2012-05-21

A ausência do amor




A ausência do amor não consiste em que efectivamente não apareça em episódios, em paixões, mas no seu confinamento nesses estreitos limites da paixão individual desacreditada num facto, num raro acontecer. E então chega a suceder que até a paixão individual - pessoal - fica também confinada numa forma trágica, porque fica submetida à justiça. O amor vive e respira, mas submetido  a um processo perante uma justiça que é implacável fatalidade. O amor está a ser julgado por uma consciência onde não há lugar para ele, perante uma razão que se lhe negou. Está como enterrado vivo, vivente, mas sem força criadora.


María Zambrano;
"A Metáfora do coração e Outros escritos"
Tradução de José Bento
Assírio & Alvim

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