2012-11-05

A teologia do "vale de lágrimas"

A teologia cristã ocupou-se mais com o sofrimento do que com a alegria. E preocupou-se mais com as situações duras e penosas da vida do que com aquilo que nos proporciona  felicidade, bem-estar e satisfação. Em boa medida, pode-se garantir que os teólogos interessaram-se mais pela morte do que pela vida. E, embora seja correcto dizer que nos escritos teológicos se fala com frequência da vida, o facto é que a teologia e a liturgia dão a impressão de que a vida que interessa é a "outra" vida, não "esta" vida. Mais ainda, todos nós sabemos que nas igrejas se fala com frequência de renúncia ao prazer, da mortificação do bem-estar, da austeridade, do sacrifício, da suportabilidade e da resignação, ao passo que mal se escuta algo que mova e leve as pessoas a procurar ser felizes, a deleitar-se com tudo aquilo que de bom Deus pôs no  mundo e na vida, desfrutar o prazeroso, o sensível, o corporal. Sem dúvida alguma, a moral, a espiritualidade, a simples presença do religioso causam mal estar a muitas pessoas. E, evidentemente, não é comum encontrar pessoas que, espontaneamente, associem Deus e a religião à alegria de viver e, em geral, a tudo aquilo que nos faz sentir melhor, sentir-nos bem e ser mais felizes. Por que acontece isso?



José Mª Castillo in "Espiritualidade para insatisfeitos"

2 comentários:

  1. também é das coisas que me desagrada na religião católica, tanta dor e sofrimento...

    beijinhos Maria C.

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