O Henrique vai ver o mar e rebenta-lhe a poesia nas mãos. Generoso, partilha-a connosco:
Não te despeças dos bons dias, do cumprimento de uma paz
que será a raiz da harmonia. Caminha na mesma, ainda que só
e pesado; arrasta pelo caminho os pés de sangue tardado.
Quando desceres ao Sul, onde até à noite o céu morre.
azul, leva contigo pelo menos um sonho. À gravidade real
opõe a aguardente de medronho. Que o manjar dos deuses
seja a tua quietude, que a tua esperança seja um sempre por
cumprir. Não mais a finitude ficará por definir. Agora volta
os olhos sobre ti mesmo, adianta o adiamento da felicidade.
Sempre que a esmo alguém perece, exclamam os nervos da
Idade. Poderás porém alhear-te, de mochila às costas partir
para um lugar onde o sossego seja a arte de construir: fortes
de areia, braços de mar, uma teia onde morar; nós de terra e
ilhas candentes, tudo o que tão próximo já tão longe sentes.
Henrique Manuel Bento Fialho, "Rogil"
edição da volta d'mar
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