2012-04-03

O SILÊNCIO DE DEUS



Nada somos, nem ilha submersa
na metafísica dos geólogos,
ao sabor de inexplicáveis convulsões.


Além da orla branca que cinge a terra,
nada somos, encerrados em palavras,
sequiosos de vento, de ternura, de amor.


No entanto, dentro de nós crescem,
o vento, a ternura, o amor,
como pétalas de fogo, desgrenhadas.


Com violência resistem aos impulsos
dos homens, ao silêncio de Deus
entreaberto.
Com violência resistem ao terramoto
que sacode o nosso corpo
de alto a baixo, sem razão.







A.J. Vieira de Freitas
(in «Erosão»,
Ed. Ilhatur, Funchal, 1980)


surripiado daqui

4 comentários:

  1. Obrigada. Também para ti e para os teus: Uma verdadeira festa da vida.

    beijinhos

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  2. Um belo poema! Uma Páscoa Feliz.
    Beijos

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  3. Muito obrigada, Lino. Feliz Páscoa também para ti.

    Beijos

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