2012-02-07

unidade

 para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti  (Jo 17, 21a)


Como o José F. Borges não tem comentários abertos (com todo o direito e propriedade) respondo daqui mesmo a este post. O tema é-me muito caro. Respondo tendo como  ponto de partida a reflexão cristã. Uma resposta religiosa, portanto.

Parece-me que não é difícil a constatação de que a vida, que é dada viver a cada homem, e aos diferentes grupos humanos, é, por natureza, fragmentada. A esta condição, o cristianismo (não estou a referir o que as igrejas cristãs foram ao longo destes vinte séculos) propõe um sentido escatológico de unidade. Tanto para o que é a vida no presente como para aquilo que antevemos num horizonte que nos escapa.

Esta unidade não pode ser uniformidade (Paulo refere a imagem do corpo humano, e dos seus diferentes membros, para falar dela), nem fundamentada em lógicas de poder e dominação.

Ter como horizonte a unidade "para que todos sejam um" só se entende numa dinâmica amorosa e na consciência de que é contínua busca.



3 comentários:

  1. Obrigado pelo comentário. A leitura que faz não se afasta muito de uma das interpretações que apresento para a fórmula em análise. O problema reside, justamente, na outra possibilidade. É que as palavras mais doces podem sempre esconder as intenções mais perversas.

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  2. Pois podem. O que eu quero mesmo dizer (talvez não tenha sido explícita quanto a isso)é que esse risco está sempre presente. E não é por causa dele que a proposta perde validade.

    Ao enunciado proposto, a história da Igreja mostra como algumas vezes o subverteu. Quando afirmo que é contínua busca, não estou a querer ignorar e escamotear esses acontecimentos. Bom, não querendo ser "piegas" ;) não se pode retirar o sofrimento do amor. Não há propostas "limpas".

    Obrigada eu, pelo desafio diário que a sua escrita me provoca. E também pelo seu comentário.

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