2011-11-29

a perguntas infelizes...

Enquanto aguardava a minha vez, ouvia o vizinho acidental -separava-nos uma cortina - contar a história da própria vida, com interjeições sentenciosas da profissional que o auxiliava e orientava no recobro. Foi o suficiente para ordenar ao meu cérebro que, mesmo grogue pela anestesia, fizesse o favor de não me destravar a língua. A dita auxiliar era uma ex-vizinha e já não nos víamos há alguns anos.
Regressada do exame médico, enquanto reassumia lentamente as diferentes capacidades, começou o interrogatório, sendo que comigo era mais fácil e o "ficheiro" mais rico em dados. Fui respondendo evasivamente, satisfeita comigo própria, até que veio a pergunta inesperada:
-Mas és feliz?
- É uma pergunta que não faço a mim própria. Prefiro aprofundar a consciência do que sou e das decisões que tomo. Respondi.
Acabou-se o inquérito.



4 comentários:

  1. respondeste muito bem.

    ser feliz ou não depende muito do grau de exigência que temos do mundo e dos outros.

    beijinho Maria C.

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  2. Luís,

    o que sei é que estou sempre a ser atropelada pelo burlesco da vida. Consegues imaginar local e situação mais imprópria para inquirires outrem sobre se é feliz ou infeliz? Nem falando que fazer uma pergunta dessas supõe alguma/bastante intimidade, coisa que não existia.

    Sim, concordo com o que dizes. É uma questão de perceber se nos relacionamos com base nas nossas necessidades ou, sem as ignorarmos, vamos além delas.

    Beijinho, Luís

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