2012-10-05

A Igreja e o Estado, na Alemanha

Na Alemanha há um acordo entre o Estado e as Igrejas católica e protestante (mas apenas a protestante "oficial" - há algumas pequenas comunidades protestantes autónomas que não têm acesso a este sistema). As pessoas que, ao fazerem a inscrição nas finanças, declaram que são católicas ou protestantes, passam a ver descontado automaticamente do salário um imposto para a igreja - no valor de 10% dos impostos pagos ao Estado.
O Estado entrega esse dinheiro às Igrejas - mas é óbvio que a afirmação do Lino não está correcta: o Estado não "paga a padralhada", limita-se a ter um acordo de recolha de fundos com duas das Igrejas que existem na Alemanha.

10% do valor dos impostos é muito dinheiro. E dói ainda mais se as pessoas sentem que a Igreja lhes leva o dinheiro de forma automática, mas não mostra muita consideração por elas. Há casos impressionantes, como um amigo nosso que tem um excelente salário e por isso paga muitos milhares de euros à Igreja todos os anos, mas porque se divorciou (a mulher apaixonou-se por outro) e voltou a casar (não queria deixar a nova companheira numa situação precária apenas para ele ter o direito de continuar a comungar) "vive em pecado" e foi excluído dos sacramentos. Outro caso, gravíssimo, foi o de uma educadora de um jardim infantil católico (pago com esse imposto dos católicos, claro) que perdeu o emprego por ter engravidado sem ser casada.

No fundo, estamos perante uma luta de poder: os católicos não querem pagar automaticamente para uma Igreja com cuja hierarquia não concordam, e a hierarquia trata de os castigar à grande, expulsando-os da comunidade de crentes. Como se a comunidade de crentes fosse propriedade da hierarquia...

Helena, comentário deixado aqui

4 comentários:

  1. Obrigada, Helena. Faltava mesmo este teu esclarecimento (com conhecimento de causa).

    Já li sobre um teólogo que se recusa a declarar na declaração de rendimentos a crença religiosa. Há a tensão entre a posição pública e o receber ou não os sacramentos. Parece que a posição da Igreja (católica) alemã é para reagir (medir forças) também em relação a este caso. E outros.

    Sobre os exemplos que dás, pois...eles são paradigmáticos. Não faltarão legalistas a defenderem a justeza das posições da Igreja. Eu prefiro ir por outra via: que são os sacramentos? a comunidade...qual é o centro da mesma...

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  2. Se isso não é pagar à padralhada é o quê?
    Beijos

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  3. Pois é, Maria.
    Qual é o centro da comunidade?

    Claro que eles - que são alemães - apelarão para a ordem das coisas. Que uma coisa sem a outra não faz sentido...

    Pois cá vamos a medir forças. Veremos quem ganha. Talvez os protestantes, talvez os velho-católicos. Os bispos põem-se com estas gracinhas, e esquecem-se que há concorrência, e forte, para a sua Igreja Católica. Há casamentos "mistos", há pessoas a decidir em que confissão baptizam os filhos...
    Isto pode ser um enorme tiro pela culatra.

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  4. pois pode. já é. o novo Sínodo está aí porquê?

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