2011-11-06

que sentido para a eternidade

É reconhecida a dificuldade de viver o tempo presente  - o que é um contra-senso  porque é o único de que dispomos -, também o foi para as primeiras comunidades cristãs. Depois da experiência pascal todas as expectativas se centravam na promessa da parusia.
A força estabilizadora inerente à faculdade de prometer sempre foi conhecida na nossa tradição. Podemos encontrá-la no sistema legal romano, na inviolabilidade de acordos e tratados; ou podemos atribuir a sua descoberta a Abraão, o homem de Ur cuja história na versão bíblica  revela tão grande inclinação para celebrar pactos que é como se tivesse deixado a sua terra exclusivamente para por à prova na vastidão do mundo o poder da promessa recíproca até que o próprio Deus consentiu finalmente em firmar com ele uma Aliança (Hanna Arendt in "A condição Humana").
O presente está, então, sempre repleto do poder da promessa. Mas, também diz Hanna Arendt, na solidão e no isolamento [o perdão e] a promessa não chegam a ter realidade: são no máximo um papel que a pessoa encena para si mesma.
É no presente que se concretiza, nas diferentes especificidades biológicas, emocionais, afectivas, racionais e espirituais, a nossa humanidade.

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