2012-06-02

Será a Cúria reformável?

O cancro da Igreja é mesmo a Cúria Romana. Sem a sua reforma urgente e radical (mas ela será reformável?), que tem de começar pela transparência económico-financeira, a Igreja Católica assistirá a uma descredibilização crescente. Quando, no meio de uma crise global e sem fim à vista, seria mais necessária do que nunca uma palavra moral limpa por parte da Igreja, ela afunda-se em escândalos. "Os javalis entraram na vinha do Senhor", queixa-se, com razão, o Papa Bento XVI. Chegou--se a este paradoxo: a última monarquia absoluta do Ocidente parece sentir-se impotente para pôr ordem na sua casa.

Não. Não é. O enunciado evangélico de que "não se deite vinho novo em odres velhos" (Mc 2,22) tem aqui a sua máxima aplicação.


Os escândalos não são novidade na Igreja, percorrendo, mesmo ao de leve, a sua história de dois milénios, são muitos e inequívocos os acontecimentos que entraram em conflito, mesmo com a sociedade do tempo em que aconteceram. Tanto assim foi que, em cada época, surgiram vozes e testemunhos de vida que rompiam com a ordem vigente.


A Cúria sofre dos mesmos mesmo males de todos os poderes que se assumem como absolutos. Mantém a estrutura descendente, mas as bases já não a sustentam nem apoiam.



2 comentários:

  1. Javalis na vinha? Quantos são, quantos são?
    Beijos

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  2. agora ainda não...mas deixa as uvas amadurecerem: virão em família.

    Beijos

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