2012-06-10

o que penso:


actualização da discussão que decorre aqui



Por masturbação entende-se a excitação voluntária dos orgãos genitais, para daí retirar prazer venéreo. (...) O prazer sexual é ali procurado fora da «relação sexual requerida pela ordem moral, que é aquela que realiza, no contexto dum amor verdadeiro, o sentido integral da doação mútua e da procriação humana».
Para formar um juízo justo sobre a responsabilidade moral dos sujeitos, e para orientar a acção pastoral, deverá ter-se em contam a imaturidade afectiva, a força dos hábitos contraídos, o estado de angústia e outros factores psíquicos ou sociais, que atenuam, ou até reduzem ao mínimo, a culpabilidade moral.

Catecismo da Igreja Católica, Nº2352

Sem, deliberadamente, descartar a doutrina católica sobre a sexualidade humana, não me retraio em lançar-lhe um olhar crítico. No que concerne à masturbação, que não deve ser isolada da totalidade da sexualidade, a mesma assume na doutrina católica um sentido reducionista bem explícito nesta entrada do CATIC.
Começa na forma: excitação voluntária dos orgãos genitais. A masturbação não se restringe à excitação dos orgãos sexuais. Bom, a menos que se entendam por sujeitos activos do acto de se masturbar apenas os sujeitos do sexo masculino...e mesmo assim, o corpo humano, tanto o feminino como o masculino, possui muito mais zonas erógenas do que as dos orgãos genitais.

Depois, sim, eu sei que a Igreja considera a masturbação um acto desordenado, e, como tal, apenas o enquadra no campo do juízo, não como fazendo parte do desenvolvimento integral da pessoa. Por isso, apela a atenuantes para o sujeito que se masturba. Caracterizando-o como imaturo, incapaz de auto domínio, angustiado etc.

Acredito que Deus nos criou como consequência daquilo que é: Amor. Como tal, criou-nos porque quer que vivamos. E vivamos da melhor forma possível. O uso que fazemos do nosso corpo pode ajudar ao nosso desenvolvimento integral ou não. Isso acontece na masturbação como em todas as outras funções do corpo. A masturbação, por si, não quer significar fechamento e desamor ao outro. A masturbação pode ser um meio para vivermos de de modo mais equilibrado e livre.

22 comentários:

  1. Maria:

    (lembra-se de mim? trocámos uns emails há uns tempos)

    Tenho acompanhado a discussão com João Silveira. Parece-me que a definição de "masturbação" é importante nesta discussão. E tanto a do Catecismo como a da Maria não correspondem à definição corrente.

    O Catecismo diz que é "a excitação voluntária dos órgãos genitais, para daí retirar prazer". Esta definição está incompleta. É dos órgãos genitais da própria pessoa - ou de outra pessoa.

    A Maria diz que esta definição exclui a estimulação noutras zonas. Certo. Mas masturbação não é sinónimo de estimulação sexual (no geral).

    Parece-me que quando o João coloca a questão da imoralidade da masturbação por ser uma acto egoísta, fechado à relação, centrado apenas no eu, não está a considerar o que falta na definição apresentada no Catecismo.

    De modo que por aqui podemos, de facto, considerar que a masturbação pode ser "um meio para vivermos de modo mais equilibrado e livre", como escreve a Maria.

    Abraço

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  2. Viva, Sérgio. Lembro, pois!

    Pertinente o seu comentário. Alguém me fazia no outro dia a observação (após uma definição minha sobre o que era um bom livro) que a matemática não está sempre a definir o que é uma recta e uma curva. :)
    Aqui também arrisquei. Se fica tudo muito limitado a fronteiras e definições restritas é mais que certo que eu reajo.

    Nesta exposição do Catecismo soa-me a definição eminentemente masculina...pronto, lá salta a emotividade.

    Mas parece-me que o problema da Igreja (Magistério) com a masturbação, advém sobretudo da longa tradição de haver uma condenação da mesma.

    A medicina, a saúde mental e psico-social, começaram a ver a masturbação como fazendo parte do normal desenvolvimento da pessoa e da sua integração numa vida equilibrada e sadia. Mesmo no caso em que no acto intervém apenas a pessoa que se estimula num acto solitário.

    Abraço, Sérgio.

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  3. Faltou evidenciar que o Magistério da Igreja, apenas se fixa no sentido de que a masturbação é um acto negativo e limitativo da pessoa.

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  4. Seguindo o conselho da Maria vou responder aqui ao MC.

    Tenho pena dessa experiência traumática com católicos, mas em relação a isso digo:

    1 – erros todos cometemos, sejamos católicos ou não. Não faço ideia se algum de nós é melhor ou pior do que essas pessoas. Só sei que as suas vidas não podem ser julgadas com essas más acções. Obviamente que o ideal seria os católicos terem vidas imaculadas, mas sejamos práticos: isso não acontece.

    2 – por mais erros que alguém posso cometer isso não quer dizer que algo é verdadeiro ou falso. Por exemplo, é verdade que é bom para uma criança ter uma pai e uma mãe para que seja educada, protegida e possa seguir os seus exemplos. Não é por existir pais e mães que são pessimos pais que isso deixa de ser verdade. Os católicos podiam ser todos umas bestas, que não deixava de ser verdade que Deus incarnou, viveu entre nós, morreu por nós e ressuscitou.

    3 – não podemos olhar só para os maus exemplo, há muitos milhares de pessoas que dão literalmente a sua vida aos outros, veja-se o exemplo paradigmático da Madre Teresa.

    Em relação à doutrina católica, talvez por estares afastado, arrisco a dizer que estás muito enganado:

    1 – os padres quando escolhem esse caminho, e são escolhidos já sabem que vão dar a sua vida toda a Jesus e aos outros, por isso a hipótese de casar nem se põe. Vejo as agendas dos padres à minha volta e não têm tempo livre, quanto mais com mulher e filhos (para educar e sustentar).

    2 – o facto de não se poder usar preservativo não tem nada a ver com apanhar sida. Se um homem é fiel à sua mulher, como é que pode apanhar sida? Se for infiel, a mulher vai saber aceitar isso pacientemente e usar preservativo? Não faz sentido. Aliás, apenas uma pequena percentagem dos casais usa o preservativo como método anticonceptivo.

    3 – não podem usar pílulas porque a fertilidade é um dom, não é uma doença que se cura com comprimidos. E obviamente que não é para fazer abortos. Fazer um aborto é bem mais grave do que usar a pílula. A Igreja é uma das maiores lutadoras contra o aborto. Felizmente existem uns métodos de planeamente familiar natural chamados métodos de auto-observação. Se não sabes o que é investiga no google. A eficácia é a mesma da pílula.

    Sobre a masturbação. Tu dizes que vês raparigas bonitas, e como não as podes ter masturbas-te. Ora, isto é pura e simplesmente reduzir o outro a um bocado de carne, a uma possível fonte de prazer. Como não te consegues apropriar fisicamente desse corpo (que é uma pessoa) aproprias-te psicologicamente, para tentar satisfazer um desejo. Mas tu próprio percebes que isso não te realiza. Nós fomos feitos para amar, para nos darmos aos outros, e isso que fazes é exactamente o contrário.

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  5. Maria,

    A definição de masturbação é o acto da estimulação dos órgãos genitais, até a wikipedia sabe isso. Se considera masturbação uma massagem no braço ou fazer cafuné, isso já é uma definição pessoal, o catecismo não vai falar das suas definições mas sim da definição culturalmente aceite.

    Tem toda a razão quando diz “Acredito que Deus nos criou como consequência daquilo que é: Amor.”

    Deus é de facto amor. Um amor que é doação, um amor que preenche, um amor que é fértil, que gera vida. Tudo isso se viu na cruz.

    A masturbação é exactamente o contrário, é a busca do prazer pelo prazer, procurar o gozo momentâneo. Não é abertura ao outros, é fechar-se em si próprio. Não é fértil, não gera vida. E não preenche, deixa a pessoa sempre a achar que falta alguma coisa. E falta, de facto. Fomos feitos para o outro. E muito concretamente a natureza do acto sexual é o dom total ao outro, damos-lhe todo o nosso ser, é impossível entregarmo-nos mais fisicamente. Daí que não faça sentido que seja feito com qualquer um, mas sim dentro da realidade dum casal. Essa doação é tão magnífica, que até pode gerar vida, isto devia-nos deixar espantados e agradecidos por este dom incrível que Deus nos deu. Foi para isso que recebemos orgãos genitais, e não para serem fonte de prazer egoísta infrutífero.

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  6. Maria:

    A medicina, a saúde mental e psico-social, começaram a ver a masturbação como fazendo parte do normal desenvolvimento da pessoa e da sua integração numa vida equilibrada e sadia. Mesmo no caso em que no acto intervém apenas a pessoa que se estimula num acto solitário.

    De acordo. Penso que a definição apresentada no Catecismo (que alarguei) deixa esse aspecto de fora. De facto, o desenvolvimento são da sexualidade e a descoberta do próprio corpo que fazem parte desse desenvolvimento são diferentes da masturbação. Daí a insistência de que esta última envolve a procura "voluntária" do prazer solitário - o que pressupõe não uma descoberta, mas a perfeita consciência do que se está a fazer e dos seus efeitos. Nesse sentido, a masturbação entendida assim implica a maturidade sexual e uma escolha consciente.

    Abraço

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  7. João,

    dispenso algumas observações marginais que não adiantam nada ao que estamos a discutir.

    O que define por gerar vida?

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  8. Sérgio,


    completamente de acordo. A masturbação não tem de ser um acto reflexo de imaturidade ou de falta de domínio. Pode ser uma escolha. É o que tenho tentado explicitar desde o início.

    A Igreja (Magistério) não sustenta essa opção. Em consciência cabe a cada um decidir. Como em tudo o resto.

    Abraço

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  9. Maria, presumo que saiba de onde vêm os bebés.

    A relação sexual tem dois factores: unitivo e procriativo. Este último é um dos maiores dons que recebemos, a graça de gerar vida, uma nova pessoa. É um grande milagre que hoje em dia é desprezado porque o sexo é apenas para o prazer, e quem quer ter filhos faz inseminação artificial.

    O factor unitivo também é gerador de vida, no sentido de unir o casal, de o fazer sentir vivo, de renovar os votos que fez no casamento.

    A masturbação não tem nenhum destes factores, e mais uma vez se percebe que é um uso indevido dos orgãos sexuais.

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  10. Sim, Maria.

    Mas isso não quer dizer que a escolha seja moralmente defensável. O domínio da moralidade é exactamente o da avaliação da conduta. Não há actos conscientes amorais. Em relação a cada um deles temos capacidade de discutir se estamos a procurar o bem ou não.

    A moralidade tem a ver com o uso que damos à nossa liberdade.

    Abraço

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  11. João,

    muitas vezes vivemos enredados em ressentimentos. E o grave é que não nos damos conta. Fazemos antes outro exercício: dividimos o mundo em vilões e heróis. Como não queremos ser vilões, a parte que que nos toca...pois, é essa mesmo - somos os heróis. E então, criticamos, criticamos, encontramos muitos defeitos e anomalias no viver dos outros. Porque como heróis que somos o nosso está resguardado.

    Seguindo o seu raciocínio e definições, um homem ou mulher inferteis permanente, ou temporariamente, pela idade, por doença etc., já não podem ser geradores de vida. Ou quem decidiu por uma vocação que não a da maternidade e paternidade, também não são geradores de vida.

    Olhe, dou-lhe o exemplo de Jesus, que, pelo que sabemos, não casou nem teve filhos. Não foi gerador de vida? Como é que Jesus teve a coragem de se escapar a esse "maior dom"?

    «A vida e a saúde física são bens preciosos, confiados por Deus. Temos a obrigação de cuidar razoavelmente desses dons, tendo em conta as necessidades alheias e o bem comum.
    O cuidado da saúde dos cidadãos requer a ajuda da sociedade, para se conseguirem condições de vida que permitam crescer e atingir a maturidade: alimentação e vestuário, casa, cuidados de saúde, ensino básico, emprego, assistência social.» Catecismo nº2288

    Diz a Igreja que o milagre não se esgota na concepção. E é à luz do ensinamento da Igreja que afirmo: todos (no estado em que nos encontramos) somos geradores de vida.

    A masturbação, como acto solitário, é impeditiva deste gerar vida? Tudo depende de ser um acto livre e consciente ou um sintoma de imaturidade que tanto se manifesta nesse acto, como nas restantes atitudes perante o próprio e os outros.


    Sim, sei de onde vêm os bébés. Fui(sou) mãe duas vezes e o mais natural possível. Mas isso não me dá nenhuma autoridade moral para nada.

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  12. Sérgio, tem toda a razão.

    Maria,

    “E então, criticamos, criticamos, encontramos muitos defeitos e anomalias no viver dos outros. Porque como heróis que somos o nosso está resguardado.”

    Está a falar dos seus comentário ao Padre Paulo Ricardo, e aos das outras pessoas que aqui comentaram e a Maria apoiou e que não passaram de insultos? Está então a dizer que essas suas críticas são frutos de ressentimentos, é isso?

    Estavamos a falar de gerar vida em casal, e dando o devido uso ou não aos orgãos genitais. Uma relação dum homem com uma mulher é fértil por natureza, mesmo que muitas vezes não o possa ser, seja por idade avançada, doença ou ciclo menstrual da mulher. Mas a relação entre um homem e uma mulher não deixa de ser ontologicamente fértil. Já a masturbação é ontologicamente infértil. Percebe a diferença?

    Está a querer chamar “gerar vida” a amar. Muito bem, em linguagem figurada pode fazê-lo, amar de facto gera vida. Mas o amor é dar-se pelo outro, como fez a madre teresa de calcutá, e isso é exactamente o contrário da masturbação, por isso não percebo o seu ponto.

    A Maria confunde o facto de ser um acto livre com ser um acto bom. Como se tudo o que fizessemos na nossa liberdade fosse óptimo. O comentário do Sérgio aponta o erro desse raciocínio: falta aí o juízo moral. Isto é bom ou mau? Que é feito em liberdade ninguém nega, mas isso não faz com que seja bom.

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  13. Puxa, por estas e outras doutrinas da igreja e concepções de muitos João(s) é que eu fugi da igreja e da religião como o diabo fugiu da cruz, prefiro ser eu a pensar por mim, do que me impingirem dogmas destes... vou também fugir destas opiniões, antes que me afogue neste fluir de correntes, que me atraem para a antevisão do paraíso celeste que alguns pretensos iluminados me querem fazer acreditar!
    Me vou... a fugir...
    Maria, um beijo (não sei se beijo é pecado, deve ser, assim mais ou menos como a masturbação, tantas vezes um acto egoísta de prazer único, pois eu, não poucas vezes, ando por aí a dar beijos ao vento!).

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  14. Sérgio,

    bom, cada vez fica mais complicado desenrolar este novela. Vão aparecendo pontas...o que é normal.

    Quando refiro acto livre...é considerando que se é responsável e se deliberou se "estamos a procurar o bem ou não".

    A moral sobre a masturbação é única e consensual? Dependendo dos grupos sociais a conclusão moral é a mesma?

    É que eu, neste tema, não vejo como escapar ao relativismo inerente ao tempo e espaço. E depois temos a autonomia dos indivíduos. Temos de pegar nessas pontas todas.

    Abraço

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  15. João,

    o que cada um escreveu está aí patente. Quem quiser, ou souber, que tire conclusões.

    Não tenho mais nada a acrescentar em relação aos seus comentários.

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  16. anónimo que anda "por aí a dar beijos ao vento", salvou-me o dia. E, sem sombra de pecado, guardei e retribuo o que me enviou.

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  17. PS Sérgio, não é "novela" é novelo. :)

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  18. Mais um anónimo a dizer que saiu da Igreja porque a doutrina de Jesus é exigente, olha que grande novidade. Isso já acontece há 2000 anos, não pense que é o primeiro.

    Nem é o primeiro a tentar ridicularizar o que os outros dizem em vez de argumentar de maneira racional.

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  19. Maria:

    Sem dúvida que há pontas neste novelo que é o mundo e a existência. As respostas secas, longe da humanidade concreta, específica, não nos ajudam a viver, a sentir, e a pensar (e esse é o domínio da moral, que muitos transformam em julgamento sumário sobre os outros).

    Há, de facto, disputas quanto à moralidade de alguns actos. Não só da masturbação, mas também do homicídio, etc. Mas isso não nos deve fazer desistir da discussão - pelo contrário. Nem nos deve fazer considerar que existem actos conscientes que são moralmente neutros. Partilhamos sempre mais do que aquilo que nos divide. E, no fundo, temos todos a mesma origem.

    A nossa consciência é formada. Quero eu dizer com isso que a consciência de uma muçulmano é uma consciência muçulmana - formada a partir de princípios do Islão. A consciência de um cristão é naturalmente cristã. Isto não quer dizer que esteja presa: deve ser livre, mas é uma consciência que não se funda num vago eu, mas na minha responsabilidade perante mim mesmo, o mundo, e o outro segundo uma forma de ver em desenvolvimento. Em que sentido? Precisamente no sentido em que a moralidade não é imposta de cima por Deus, mas é uma forma (criativa, livre) de chegarmos ao alto, a Deus. Porque na Bíblia, os mandamentos não são uma submissão da vontade (dos dez ao mandamento do amor de Jesus), mas a participação na amizade com Deus e com os outros. Eu mando-me a mim mesmo, nesse gesto descobrindo-me em Deus.

    Faço parte da Ordem Dominicana como leigo. Vou contar uma história verídica que se passou na República Checa. Numa reunião, uma mãe perguntou ao conhecido frade dominicano Wojcieh Giertych como podia ensinar os ensinamentos morais da Igreja ao seu filho que não estava aberto a eles, resistindo-lhes. Wojcieh, professor de teologia moral na Universidade de S. Tomás de Aquino em Roma, dirigiu-se ao quadro e desenhou um pequeno quadrado no canto e disse: "Neste quadrado estão os dez mandamentos." Depois perguntou: "É isto que é a moralidade?" Toda a gente gritou: "Claro." "Não", disse ele. "Deus não está tanto interessado em mandamentos." E depois desenhou um quadrado que ocupou o quadro e concluiu: "Isto é a liberdade. Isto é o que interessa a Deus. A sua tarefa é ensinar ao seu filho a ser livre. Esse é o ensinamento dos Evangelhos e de S. Tomás de Aquino."

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  20. Cara Maria ,

    1. Se eu fosse um padre , (Mário Quintana).




    Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
    não falaria em Deus nem no Pecado
    — muito menos no Anjo Rebelado
    e os encantos das suas seduções,

    não citaria santos e profetas:
    nada das suas celestiais promessas
    ou das suas terríveis maldições...
    Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

    Rezaria seus versos, os mais belos,
    desses que desde a infância me embalaram
    e quem me dera que alguns fossem meus!

    Porque a poesia purifica a alma
    ...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
    um belo poema sempre leva a Deus!


    Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 105(SITE RELEITURAS)



    2. No Dicionário etimoLÓGICO II de Millôr Fernandes, encontramos:

    • Aguardar - Economizar água.
    • Algodão - Oferecem alguma coisa.
    • Apelido - Coisa lida sem sentar.
    • Armarinho - Vento que vem do mar.
    • Asfalto - Ausência da principal carta do baralho.
    • Aspirar - Aviador endoidar.
    • Barganhar - Herdar um botequim.
    • Barracão - Cidadão que proíbe a entrada de cães.
    • Certidão - Momento em que eles declaram que você existe como ser.
    • Cerveja - Sonho de toda revista.
    • Coitado - Estuprado.
    • Comensal - Se alimenta com cloreto de sódio.
    • Comerciante - Se alimenta em frente.
    • Comichão - Devora terra.
    • Comodista- A que distância fica?
    • Comover - Maneira de olhar.
    • Compenetrar - Entrar a pé.
    • Competição - Tem um pé de crioulo.
    • Consolidar - Apenas com o fato de cuidar de uma coisa.
    • Consumo - O que ainda não foi expremido.
    • Convocação- Tem avô de filhote de tubarão.
    • Correligionário - Intimação para o legionário abrir no pé.
    • Criatura - Suporta o barulho dos grilos.
    • Democracia - Sistema de governo do inferno.
    • Demolição- Aula do diabo.
    • Demover - Olhar o diabo.
    • Desenvolta - Dez pessoas cercando uma.
    • Desespero - Aguardo uma dezena.
    • Destroços - Uma dezena de coisas.
    • Detergente - Ato de deter pessoas.
    • Dever - Olhar o D.
    • Dogmatizar - Misturar cães ingleses.
    • Fanfarra - Orgia dos admiradores.
    • Fascinantes - Certas mulheres que antes de cederem fazem sinal afirmativo.
    • Filatelia - Tomava conhecimento de tuas idéias o pessoal que esperava um atrás do outro.
    • Homossexual - Sabão em pó para lavar partes íntimas.
    • Informação - Está se fazendo.
    • Janota - Começa a perceber.
    • Jogador - Sujeito que arrisca a dor alheia.
    • Leiteria - Possuiria postulados legais.
    • Manutenção - O nervosismo do irmão.
    • Maratona - À superfície do oceano.
    • Marfim - Onde acaba o oceano.
    • Melancólica - Dor de barriga provocada por excesso de melão.
    • MISSÃO - Culto religioso desses que enchem o saco.
    • MORTIFICAR - Transformar-se em defunto.
    • NOVECENTOS - Sujeito que vê centenas de nós por toda parte.
    • Obtemperar - Fazer salada com a letra B.
    • PADRÃO - Padre muito alto.
    • Pastoral - Tranquilidade entre os esposos das vacas.
    • Pelourinho - Pé fulvo.
    • Penalizar - Passar as mãos nas plumas.
    • Perverso - Por cada estrofe.
    • Presidiário - Indivíduo preso todos os dias.
    • Pungente - Pessoas que dão tiro.
    • Servir - Criatura humana que vai chegar.
    • Sólido - Apenas trabalho.
    • Unção - Um que não está doente.
    • Veracidade - Apreciar a metrópole.
    • Viaduto - Local onde se reunem homossexuais.

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  21. Sérgio,

    obrigada por explicitar de forma tão clara o que faltou nas minhas exposições. Claro que a consciência é também formada no meio sócio cultural em que cada um vive. E eu continuo a considerar quão importante tem sido na minha vida a pertença à Igreja Católica. Isso não me impede de ser crítica em relação a alguns pontos e preposições.

    Abraço

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  22. anónimo...obrigada pela poética aqui transcrita.

    Os padres...são homens. Também podiam ser mulheres, mas isso são contas de outro rosário.

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