2012-01-09

a perceptibilidade do amor

Se Deus quer manifestar o seu amor pelo mundo, este amor deve também poder ser reconhecido pelo mundo; apesar de e justamente no seu ser-totalmente-outro. Na sua realidade íntima, o amor só pelo amor é conhecido. Para que o amor desinteressado de um amante possa por um amado egoísta ser compreendido (não só como algo de proveitoso entre outros bens, melhor do que outros, mas como aquilo que é), deve no último haver um pressentimento, um começo de amor. Assim também o contemplador de uma grande obra de arte precisa de um dom - inato ou adquirido pelo exercício - para nela perceber os valores de beleza, que a distinguem da arte menor ou do kitsch.

Hans Urs von Balthasar in "Só o amor é digno de fé"

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