2012-03-31

não bastam os estados de ânimo para fazer o poema, mas...

A lâmpada de Deus ainda não se tinha apagado (Sm 3,3)

É recorrente ser instada a dar as razões da minha solidão. Não deixa -aos olhos do mundo- de ser contra natura, uma pessoa decidir viver sozinha. Como se o viver sozinho seja, forçosamente, isolamento.

Como seres finitos, somos, naturalmente, insatisfeitos. O percurso humano foi descobrindo elementos que iludem e mitigam os nossos vazios interiores. Mas não há melhor forma de conviver com eles, do que enfrentá-los. E o silêncio e a solidão ajudam a torná-los presentes. É na escuridão que a pequena luz brilha de forma plena.

A constatação da finitude não é em si um fim. Porque a nossa vocação é à totalidade e ao infinito. E a lâmpada de Deus permanece acesa no mais íntimo de cada um. Criar condições exteriores para que esta realidade se torne cada vez mais evidente (em primeiro lugar ao próprio) é a atitude de quem quer viver desperto.


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