Na Alemanha há um acordo entre o Estado e as Igrejas católica e
protestante (mas apenas a protestante "oficial" - há algumas pequenas
comunidades protestantes autónomas que não têm acesso a este sistema).
As pessoas que, ao fazerem a inscrição nas finanças, declaram que são
católicas ou protestantes, passam a ver descontado automaticamente do
salário um imposto para a igreja - no valor de 10% dos impostos pagos ao
Estado.
O Estado entrega esse dinheiro às Igrejas - mas é óbvio que
a afirmação do Lino não está correcta: o Estado não "paga a
padralhada", limita-se a ter um acordo de recolha de fundos com duas das
Igrejas que existem na Alemanha.
10% do valor dos impostos é
muito dinheiro. E dói ainda mais se as pessoas sentem que a Igreja lhes
leva o dinheiro de forma automática, mas não mostra muita consideração
por elas. Há casos impressionantes, como um amigo nosso que tem um
excelente salário e por isso paga muitos milhares de euros à Igreja
todos os anos, mas porque se divorciou (a mulher apaixonou-se por outro)
e voltou a casar (não queria deixar a nova companheira numa situação
precária apenas para ele ter o direito de continuar a comungar) "vive em
pecado" e foi excluído dos sacramentos. Outro caso, gravíssimo, foi o
de uma educadora de um jardim infantil católico (pago com esse imposto
dos católicos, claro) que perdeu o emprego por ter engravidado sem ser
casada.
No fundo, estamos perante uma luta de poder: os
católicos não querem pagar automaticamente para uma Igreja com cuja
hierarquia não concordam, e a hierarquia trata de os castigar à grande,
expulsando-os da comunidade de crentes. Como se a comunidade de crentes
fosse propriedade da hierarquia...
Helena, comentário deixado aqui
Obrigada, Helena. Faltava mesmo este teu esclarecimento (com conhecimento de causa).
ResponderEliminarJá li sobre um teólogo que se recusa a declarar na declaração de rendimentos a crença religiosa. Há a tensão entre a posição pública e o receber ou não os sacramentos. Parece que a posição da Igreja (católica) alemã é para reagir (medir forças) também em relação a este caso. E outros.
Sobre os exemplos que dás, pois...eles são paradigmáticos. Não faltarão legalistas a defenderem a justeza das posições da Igreja. Eu prefiro ir por outra via: que são os sacramentos? a comunidade...qual é o centro da mesma...
Se isso não é pagar à padralhada é o quê?
ResponderEliminarBeijos
Pois é, Maria.
ResponderEliminarQual é o centro da comunidade?
Claro que eles - que são alemães - apelarão para a ordem das coisas. Que uma coisa sem a outra não faz sentido...
Pois cá vamos a medir forças. Veremos quem ganha. Talvez os protestantes, talvez os velho-católicos. Os bispos põem-se com estas gracinhas, e esquecem-se que há concorrência, e forte, para a sua Igreja Católica. Há casamentos "mistos", há pessoas a decidir em que confissão baptizam os filhos...
Isto pode ser um enorme tiro pela culatra.
pois pode. já é. o novo Sínodo está aí porquê?
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