Ai! Que as más notícias chegam depressa ao resto da Europa. Ontem, quando ouvi a notícia, senti-me agredida: "quem se recusa a pagar não pertence à comunidade de crentes". Mas é assim tão simples? - Ó Cristo, anda cá abaixo ver isto!...
faltou-me fazer uma ligação directa à minha correspondente berlinense, para confirmar a notícia, mas ela cá está. :)))
Só te digo, querida Helena, eu até costumo receber estas coisas com alguma placidez, mas depois da TSU(ão) (como diz outro amigo)já não há resistência possível.
há dias, numa conversa de corredor, alguém me dizia da exigência dos jovens irem a Fátima a pé para se poderem crismar (numa determinada paróquia)na Alemanha vai assim a Conferência Episcopal...depois queixam-se dos ataques externos...é só bombardeiros nos pés.
não é tudo assim, tão desalmado, valha-nos Deus Nosso Senhor.
É muito estranho e vai contra a gratuidade dos evangelhos e do amor de Deus. Talvez haja alguma atenuante porque não pagar o imposto implica um ato de negação de pertença à Igreja.
Entre emigrantes portugueses, por exemplo, há muitas histórias de complicações porque lá na Alemanha dizem que não são católicos para não pagar o imposto, mas depois vêm à terrinha pedir os sacramentos e quando é necessário algum atestado alemão, atesta-se que são ateus, indiferentes ou algo do género...
Em todo o caso, para nós, é estranho toda esta organização associativa e financeira da Igreja Católica na Alemanha.
ninguém melhor (entre nós) para falar deste assunto, do que a Helena. Vive há uns bons anos na Alemanha, e é uma cristã esclarecida e activa.
Apesar de todas as questões formais, estruturais e até eclesiais, o princípio da gratuidade deveria ser o fundamento da nossa praxis. Porque da acção de Jesus, não tiramos outra ilação.
Na Alemanha há um acordo entre o Estado e as Igrejas católica e protestante (mas apenas a protestante "oficial" - há algumas pequenas comunidades protestantes autónomas que não têm acesso a este sistema). As pessoas que, ao fazerem a inscrição nas finanças, declaram que são católicas ou protestantes, passam a ver descontado automaticamente do salário um imposto para a igreja - no valor de 10% dos impostos pagos ao Estado. O Estado entrega esse dinheiro às Igrejas - mas é óbvio que a afirmação do Lino não está correcta: o Estado não "paga a padralhada", limita-se a ter um acordo de recolha de fundos com duas das Igrejas que existem na Alemanha.
10% do valor dos impostos é muito dinheiro. E dói ainda mais se as pessoas sentem que a Igreja lhes leva o dinheiro de forma automática, mas não mostra muita consideração por elas. Há casos impressionantes, como um amigo nosso que tem um excelente salário e por isso paga muitos milhares de euros à Igreja todos os anos, mas porque se divorciou (a mulher apaixonou-se por outro) e voltou a casar (não queria deixar a nova companheira numa situação precária apenas para ele ter o direito de continuar a comungar) "vive em pecado" e foi excluído dos sacramentos. Outro caso, gravíssimo, foi o de uma educadora de um jardim infantil católico (pago com esse imposto dos católicos, claro) que perdeu o emprego por ter engravidado sem ser casada.
No fundo, estamos perante uma luta de poder: os católicos não querem pagar automaticamente para uma Igreja com cuja hierarquia não concordam, e a hierarquia trata de os castigar à grande, expulsando-os da comunidade de crentes. Como se a comunidade de crentes fosse propriedade da hierarquia...
Ai! Que as más notícias chegam depressa ao resto da Europa.
ResponderEliminarOntem, quando ouvi a notícia, senti-me agredida: "quem se recusa a pagar não pertence à comunidade de crentes".
Mas é assim tão simples?
- Ó Cristo, anda cá abaixo ver isto!...
:)
ResponderEliminarfaltou-me fazer uma ligação directa à minha correspondente berlinense, para confirmar a notícia, mas ela cá está. :)))
Só te digo, querida Helena, eu até costumo receber estas coisas com alguma placidez, mas depois da TSU(ão) (como diz outro amigo)já não há resistência possível.
há dias, numa conversa de corredor, alguém me dizia da exigência dos jovens irem a Fátima a pé para se poderem crismar (numa determinada paróquia)na Alemanha vai assim a Conferência Episcopal...depois queixam-se dos ataques externos...é só bombardeiros nos pés.
não é tudo assim, tão desalmado, valha-nos Deus Nosso Senhor.
É muito estranho e vai contra a gratuidade dos evangelhos e do amor de Deus. Talvez haja alguma atenuante porque não pagar o imposto implica um ato de negação de pertença à Igreja.
ResponderEliminarEntre emigrantes portugueses, por exemplo, há muitas histórias de complicações porque lá na Alemanha dizem que não são católicos para não pagar o imposto, mas depois vêm à terrinha pedir os sacramentos e quando é necessário algum atestado alemão, atesta-se que são ateus, indiferentes ou algo do género...
Em todo o caso, para nós, é estranho toda esta organização associativa e financeira da Igreja Católica na Alemanha.
Na Alemanha é tudo muito esquisito porque a padralhada toda, de todos os escalões e credos, é paga pelo Estado. Daí o imposto.
ResponderEliminarBeijos
Jorge,
ResponderEliminarninguém melhor (entre nós) para falar deste assunto, do que a Helena. Vive há uns bons anos na Alemanha, e é uma cristã esclarecida e activa.
Apesar de todas as questões formais, estruturais e até eclesiais, o princípio da gratuidade deveria ser o fundamento da nossa praxis. Porque da acção de Jesus, não tiramos outra ilação.
Lino,
ResponderEliminarisso é que a mim soa como "contra natura".
Beijos
Na Alemanha há um acordo entre o Estado e as Igrejas católica e protestante (mas apenas a protestante "oficial" - há algumas pequenas comunidades protestantes autónomas que não têm acesso a este sistema). As pessoas que, ao fazerem a inscrição nas finanças, declaram que são católicas ou protestantes, passam a ver descontado automaticamente do salário um imposto para a igreja - no valor de 10% dos impostos pagos ao Estado.
ResponderEliminarO Estado entrega esse dinheiro às Igrejas - mas é óbvio que a afirmação do Lino não está correcta: o Estado não "paga a padralhada", limita-se a ter um acordo de recolha de fundos com duas das Igrejas que existem na Alemanha.
10% do valor dos impostos é muito dinheiro. E dói ainda mais se as pessoas sentem que a Igreja lhes leva o dinheiro de forma automática, mas não mostra muita consideração por elas. Há casos impressionantes, como um amigo nosso que tem um excelente salário e por isso paga muitos milhares de euros à Igreja todos os anos, mas porque se divorciou (a mulher apaixonou-se por outro) e voltou a casar (não queria deixar a nova companheira numa situação precária apenas para ele ter o direito de continuar a comungar) "vive em pecado" e foi excluído dos sacramentos. Outro caso, gravíssimo, foi o de uma educadora de um jardim infantil católico (pago com esse imposto dos católicos, claro) que perdeu o emprego por ter engravidado sem ser casada.
No fundo, estamos perante uma luta de poder: os católicos não querem pagar automaticamente para uma Igreja com cuja hierarquia não concordam, e a hierarquia trata de os castigar à grande, expulsando-os da comunidade de crentes. Como se a comunidade de crentes fosse propriedade da hierarquia...