As escadas

Toma, este é o meu corpo, o que sobe as escadas
em direcção à tua escuridão, deixando-me,
ou a alguma coisa menos tangível,
no seu lugar.

Também elas envelheceram, as escadas,
também, como eu, desabitadas.
Anoiteceu, ao longe afastam-se passos, provavelmente os meus,
e, à nossa volta, os nossos corpos desvanecem-se como terras estrangeiras.



Manuel António Pina,
"Como se desenha uma casa"
edição; Assírio & Alvim

imagem-Maria Falconetti in A Paixão de Joana D'Arc

3 comentários:

Luis Eme disse...

grande metáfora da nossa vida em escada...

beijinhos Maria C.

lino disse...

Um belo poema do Pina!
Beijos

maria disse...

Beijos, moços (aqui, na casa do Manuel António Pina)