2012-05-15



Os apanhadores de conquilhas

Uma família inteira
a apanhar conquilhas

É o pai é a mãe
é os filhos é as filhas

todos acocorados
na sôfrega função

O gotejar do tempo
é coisa que angustia

se não conduz a nada
se não enche vasilha

por isso esta família
sente que cumpre o dia

se ouvir dentro do plástico
o gluglu da conquilha

E eu que sempre apanhei
conchas mas sem miolo

neste imenso areal
desde os confins da infância

tenho que me render
ao triste desconsolo:

até estas gaivotas
só andam à ganância:

cada vez que mergulham
trazem peixe no bico!

E pensar que cantei
a esbelta liberdade

de suas brancas asas!
Por hoje aqui me fico

sofrendo em solidão
esta crua verdade:

Não há gestos gratuitos
por mais que diga ou faça

famílias ou gaivotas
a cada um seu isco

em serviço ou em férias
nenhum voo é de graça

só entendem o mar
se produzir marisco

Mas e eu que faço eu
a pé por estas ilhas

com ar de quem levou
uma pedrada na asa

senão catar também
umas tristes conquilhas

estas rimas forçadas
que vou levar para casa?!


Teresa Rita Lopes

2 comentários:

  1. sorri com o poema, porque me faz muita impressão esta "moda" de andar de "rabo para o ar", especialmente lá no reino dos algarves...

    espero que tenhas gozado bem o feriado.

    beijinhos Maria C.

    ResponderEliminar
  2. o feriado soube muito bem. :)


    Beijinhos, Luís.

    ResponderEliminar