

    mas sai também o fado. :)

    Beijos

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